TRIBO FORTE #030 – TIREÓIDE, HIPOTIREOIDISMO E UM GRANDE ESCÂNDALO

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No Episódio De Hoje:

Uau, já estamos no episódio 30 do podcast, o tempo passa e muita coisa importante já foi compartilhada ao longo destas 3 dezenas de episódios, não é mesmo?

No episódio de hoje focamos no seguinte:

  • Entenda como sua tireóide se comporta, entenda se hipotireoidismo tem a ver com low carb ou não.
  • Um grande escândalo que finalmente veio a tona da indústria do açúcar que ajudou a moldar as diretrizes nutricionais erradas que seguimos há 40 anos.

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Referências do Episódio

Artigo original do JAMA sobre o escândalo

Artigo do NY Times sobre o escândalo

Tradução do artigo acima para o português

Transcrição Completa Do Episódio

Rodrigo Polesso: Você está ouvindo o podcast oficial da Tribo Forte, com o Rodrigo Polesso e o Dr. José Carlos Souto. Assuntos como emagrecimento, saúde, alimentação e estilo de vida são tratados de forma imparcial doa a quem doer. Para se tornar um membro da Tribo Forte, entre em TriboForte.com.br. Olá, tudo bem? Você está ouvindo o podcast de número 30 da Tribo Forte. Hoje estamos bastante distantes um do outro. O Dr. Souto está de férias.

Dr. Souto: Estou de férias em Roma.

Rodrigo Polesso: Nada mal para o estilo mediterrâneo de se alimentar.

Dr. Souto: Com certeza. Quem acha que aqui só tem pizza e pão está bem enganado.

Rodrigo Polesso: Massa e pizza não são as verdadeiras comidas italianas. Na verdade, existe uma riqueza enorme de coisas aí para se degustar. Falaremos mais sobre isso quando falarmos sobre o que comemos na última refeição. Você poderá falar um pouco de como está sendo sua experiência alimentar aí. Quero adiantar quais assuntos cobriremos hoje. Cobriremos dois assuntos principais polêmicos, que muitas pessoas têm na cabeça. O primeiro deles é a tireoide. Muitas pessoas perguntam sobre a tireoide, sobre como a alimentação paleo e low-carb podem afetar a tireoide e se esse efeito é bom ou ruim. Não sou expert sobre esse assunto, mas comecei a ler sobre ele depois de ter uma conversa com o Dr. Souto. Acho bastante interessante entender como essa glândula se comporta com uma alimentação diferente. Também cobriremos um grande escândalo que foi descoberto sobre a indústria do açúcar, em relação à demonização da gordura. Na década de 60 isso ganhou a mídia mundial e ganhou a mídia brasileira também. Isso é só um indício do que está acontecendo hoje. Isso foi descoberto, então precisamos falar sobre isso. Antes de partir para esses assuntos, foi ler uma pergunta da comunidade. No final falaremos sobre nossa alimentação e o Dr. Souto dirá como estão sendo as férias dele. Como ele está se alimentando na Itália se lá só tem pizza e massa? Antes de partir para os principais assuntos, vamos ver a pergunta da Ivone: “Boa tarde, Rodrigo. Você teria algum artigo sobre cerveja ou chopp? Sou super fã do Emagrecer de Vez. Comprei seu livro online e super recomendo. O que mais me surpreende é a energia que ganhamos com a remoção dos grãos da alimentação. É impressionante! Mas eu adoro chopp. Eu gostaria de saber se o chopp do final de semana prejudica minha saúde. Eu eliminei quase que 100% dos grãos da minha alimentação. Mas encontro certa dificuldade com o chopp e com a cerveja. Me dá muito prazer sentar e tomar um chopp no final de semana.” Dr. Souto, como você ajudaria nossa amida Ivone?

Dr. Souto: O problema do chopp e da cerveja é que elas são bebidas com um teor alcoólico relativamente baixo e com um teor de carboidrato relativamente alto. Então, normalmente existe uma relação inversa entre essas duas coisas. Todo álcool (etanol) para consumido humano é produzido por fermentação de açúcar. Por isso, as bebidas alcóolicas podem ser feitas com qualquer tipo de açúcar ou amido. O saquê vem do arroz, já que o arroz tem amido. A cachaça vem do açúcar da cana-de-açúcar. A vodca e o uísque vêm do cereal. Vamos pegar um outro exemplo: o vinho. O suco de uva tem uma grande quantidade de açúcar. Sempre repetimos que um copo de suco de uva tem mais açúcar por ml do que uma Coca-Cola. No vinho, a maior parte do açúcar foi convertido (no processo de fermentação) em álcool. A fermentação do vinho é quase completa. Mas não é completa, então um cálice de vinho pode ter uns 4 gramas de carboidrato residual. Já no caso da cerveja, a fermentação é incompleta. Isso significa que a cerveja tem menos álcool e, por ser uma bebida mais fraca, a pessoa acaba bebendo muito. Aqui no Brasil, acabou se tornando uma maneira de matar a sede. É uma coisa consumida no verão e em grande quantidade. A pessoa não toma uma, mas sim 3 ou 4. Então, a quantidade de carboidrato é muito grande. Se a nossa ouvinte tomar uma pequena quantidade, uma coisa esporádica, uma vez por semana… não penso que atrapalhe muito. Já o consumo habitual não deixa de ser “pão líquido”. Existem cervejas de baixo teor de carboidrato (cervejas light). É importante não confundir cerveja sem álcool (que é sem álcool, mas tem um monte de carboidrato) com as cervejas de baixo teor de carboidrato. Não adianta me perguntar, já que eu não bebo cerveja e não conheço as marcas. Para as pessoas que são sensíveis ao glúten, e que se sentiram melhor ao adotar uma dieta paleo ou low carb (por terem melhorado as alergias com a remoção do glúten)… lembrem-se de que a cerveja contém glúten. Ela é derivada do trigo e da cevada.

Rodrigo Polesso: Muitas pessoas falam que você saberá se seu corpo reage ao glúten quando você o remover. Mas se você não removê-lo 100%, talvez não vai saber. As pessoas celíacas são as que tem a intolerância ao glúten mais grave. A ciência tem mostrado que a maioria das pessoas é sensível ao glúten, mas que as consequências não são tão aparentes assim. Se você reduzir o consumo de grãos, glúten, cerveja, chopp, mas não reduzir 100% por um determinado período de tempo mínimo, você não saberá se isso está afetando ou não sua saúde. Então, esse chopp do final de semana não teria grandes problemas, quando você tem certeza de que isso não é danoso para você, se você não quer emagrecer mais, se sua saúde está boa… aí você pode incluir isso como lifestyle. É uma questão delicada. Não dá para falar que é bom ou que é danoso. É interessante que você faça uma experiência com o glúten. A eliminação dele pode resolver muita coisa para muita gente. Um experimento removendo 100% desse componente é válido para ver se seu corpo reage melhor ou se não tem muita diferença. Depois disso, você poderá adaptar seu estilo de vida de acordo. O primeiro assunto de hoje será o da tireoide e do TSH, que é o hormônio da tireoide. Falaremos de vários hormônios e sobre a interação entre comida e tireoide. Existe muita coisa errada por aí a respeito desse assunto. Num comentário para um podcast anterior, uma pessoa havia comentado sobre o hormônio TSH. Esse hormônio apontaria um hipotireoidismo, segundo a pessoa, quando ela começou a se alimentar com menos carboidratos. Vou ler um sumário bem curto para mostrar como falaremos sobre isso: Além do T3 mais baixo não ser um sinal de hipotireoidismo, ele estar mais baixo é uma função benéfica. Nesse artigo, eles explicam porque esse T3 mais baixo, numa dieta cetogênica, é benéfico, e não numa disfunção. Eles falam três pontos importantes: um baixo T3, nesse caso, não é um hipotireoidismo, mas sim está associado à manutenção da massa muscular durante a perda de peso ou o consumo inadequado de proteína. Um baixo T3 também está associado com longevidade. O Dr. Souto, você ouve bastante pessoas falando que começaram a dieta e o TSH aumentou ou outros “sinais” de hipotireoidismo?

Dr. Souto: O assunto é extenso. Não sou um especialista nisso, já que não sou endocrinologista. Mas vou dar minha visão. A tireoide é uma glândula que coordena o metabolismo de forma geral. Ela secreta um hormônio chamado de T4. O T4 é um hormônio pouco ativo. A forma realmente ativa do T4 é o T3. Uma pequena quantidade de T3 é secretada, já que o principal é o T4. O T4 circula pelo corpo e ele é convertido em T3 nos tecidos, que é a forma ativa. A tireoide, como é uma glândula, é coordenada pela hipófise, que é a nossa glândula coordenadora das outras. O TSH é o hormônio tireoestimulante. Ele é secretado pela hipófise para estimular a tireoide a produzir T4. Se tem muito hormônio da tireoide circulando (mais do que precisa) o T4 e T3 inibem a produção de TSH na hipófise. Se a minha tireoide está funcionando mais do que deveria por algum motivo, meu TSH estará próximo de zero. O inverso também ocorre. Quando a quantidade de hormônio da tireoide está baixa (quando estou produzindo menos T4 e T3 do que o necessário), o TSH sobe, já que tenho menos T3 e T4 para inibir a produção de TSH na hipófise. Os endocrinologistas costumam usar o TSH como a principal forma de diagnosticar se a pessoa de hipo ou hipertiroidismo. Se eu tenho o TSH elevado, isso costuma ser uma indicação de hipotireoidismo, mas eu obrigatoriamente devo medir o T4 e T3 também. Eu posso ter o TSH elevado e o T3 e T4 elevados também – isso pode acontecer numa rara situação na qual a pessoa tem um tumor na hipófise que produz TSH em excesso. Mas, de uma forma geral, o TSH elevado é um indicador de que a tireoide está trabalhando de menos e a hipófise está tentando obrigar a tireoide a trabalhar mais. Qual é a principal causa disparada de hipotireoidismo? Tireoidite de Hashimoto. Hashimoto foi um japonês que descreveu essa doença, que é uma doença autoimune. Nela, o corpo produz anticorpos contra a própria tiroide e isso produz uma destruição da tiroide. A medida que a tireoide vai sendo destruída, ela vai perdendo sua capacidade de produzir T4 e T3. Aí o TSH sobe, já que a hipófise está tentando obrigar o que sobrou da tireoide a trabalhar mais. Eu ouço muito a pergunta: “tenho hipotireoidismo, posso fazer essa dieta?” A grande maioria dessas pessoas são portadoras da Tireoidite de Hashimoto. Essas pessoas devem tratar o hipotireoidismo e devem repor o hormônio da tireoide. Elas podem fazer dietas e exercícios como qualquer pessoa normal. Ter hipotireoidismo não uma contraindicação – pessoa deve tratar o hipotireoidismo repondo o hormônio com seu médico. A pergunta que nossa leitora fez deriva de uma blogueira norte-americana que lançou uma teoria muito própria de que low carb prejudica a tireoide. No episódio número 11 desse podcast, como Dr. Jason Fung, ele comenta sobre essa blogueira, já que ela falou que o jejum é um problema para a tireoide das mulheres. De fato, um jejum muito prolongado (de semanas ou de meses, como se fazia nos anos 60), uma dieta hipocalórica prolongada de reeducação alimentar (nada a ver com low carb), tende a provocar hipotireoidismo – o corpo estaria respondendo fisiologicamente da maneira que queremos que ele responda. O corpo tentará desacelerar o metabolismo para a pessoa não morrer de fome. Isso não significa desregular a tireoide, nem provocar um problema irreversível na tiroide. As pessoas têm teorias muito loucas sobre isso, Rodrigo. “Fui fazer essa dieta e agora minha tiroide está desregulada.” Não! A pessoa terá um novo setup do funcionamento da tireoide porque ela está fazendo uma dieta de perda de peso – seja essa uma dieta tradicional de perda de peso prescrita pela nutricionista (com pão integral e restrição de calorias) ou uma dieta low carb. Se a pessoa está comendo menos calorias, é natural que a tireoide reaja de alguma forma. Haveria, então, uma tendência de diminuir a produção de T3. Isso não é necessariamente hipotireoidismo, é uma adaptação fisiológica esperada nas estratégias de perda de peso.

Rodrigo Polesso: Muito bom saber desse tipo de coisa. Não sabemos o contexto dessa ouvinte, mas o fato dela ter começado uma dieta cetogênica e ter visto o TSH aumentar… esse comportamento aconteceu por causa de uma restrição calórica involuntária por causa dessa dieta ou por causa de outro fator?

Dr. Souto: Sim, com certeza. Uma dieta cetogênica costuma ter uma restrição calórica involuntária. Uma característica da dieta cetogênica é diminuir muito a fome. Então, é provável que nossa ouvinte tenha tido um aumento do TSH e uma diminuição da função da tireoide por estar simplesmente comendo muito pouco, no contexto de uma dieta cetogênica. Por outro lado, também é importante lembrar aquilo que nós já comentamos num outro episódio: um exame alterado não significa que seja um resultado que ela tenha todos os dias. A pessoa pode ter o TSH mais alto numa quinta-feira e mais alto numa sexta-feira. “Em janeiro eu medi minha glicose e estava 90. Agora, em junho, medi minha glicose e estava 101. Agora minha glicose está alta.” Não! Ela estava alta no dia de junho que você a mediu. No próximo dia ela poderia estar 80! Então, na realidade, os exames flutuam de um dia para o outro. Outra questão é que o T4, para ser convertido em T3, requer insulina. Quando temos uma insulina muito baixa numa dieta cetogênica, pode ter uma diminuição na conversão de T4 e T3. O T3 fica mais baixo, então TSH aumenta para estimular a tireoide. Essas são coisas esperadas e que podem ser imediatamente revertidas no momento em que a pessoa introduz um pouco mais de carboidrato e sai da sua dieta cetogênica. O que eu quero dizer é o seguinte: a doença que é crônica e irreversível é a Tireoidite de Hashimoto, que é uma doença autoimune e não tem nada a ver com comer carboidrato ou não. Se a pessoa está há 3 anos fazendo uma dieta low carb e desenvolve uma Tireoidite de Hashimoto (que é uma doença extremamente comum), não tem nada a ver com a dieta. 99,99% das pessoas que têm Tireoidite de Hashimoto não estão fazendo dieta de nenhum tipo. Então, temos que tomar cuidado para não atribuir uma Tireoidite de Hashimoto à sua dieta, pois é simplesmente uma coincidência. Se a pessoa estiver fazendo uma dieta cetogênica e seu TSH aumentou, ela pode aumentar os carboidratos e o TSH volta ao normal e pronto. Ninguém vai fazer uma disfunção permanente na sua tireoide fazendo qualquer tipo de dieta. Isso precisa ficar bem claro para quem está nos ouvindo. Existe essa mitologia na internet e nas redes sociais: “Eu fiz esta dieta e agora minha tireoide está destruída”. Isso é loucura, pessoal! Não existe. A pessoa pode ter transitoriamente uma alteração do TSH com uma dieta de muito baixo carboidrato ou de muito baixa caloria. Ela pode estar comendo carboidrato para caramba (pão preto, frutas, barras de cereal) só que comendo 1 calorias por dia – a tireoide vai alterar da mesma forma. Ela deixará de ficar alterada quando ela começar a comer mais calorias. Em uma dieta cetogênica, se houver uma alteração de tireoide, essa alteração será corrigida com o aumento de carboidratos – se for o caso! O artigo que vamos linkar nesse podcast coloca que essa alteração do T3 são coisas esperadas. Não são necessariamente coisas ruins ou uma manifestação de doença no contexto de uma dieta low carb. Então, se a pessoa está fazendo uma dieta low carb, está se sentindo bem, está perdendo peso e o T3 está um pouco baixo… OK! É o esperado. O grande problema é o medo que se criou na internet por causa dessa blogueira americana de que a pessoa pudesse estar prejudicando de uma forma mística a sua tireoide para sempre por ter passado algumas semanas fazendo uma dieta cetogênica.

Rodrigo Polesso: Vamos ter que repetir muito essa questão do medo. Isso está atrelado a praticamente tudo que estamos falando aqui. Mais uma vez as pessoas são vítimas de interpretações erradas de informações e opiniões inconsequentes que ajudam a espalhar o medo. As pessoas acham que tudo o que está escrito na internet é verdade.

Dr. Souto: Vou dar outro exemplo na mesma linha. Mulheres que fazem dieta de muito baixa caloria, podem ter amenorreia (parar de menstruar ou ter alterações menstruais). Isso também envolve o hipotálamo, que detecta a deficiência de calorias. Isso leva a uma desaceleração do metabolismo, que é feito parcialmente através da tireoide. O hipotálamo detecta que a pessoa tem poucas calorias disponíveis, e que portanto não terá condições de levar uma gestação até o fim. Então, o hipotálamo tem que decidir se essa mulher vai continuar menstruando ou não. Se ela menstruar, pode ficar grávida – e a gestação pode não chegar ao fim, matando a mãe e o filho – e do ponto de vista evolutivo isso seria um desastre. A grande maioria das praticantes de atletismo que vimos nas olimpíadas tem amenorreia. Elas são mulheres muito magras e têm um gasto calórico muito alto. É um consumo calórico não suficiente, por isso têm um percentual de gordura tão baixo. Se uma mulher está fazendo uma dieta low carb, está perdendo peso, mas passou a ter amenorreia ou alteração do ciclo menstrual, isso não é irreversível. A pessoa não vai ficar infértil para o resto da vida por causa disso. No momento que ela começar a comer mais calorias e mais carboidrato, ela vai voltar a menstruar normalmente. Mas existe um medo que circula na internet com relação a isso. Eu já até falei para alguns pacientes: “Você está querendo engravidar nesse momento? Qual é sua prioridade nesse momento? Engravidar ou perder peso?” Então, não teria problema ficar um tempo sem menstruar por alteração hipotalâmica. Uma vez atingido o peso alvo, é só voltar a comer mais carboidrato e calorias. Naturalmente, ela voltará a menstruar.

Rodrigo Polesso: Acho importante frisar essa parte. Você mencionou várias vezes os carboidratos e as calorias. Quero evitar que as pessoas fiquem com medo. Existem alguns tipos de pessoas que nos escuta: pessoas do dia a dia, profissionais de saúde, pessoas experientes que leem estudos científicos… tem vários tipos. Têm muitas pessoas que levam um estilo de vida cetogênico. É possível levar uma vida saudável, sem problemas de tireoide e sem problemas na menstruação, seguindo uma dieta cetogênica. Mas isso não é algo real para todas as pessoas.

Dr. Souto: Sim, é bem possível. Mas algumas pessoas terão alterações nesse sentido. Elas precisam ficar tranquilas e saber que se elas aumentarem um pouco o consumo de calorias e carboidratos, a coisa se resolve. Não há nenhuma alteração definitiva.

Rodrigo Polesso: Ok, maravilha! Esse episódio será mais um pilar de referência sobre a questão da tireoide. Se você souber de alguém que tem dúvidas sobre isso, você pode referir essas pessoas ao podcast número 30. Foi uma verdadeira aula. O Dr. Souto explicou bastante como funcionam os mecanismos. Antes do Dr. Souto falar mais sobre como está sendo a alimentação dele na Itália, com o estilo de vida mediterrâneo, vamos para o segundo assunto. Um verdadeiro escândalo que veio a superfície: a indústria do açúcar interferindo nas políticas dietéticas dos Estados Unidos e interferindo na ideia de que a gordura é ruim. Vou postar alguns trechos da tradução do artigo do New York Times. Esse artigo original saiu no JAMA. Tem um artigo sobre isso no blog do Dr. Souto. Vou ler alguns trechos para deixar todos na mesma página. Precisamos muito falar sobre isso. Começa assim: “A indústria açucareira pagou cientistas na década de 1960 para minimizar a ligação entre o açúcar e a doença cardíaca e promover a gordura saturada como a culpada em seu lugar, mostram documentos históricos recém-liberados. Os documentos internos da indústria açucareira, recentemente descobertos por um pesquisador da Universidade da Califórnia, San Francisco, e publicados segunda-feira no JAMA Internal Medicine, sugerem que cinco décadas de pesquisa sobre o papel da nutrição na doença cardíaca — incluindo muitas das recomendações dietéticas atuais — podem ter sido moldadas em grande parte pela indústria de açúcar. Os documentos mostram que um grupo comercial chamado Sugar Research Foundation (Fundação de Pesquisa Açucareira), conhecido hoje como Sugar Association (Associação Açucareira), pagou três cientistas de Harvard o equivalente a cerca de 50.000 dólares atuais para publicar, em 1967, uma revisão das pesquisas sobre açúcar, gordura e coração. Os estudos utilizados na revisão foram escolhidos a dedo pelo grupo açucareiro para provar um ponto específico, e o artigo, que foi publicado no prestigiado New England Journal of Medicine na época, minimizou a ligação entre o açúcar e a saúde cardíaca e levantou calúnias sobre o papel da gordura saturada. Os cientistas de Harvard e os executivos açucareiros com os quais eles colaboraram não estão mais vivos hoje em dia para dar satisfação. Um dos cientistas pagos pela indústria açucareira foi Dr. Mark Hegsted, que veio a ser o chefe da nutrição no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, onde em 1977 ajudou a elaborar o rascunho das orientações dietéticas do governo federal. Outro cientista foi Fredrick Stare, o presidente do departamento de nutrição de Harvard.” Olha só que coisa abismal! Em outras palavras, a indústria açucareira na época resolveu se movimentar para tentar interromper, na raiz, qualquer discussão que vinculasse o consumo de açúcar com problemas cardíacos. Como na época a teoria da gordura saturada estava pegando força, eles resolveram mudar o curso desse barco usando o poder do dinheiro. Perceberam que eles pagaram pessoas de Harvard. Essas pessoas trabalhavam no Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e no Departamento de Nutrição de Harvard. Dr. Souto, essa notícia foi bombástica. Ficamos de boca aberta com esse tipo de coisa acontecendo na época. Acho que devemos falar sobre isso para o pessoal ficar alerta.

Dr. Souto: Essa notícia foi absolutamente bombástica. Isso foi a Operação Lava-Jato da nutrição. Isso está de mãos dadas com outro artigo do qual comentamos há alguns podcasts atrás, sobre o ensaio clínico randomizado da substituição de gordura saturada por gordura vegetal. Nesse estudo, 9 mil e poucos pacientes foram randomizados para consumir manteiga ou óleo de milho. O grupo que consumia óleo de milho morreu mais do que o grupo que consumiu manteiga. O estudo é dessa mesma época. Como o resultado foi inesperado, mostrando que a manteiga era melhor e o óleo de milho era pior, o estudo foi abafado e não foi publicado. Não sou muito chegado em teorias de conspiração. Se a gente debanda muito pra teorias de conspiração, acaba tirando um pouco a seriedade daquilo que falamos. Mas dessa vez foi uma conspiração mesmo. Nós temos um grande estudo que mostrava que a manteiga era melhor do que o óleo de milho que só veio a ser publicado mais de 40 anos depois. Poucos meses depois, sai essa notícia bombástica de que cientistas de Harvard foram pagos pela indústria para escrever uma revisão que foi extremamente influente nos anos 60. Essa revisão sugeria que o açúcar não era o problema, mas sim a gordura saturada. Hoje, quando começamos a ver as evidências, é difícil entender como passamos tantos anos acreditando em outras coisas. Mas não foi por acaso, foi algo manipulado. Não se trata de especulação. São correspondências oficiais. Um sujeito da indústria açucareira dizendo: “Selecionei os artigos para vocês. Não me decepcionem.” O outro responde: “Não. Tenho certeza de que o senhor vai gostar do que vamos escrever.” Então, não são especulações da nossa parte. São as cartas escritas por essas pessoas, que estavam em arquivos e foram descobertas. Isso é tão escandaloso como o que aconteceu com a indústria do tabaco há algumas décadas atrás, quando os diretores da indústria do tabaco foram chamados para depor, já que as cortes descobriram documentos internos que provaram que eles já sabiam que fazia mal. Esse é um mega escândalo. Ele ajuda a colocar em perspectiva porque tantas décadas se passaram se acreditando no contrário. Foi algo realmente arquitetado.

Rodrigo Polesso: É a falácia da autoridade da qual estávamos falando. Têm pessoas que não são experts em nutrição, mas querem viver melhor. Quando elas veem os nomes Harvard e Departamento de Agriculta dos Estados Unidos, Chefe do Departamento de Nutrição da Universidade de Harvard… essa pessoa não vai duvidar dessa informação. Não é algo pequeno. É colocar o lobo junto com as ovelhas. Essa última parte também é bombástica: um desses cientistas que foram pagos foi trabalhar como Chefe de Nutrição do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.

Dr. Souto: Esse cara é muito importante. Quem ainda não leu deve ler o livro da Nina Teicholz, “The Big Fat Surprise”. Esse é um personagem importante da história. Descobrimos que esse sujeito foi pago pela indústria açucareira para sugerir que o problema era a gordura e que o açúcar não era um problema. É muito chocante. Alguém que está nos ouvindo pode dizer: “É óbvio que era assim.” Mas uma coisa é nós especularmos. Mas agora temos evidências que são cartas trocadas entre as pessoas. Não é mais especulação, é fato.

Rodrigo Polesso: Estamos vendo que as consequências disso são 40 anos de informações erradas que vão demorar muito tempo até serem revertidas. O outro cientista que citamos acabou sendo presidente do Departamento de Nutrição de Harvard. É difícil acreditar que informações boas podem sair de lugares como esse quando eles são patrocinados pela indústria. Não seria, então, uma teoria da conspiração, mas sim uma teoria do interesse. Dá para ver que isso acontece todos os dias. Então, vale a pena nos perguntarmos: será que isso está acontecendo hoje? Vou ler outro trecho desse artigo: “No ano passado, um artigo no The New York Times revelou que a Coca-Cola, o maior produtor mundial de bebidas açucaradas, havia fornecido milhões de dólares em financiamento para pesquisadores que buscavam minimizar a ligação entre obesidade e bebidas açucaradas. Em junho, a Associated Press relatou que os fabricantes de doces estavam financiando estudos que alegavam que crianças que comem doces tendem a pesar menos que aquelas que não comem.”

Dr. Souto: Essa história da Coca-Cola no ano passado foi um escândalo. Ela um instituto de pesquisa sobre obesidade, mas era uma fachada para a Coca-Cola. Ele distribuía fundos para qualquer cientista que quisesse estudar a importância da atividade física na perda de peso – ou seja, para minimizar o problema do açúcar no ganho de peso. Isso influenciou até mesmo a primeira dama, Michelle Obama, que dedica todo seu esforço num programa chamado Let’s Move, que é focado em fazer as crianças praticarem mais atividade física. Já falamos várias vezes que a atividade física é muito boa para a saúde, mas é pouco relevante para a perda de peso. É muito importante para a Coca-Cola que as pessoas se convençam que só o que importa para a perda de peso é a atividade física. Aí as pessoas vão parar de prestar atenção nos refrigerantes açucarados e no papel da indústria nisso. Isso também não é teoria da conspiração. Podemos linkar os artigos de jornalismo investigativo que saíram sobre isso ano passado. Algumas pessoas tiveram que pedir demissão de certas universidades no ano passado por causa disso. Elas estavam recebendo dinheiro da Coca-Cola para produzir artigos científicos sugerindo que o exercício é mais importante do que ele realmente é na perda de peso. Ao botar o foco no exercício, as pessoas param de botar o foco no açúcar. Isso aconteceu também nos anos 60, quando ao botar o foco na gordura, tiravam o foco do carboidrato – e isso interessava a indústria açucareira.

Rodrigo Polesso: Exato. É a teoria do interesse sendo feita na prática. Demissão é pouco para essas pessoas. Elas deveriam ser presas, afinal estão divulgando mentiras. Existem fatos para provar o oposto disso tudo. Isso tudo vale para abrirmos os olhos para o que está acontecendo. Se isso está acontecendo com empresas grandes, imagine o que acontece diariamente e não sabemos na indústria farmacêutica e alimentícia. É muito difícil saber em quem acreditar. Cabe a ninguém mais – a não ser nós mesmos – investigar antes de tomar qualquer decisão em relação à nossa saúde. Esses foram os assuntos principais. Agora podemos falar mais sobre o estilo de vida mediterrâneo. O que facilita e o que dificulta ter um estilo de vida saudável durante suas férias?

Dr. Souto: Primeiramente quero pedir desculpas aos ouvintes, já que a qualidade do áudio estará complicada. Vocês ouvirão ruídos de fundo e cacofonia, já que nossa ligação de Skype caiu várias vezes – a internet do hotel é muito ruim. Nesse momento o Rodrigo está ligando para meu hotel aqui em Roma. São apenas dificuldades técnicas. Acho que aqui eu vejo mais um exemplo de que é possível, desde que a pessoa queira. Muitas pessoas falam “eu estava viajando, não tinha como fazer.” Não! Tem como fazer. Muitos hotéis oferecem café da manhã. Na Itália não há falta de bons frios no café da manhã. Nos últimos dois hotéis nos quais eu estive, pude escolher diferentes tipos de queijo, salames, presuntos crus. Além disso, tinha como fazer uma verdadeira salada caprese. Tinha queijo mozzarella de búfala, tomate, manjericão. Dava para fazer uma bela refeição no café da manhã. Nem dá fome no almoço. Dá para continuar passeando com um pacote de nozes. Daí dará para guardar dinheiro e fazer uma janta melhor. Ao invés de ficar comendo McDonald’s ao meio-dia, é só ficar beliscando algo enquanto se visita algum local. Existem pequenos salames nos supermercados aqui, embalados individualmente. Eles parecem aquelas baby carrots, mas são mini salames. Dá para levar dentro da mochila. Todo restaurante aqui, obviamente, tem pizza e massa. Mas além disso, eles têm bons filés, peixes, frangos, saladas. Então, a pessoa pode usar a viagem como desculpa ou como oportunidade. Estou coletando uma série de fotografias para fazer uma postagem, mostrando as coisas gostosas que eu encontro por aqui. Estou mais no norte da Itália. Não é tão no sul da Itália, onde teria uma dieta mediterrânea. É claro que o restaurante oferece o que o turista gosta. O turista que vem para a Itália quer comer pizza e massa. Então, isso tem destaque nos restaurantes. Mas eles têm várias outras opções. Além disso, a pessoa pode eventualmente comer uma coisa fora. Para mim, comer o sorvete que eles oferecem aqui é algo obrigatório – tem que experimentar! Mas é só não comer de manhã, à tarde e à noite. Escolha um momento, numa sorveteria com sorvete especial. Isso está dentro do plano, como já conversamos uma vez.

Rodrigo Polesso: Está dentro do estilo de vida de curtir a vida. Mas na maioria das grandes cidades no mundo todo as pessoas tem hábitos ruins, não importa onde é. Em cidades como Roma e Milão a alimentação das massas (literalmente) é ruim. Em Florença e Toscana o pessoal come um pouco melhor e tem acesso a um estilo de vida diferente. Essas vilas pequenas na costa da Itália têm uma alimentação mais próxima ao estilo de vida alimentar mediterrâneo. Mas em todos os lugares você terá opção de pegar comidas boas. Nunca fui num lugar que não tinha opção para se manter numa alimentação forte e verdadeira. Em todos os lugares do mundo têm alimentos de verdade. Basta você ir com curiosidade num mercado e explorar os tipos de alimentos verdadeiros que aquele lugar tem. Você encontra Prestígio e Snickers em todos os lugares do mundo (e com a mesma marca). Esse tipo de coisa não vai adicionar nada culturalmente à sua viagem. Explorar os legumes, queijos, vegetais e salames de cada lugar é uma forma de cultura.

Dr. Souto: Com certeza. Estou conversando com você olhando para o vinho, queijo e azeitonas que estão em cima da mesa.

Rodrigo Polesso: Que maravilha!

Dr. Souto: Não é preciso comer fora todas as refeições. É só passar num mercado e comprar as coisas boas locais. Existem bons supermercados. A variedade e qualidade dos produtos aqui são bem diferentes do que se encontra nos mercados do Brasil. Sim, existe Snickers e chocolate ao leite em qualquer lugar no mundo. Tem pão e pizza em qualquer lugar do mundo. Mas podemos escolher coisas deliciosas e diferentes que se enquadram no estilo de vida, aproveitando a viagem sem voltar culpado. Isso não é necessário.

Rodrigo Polesso: Existe um alimento que está mandatoriamente incluso na alimentação forte que é o verdadeiro sorvete italiano.

Dr. Souto: Exatamente. O de Florença.

Rodrigo Polesso: O melhor sorvete que eu comi na vida foi em Siena, ao sul de Florença. Aquela região é espetacular. O sorvete de lá é como uma droga, já que você come e fica em estado de êxtase. É um negócio bizarro. Mas é claro que você comer isso de maneira rotineira, você desenvolverá diabetes rapidamente. Então, se você vai viajar, é claro que existe lugares para esse tipo de coisa. Vale a pena você viajar e começar a comer porcarias logo no primeiro dia, se sentindo mal, para baixo, inchado, casado? Isso deixaria suas férias melhores ou piores? Se você consumir alimentos de verdade na maior parte do tempo, você poderá curtir suas férias com uma alta performance, alta disposição, energia. Isso sim são férias bem aproveitadas. Você terá energia para explorar os lugares durante o dia.

Dr. Souto: Perfeito. É isso aí.

Rodrigo Polesso: Ótimo. Vamos finalizar o episódio número 30. Compartilhe, por favor. Falamos bastante a respeito da tireoide. Falamos também desse escândalo gigantesco. Vale a pena todo mundo saber que esse tipo de coisa acontece. Quanto disso está acontecendo hoje ao nosso redor? Também falamos sobre viagens, estilo de vida e as peripécias do Dr. Souto na Itália. Quando ele voltar poderemos falar do Brasil novamente. Dr. Souto, boa noite, bom vinho, boa azeitona para você. A gente se fala no próximo episódio.

Dr. Souto: Obrigado. Um abraço. Tchau tchau.

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Fundador do EmagrecerDeVez.com e autor de 3 livros eletrônicos bestseller: Emagrecer De Vez, 50 Receitas Para Emagrecer De Vez e Hipertrofia Muscular.

  • Lais Helena

    Rodrigo bom dia…
    Tento fazer a Low Carb mas me sinto MUITO fraca, sem energia pra nada, o que posso estar fazendo de errado?

    • OI Lais, só um médico que te acompanhe de perto pode dizer. Na minha visao particular, se fosse eu, eu primeiro me certificaria de seguir as diretrizes alimentares por no minimo 3 semanas para me certificar de que a fraqueza nao seja somente uma adaptacao do corpo a nova alimentacao (oq é bem comum de acontecer).

  • eveline g. stukenbrok

    hallo, rodrigo, você deve ser informado que eu já faço a mesma dieta quase 1 ano. foi com dr. rocha, primeiramente contra diabétes e depois para emagrecimento. as dietas são realmente idênticas, a sua só contém mais explicaçôes científicas e faz 3 semanas que faço com muito gosto o jejum. não emagreci nada,alias desde novembro aumentei 4 kg. imagine só! que sera que faço errado?. já desacostumei de ser gulosa. sou desciplinada e não sinto aquilo tudo como um sacrifício mas como amor a meu corpo, a mim. eu não entendi bem o que é low carb. pode me ajudar? o mais: bravo pelo enthusiasmo e seu trabalho bem feito!

  • Luanda Andrade

    “Se uma mulher está fazendo uma dieta low carb, está perdendo peso, mas
    passou a ter amenorreia ou alteração do ciclo menstrual, isso não é
    irreversível. A pessoa não vai ficar infértil para o resto da vida por
    causa disso. No momento que ela começar a comer mais calorias e mais
    carboidrato, ela vai voltar a menstruar normalmente. Mas existe um medo
    que circula na internet com relação a isso. Eu já até falei para alguns
    pacientes: “Você está querendo engravidar nesse momento? Qual é sua
    prioridade nesse momento? Engravidar ou perder peso?” Então, não teria
    problema ficar um tempo sem menstruar por alteração hipotalâmica. Uma
    vez atingido o peso alvo, é só voltar a comer mais carboidrato e
    calorias. Naturalmente, ela voltará a menstruar.”

    me desculpem mas acho um absurdo tratar o ciclo feminino como algo tão sem importância. não é só a questão da fertilidade. a menstruação tem uma importância central na saúde física e psíquica da mulher. uma dieta tão pobre em calorias a ponto de nos fazer parar de menstruar é, ao meu ver, um erro. eu estou tentando seguir a low-carb (sem muita paranóia, no meu ritmo), quero perder peso, mas quero saúde! e isso significa (também) menstruar. quem tem SOP sabe o que significa ficar meses, anos sem menstruação… as marcas disso no corpo e na psique. nesse caso, acho que o dr. souto, a quem tenho respeito pela dedicação ao tema das dietas paleo e low carb, está equivocado.

  • Flávia Caroline Soares

    Existe alguma contraindicação para pessoas que possuem hipotireoidismo (controlado com medicação) de seguirem a low carb?

  • Olá Rodrigo e Dr. Souto,

    parabéns por mais um fantástico episódio!

    Vocês poderiam linkar alguma referência sobre a parte da baixa de T3 associada à restrição calórica – e, de preferência, mais especificamente à restrição de carboidratos?

    Obrigado desde já!
    Forte abraço 🙂