TRIBO FORTE #049 – LOW CARB, MARGARINA COM MANTEIGA E O LADO NEGRO DA FORÇA

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No Episódio De Hoje:

Neste episódio recheado passamos por 3 assuntos:

  • Quanto tempo demora para nos adaptarmos a uma dieta baixa em carboidrato?
  • Quais as mudanças alimentares da população desde 1970 e que pistas isso dá as causas da obesidade e problemas que vemos hoje?
  • Uma revisão nunca antes vista das diretrizes alimentares americanas está acontecendo, mas existe um lado negro que pode colocar tudo abaixo…
  • Aberrações novas da indústria, etc.

Espero que aproveite este episódio 🙂

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Referências do Episódio

Relatório oficial do USDA sobre mudanças na alimentação ao longo do tempo

Artigo sobre a revisão que está acontecendo das diretrizes alimentares americanas

Artigo do Dr. David Ludwig sobre o tempo para adaptação a low carb

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá, pessoal, bem-vindos ao episódio número 49. No 48 fechou um ano, com 48 semanas. Não tínhamos mencionado isso. Nem celebramos, mas o episódio passado foi o 48, fechando um ano. Agora estamos no 49, chegando no 50, que é um número bacana também. Obrigado pela audiência e por manter o podcast da Tribo Forte entre os mais ouvidos do país. Isso para, para o Dr. Souto e para todo mundo significa que saúde realmente merece atenção e está ganhando importância na cabeça das pessoas. Estou de viagem ainda. Acabei de passar pelo evento Metabolic Therapeutics na Universidade do Sul da Flórida. Os temas principais desse evento foram a dieta cetogênica e as implicações da dieta cetogênica para o tratamento de problemas mentais, como a epilepsia. Foram três dias de palestras variadas. Um dos tópicos grandes foi a questão do Alzheimer e como a dieta cetogênica pode ser uma boa arma nesse sentido. É um campo de pesquisa que está em constante evolução. Não existe um consenso 100%, cravado em pedra. Então, se você ler algo na internet que seja uma conclusão sobre isso, levante a sua sobrancelha, coloque a pulga atrás da orelha. Na ciência mais moderna do mundo ainda não existe um consenso único sobre esse assunto ainda. Mas o que eles têm para reportar é bastante motivador, na minha opinião. Se eu tivesse algum desses problemas, eu com certeza faria alguma tentativa, afinal as possibilidades de efeitos colaterais são muito baixas quando feito corretamente. Todos os assuntos que eu pego nas conferências vão fazer parte do meu trabalho de uma forma ou de outra. Eu acabo os postando do podcast ou no Tribo Forte Extra também. Isso faz parte integral do meu trabalho, então todo mundo fica atualizado sobre isso também. Boa tarde, Dr. Souto, tudo bem?

Dr. Souto: Tudo bem, boa tarde. Boa tarde aos ouvintes.

Rodrigo Polesso: Estamos gravando na sexta-feira para postar na terça-feira para vocês. Hoje falaremos sobre três assuntos principalmente. O primeiro é quanto tempo demora para nos adaptarmos a uma dieta de baixo carboidrato. Acho essa uma pergunta bastante interessante. Se eu decidir começar uma dieta de baixo carboidrato hoje (ou a fase 1 do Código Emagrecer de Vez), por exemplo, quanto tempo demora para me adaptar e começar a sentir melhor do que eu me sentia antes? Depois falaremos sobre as mudanças alimentares da população desde 1970 e que pistas que isso dá sobre as causas da obesidade e dos problemas que vemos hoje por aí. Têm alguns fatos interessantes sobre esse assunto também. Daí uma revisão nunca antes feita das diretrizes alimentares americanas está acontecendo no momento. Uma revisão independente. Mas existe um lado negro que pode colocar tudo isso abaixo. Acho que essas são informações que você precisa saber e vamos tratar delas hoje. Como de costume, hoje faremos uma pergunta da comunidade. Vou passar a palavra para o Dr. Souto para ele responder à pergunta.

Dr. Souto: Entrou uma pergunta no blog que acho muito importante para os nossos ouvintes, porque isso gera muita confusão. A nossa leitora diz o seguinte: “Há alguns dias fiz exame de sangue após 20 e poucos dias de dieta low carb. Minha glicemia deu 110. Tenho 1,54, atualmente pesando 83 quilos. Eliminei 7 quilos desde comecei a dieta low carb há 38 dias. Diante deste resultado, fui ao endócrino para investigar essa alta glicemia.” Aí ela fez uma hemoglobina glicada que deu 5,9. O normal seria até 5,7. É um aumento discreto. Aí ela fez uma curva glicêmica. E a glicemia em jejum deu 108. Então, assim como a hemoglobina glicada dela eu um pouco acima, a glicemia em jejum também deu um pouco acima.

Rodrigo Polesso: Dr. Souto, você fala a glicada um pouco acima comparada a o que?

Dr. Souto: Comparada ao limite.

Rodrigo Polesso: Só para deixar claro porque do jeito que você falou as pessoas podem achar que ela subiu depois do low carb.

Dr. Souto: Essa hemoglobina glicada reflete os últimos três meses da glicose dessa pessoa. Então, nesses últimos três meses a glicemia dela deve ter estado um pouco acima do normal, e isso explica porque a hemoglobina glicada está um pouco acima do normal. Seguramente, nos próximos meses, deveria baixar, porque sabemos o que acontece. A pessoa faz uma dieta low carb, come menos carboidrato, perde peso e vai resolvendo a situação de pré-diabetes. Mas ela fez uma curva glicêmica. O que é isso? Ela faz uma glicose de jejum, que deu um pouco elevada e bebe 75 gramas de glicose pura em xarope e se vê glicose aos 60, 120 e 180 minutos. Após 120 minutos, deu 195 a glicose, o que é muito alto. 200 já seria um diagnóstico de diabetes. Qual é o problema aqui? O problema é o seguinte: quem está fazendo uma dieta low carb não pode fazer uma curva glicêmica enquanto estiver fazendo a dieta low carb e esperar resultados normais. Para que a curva glicêmica seja confiável, para que os valores de referência que normalmente são usados possam ser usados, a pessoa tem de voltar a comer pelo menos 150 gramas de carboidrato por pelo menos 3 dias antes de fazer esse exame. Isso é uma coisa sabida, não é novidade. No meu blog eu tenho uma postagem antiga explicando isso. Olhe o que aconteceu: “Saí com o diagnóstico de diabete tipo 2, prescrição de medicação, ume prescrição dietética que continha batata, arroz, margarina feijão e etc., e aconselhamento para uma cirurgia bariátrica.”

Rodrigo Polesso: Só por causa da interpretação errada…

Dr. Souto: Só por causa da interpretação errada desses dados. Veja bem… Ela é uma pessoa que obviamente responde muito bem a uma dieta low carb. Ela é acima da média; em apenas 38 dias ela já tinha eliminado 7 quilos. Sabemos que não é tudo gordura, mas 7 quilos não é tudo água. Ela perdeu gordura nesse intervalo. Ela recém começou, tem tudo para ter sucesso, perder peso e normalizar completamente seus exames. Ela não tem necessidade de medicação nesse momento, porque ela tem uma elevação muito discreta. 108 de glicemia de jejum 5,9 de hemoglobina glicada. Isso pode ser plenamente controlado com estilo de vida, incluindo dieta low carb e exercício físico… Muito menos fazer cirurgia. Não tem necessidade. Uma interpretação errada de um exame… Por um pequeno detalhe… Pode produzir todo um equívoco. Então, quero salientar que, se por algum motivo alguém pretender fazer uma curva glicêmica… Digo “por algum motivo pelo seguinte”… Se a pessoa está tendo sucesso com sua estratégia, está perdendo peso… Simplesmente repetir a hemoglobina glicada, a insulina e a glicemia de jejum, em geral vão dar todas as informações que a pessoa precisa. Mas se a pessoa quiser ou precisar fazer a curva glicêmica por algum motivo, são pelo menos 3 ou 4 dias de no mínimo 150 gramas de carboidrato por dia para daí fazer esse exame e ele ser interpretável.

Rodrigo Polesso: Na minha opinião isso é importantíssimo. Pode ser a diferença na vida de uma pessoa, como você falou. Se essa pessoa não seguisse o que a gente fala e não tivesse conectada a esse conhecimento todo, ela iria considerar fazer uma cirurgia, tomar medicação e etc. Na minha opinião isso é crucial espero que quem precisa ouvir isso esteja ouvindo para não cair nessa armadilha. Muito bem lembrado.

Dr. Souto: Fica a dica.

Rodrigo Polesso: Ótimo. Tem um relatório recém publicado oficial do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Ele meio que comparou a disponibilidade e o consumo de algumas categorias de alimentos entre 1970 e 2014 (nos últimos 40 anos, por aí)… Sobre as tendências de consumo de alguns macronutrientes. Vou sumarizar para a gente ter uma ideia do que está acontecendo. O consumo de gorduras vegetais e óleos vegetais desde 1970 pela sociedade americana aumentou em 83%. Óleo vegetais para usar na salada e usados para cozinhar aumentaram 248% desde 1970. O consumo de gordura animal caiu 27%. Ou seja, parece que o pessoal está realmente respeitando as diretrizes, consumindo mais óleos vegetais e cortando a gordura animal. Próximo… Grãos… Isso inclui o trigo e as farinhas também. O consumo de grãos nesses últimos 44 anos aumentou em 35%. As pessoas estão ouvindo as diretrizes e comendo mais grãos. Próxima categoria: proteínas. O consumo de carne vermelha caiu 28% em 44 anos. Novamente, estão seguindo as diretrizes. O consumo de ovos caiu 15%. O pessoal está com medo do colesterol. O consumo de frango quase que dobrou nesse período. O frango quase não tem gordura, então o pessoal acaba preferindo o frango do que a carne vermelha com medo do colesterol, gordura saturada e etc. A última categoria sumariza um pouco esse relatório: os açúcares. As diretrizes correntes recomendam que 10% das calorias diárias vindas de açúcar no máximo. Na verdade, é um absurdo na minha opinião. 10% de uma caloria de 2000 calorias seria o equivalente de 13 colheres de chá por dia de açúcar! Isso seria tudo bem ser consumido de acordo com a diretrizes. Em 2014 as pessoas estavam consumindo 83% a mais do que isso. O aumento de consumo de açúcar no geral, entre 1970 e 2014 foi de 10% no total. Então, basicamente, o que tiramos desse relatório é o seguinte: as pessoas estão seguindo o que as diretrizes vêm dizendo. Estão reduzindo o consumo de carne vermelha, ingerindo mais óleos vegetais, cortando gordura animal, comendo mais grãos e açúcares que vêm por tabela. Quando vemos esse tipo de coisa, A pergunta que fica na cabeça de todo mundo é seguinte: onde será que está a culpa da obesidade e da síndrome metabólica? Se tudo que as pessoas deveriam estar fazendo – de acordo com as diretrizes alimentares – está sendo feito, qual é o problema, Dr. Souto?

Dr. Souto: É incrível que as pessoas responsáveis por essas diretrizes e políticas de saúde pública não se deem conta disso. Se temos uma estratégia proposta para a população e posta em prática por esta população e o resultado é o oposto do esperado, não chega um momento de fazer uma reflexão? De pensar o que está dando errado? É muito comum ouvirmos o argumento de que as diretrizes não são o problema, o problema é que as pessoas não colocam as diretrizes em prática. Esses são dados oficiais refutando isso. Está demonstrado que a população está fazendo um esforço para comer mais óleos vegetais, menos carne, mais grãos, menos gordura. As pessoas estão fazendo esse esforço. O resultado é o resultado que está todo mundo vendo. Eu acho de certa forma fascinante até que ponto a dissonância cognitiva cria uma cegueira tem um vídeo na internet que eu sugiro que vocês olhem. Quem olhar a agora não vai conseguir fazer a brincadeira em si mesmo, mas vai poder aplicar nos outros. Procurem no YouTube: “Invisible Gorilla” (Gorila Invisível). Aquilo mostra que as pessoas enxergam só o que querem ver, só o que estão prestando atenção. Tem jogares de basquete. Um time com uma cor, outro time de outra cor. Aí temos que contar quantas vezes as pessoas de camiseta preta jogam a bola um para o outro. A pessoa fica olhando aquilo e contanto. Nesse meio tempo entra um personagem vestido de gorila, que para no meio da quadra, bate as mãos no peito e vai embora. A grande maioria das pessoas, enquanto está contando as bolas, simplesmente não enxerga o gorila. Agora que eu contei a história, a pessoa que for ver verá o gorila. Mas é fascinante aplicar nos familiares, amigos… Veja como a maioria das pessoas não verá o gorila. As pessoas estão tão fixadas nos seus dogmas e teorias que não conseguem ver esse gigantesco gorila que é o fato de que as pessoas estão fazendo tudo o que foi mandado e o resultado está sendo o oposto. É uma cegueira coletiva que só se explica pela dissonância cognitiva. Ou seja, é muito doloroso admitirem que estavam errados, então é preferível não enxergar o gorila (dói menos).

Rodrigo Polesso: “Investi minha carreira de 40 anos na ciência divulgando essas informações. O governo me pagou não sei quanto milhões para eu propagar essas informações. Agora vou dizer que tudo isso estava errado?” As pessoas não têm maturidade suficiente para dizer que o que estavam divulgando estava errado. Agora está chegando num ponto realmente difícil de sustentar isso aqui. No terceiro assunto de hoje falaremos um pouco mais sobre essa questão. O governo percebeu que alguma coisa está errada e não está funcionando, então tomaram uma atitude. Falaremos mais sobre o que está acontecendo, mas isso é no final. Vamos pular para o segundo tópico agora. Antes do segundo tópico, uma coisa interessante acabou rodando no Twitter… Que é um sinal do fim dos tempos… É um sinal do estereótipo da indústria, na verdade. Os mercados agora, com essa disseminação na mídia que manteiga é uma coisa saudável… Uma grande marca de margarina chamada flora está colocando nos mercados uma margarina com manteiga! Meu Deus, o que isso significa? Acho que foi a Nina Teicholz que mencionou que a Coca-Cola tinha incluído fibra para melhorar a sua saúde.

Dr. Souto: É uma nova versão da Coca. A Coca com fibra. Já que fibra é bom, vamos fazer uma Coca-Cola com fibra. Já que manteiga não é ruim, vamos fazer uma margarina com manteiga. É um desespero!

Rodrigo Polesso: Por que não faz só a manteiga, então?

Dr. Souto: Por que não come só fibra? Vai comer um brócolis! Você conhece bem aí no Canadá… Uma famosa de margarina chamada “I can’t believe it’s not butter”… O nome da marca de margarina é “Eu não acredito que não é manteiga!” Agora eles trocaram o nome, nesse mesmo período de algumas semanas. Agora é: “Eu não acredito que seja tão gostoso!” Eles tiraram isso de que não é manteiga. Antes, dizer que não é manteiga, era um motivo para as pessoas comprarem. Agora é um motivo para as pessoas não comprarem. A gente dá um passo para frente, um passo para trás… Mas aos poucos a coisa avança. O fato é que os consumidores não querem mais saber e querem manteiga. Os consumidores estão ficando mais espertos. A indústria está tentando fazer o que pode para dar a volta nisso.

Rodrigo Polesso: Essa é a prova de que a indústria segue demanda! Esse é o comportado estereotípico da indústria porque a mídia está divulgando o que as pessoas estão procurando, então a indústria segue. Ainda existe um pouco o resquício da onda do chá verde e do goji berry. Era difícil achar um produto que não tivesse chá verde adicionado – nem que a cor não fosse verde! Era uma onda e adicionaram chá verde em tudo, porque era isso que estavam procurando. Se formos ver as origens da margarina… O Crisco, no passado, era feito como um óleo para motores. Não era nem alimento na época em que foi idealizado. É uma coisa bizarra. É demonização da manteiga. Agora você pode comprar a margarina com manteiga… Que coisa absurda! Depois vamos falar sobre essa revisão que o governo está fazendo sobre as diretrizes alimentares. O terceiro assunto é o tempo de adaptação para um dieta low carb. Isso é muito importante e bastante legal de se saber. A Nutrition Coalition, que a Nina Teicholz faz parte, postou um artigo bem legal que você encontra nas referências do EmagrecerDeVez.com. O governo olhou para esses dados que acabamos de falar. A obesidade está aumentando ano a ano. O governo viu que o pessoal está seguindo as diretrizes alimentares… Estão parando de comer o que falamos para parar de comer e aumentaram o consumo do que falamos para aumentar o consumo. Só que a obesidade está aumentando, a diabetes está aumentando, e está quebrando o caixa do banco de saúde dos Estados Unidos há muito tempo. Então, o governo falou, “USDA, vamos fazer um revisão disso?” Então, frustrado com esse aumento alarmante de diabetes e obesidade, o congresso americano em 2015 pediu uma revisão independente das diretrizes alimentares oficiais americanas e isso nunca aconteceu antes. Essa revisão está sendo controlada pela Academia Nacional de Medicina nos Estados Unidos. É uma ótima iniciativa e louvável, porém não está indo na direção que deveria ir. A começar pelo seguinte: na primeira reunião do comitê da revisão, a diretora executiva do Centro de Políticas Nutricionais do USDA, Angela Tagtow disse o seguinte para o pessoal se situar: “Esse estudo fala do processo para se desenvolver as diretrizes alimentares. Essa revisão não irá avaliar o conteúdo ou as bases científicas das diretrizes correntes ou passadas. O papel deste comitê é avaliar como de fato aplicar de forma efetiva as diretrizes, não desenvolver novas diretrizes.” Olha que absurdo! Ela está pensando em como fazer o pessoal seguir as diretrizes de forma efetiva e não enxerga o gorila no meio da sala… O pessoal está seguindo as benditas diretrizes!

Dr. Souto: É cada 5 anos. Se havia uma perspectiva de conseguir mudar alguma coisa, agora vai ficar para 2020.

Rodrigo Polesso: É uma mulher de reputação grande no USDA. Ela chega na mesa do comitê e fala um negócio desse… Ela vai inibir a opinião do pessoal contrário. O painel do comitê, para piorar, é formado quase inteiramente por pessoas relacionadas ao governo de uma forma ou de outra. A maior parte dos depoimentos vem de cientistas que já são idosos… São os dinossauros de uma geração que tem estado no poder enquanto as taxas de obesidade e doenças vêm explodindo. O processo de revisão que dura 18 meses já está num terço do processo. Até agora, acredite se puder, não foi ouvida nenhuma opinião de alguém que conteste o consenso que o USDA tem de uma dieta saudável. Não teve discussão alguma sobre o enorme corpo de evidências que os novos cientistas estão mostrando a respeito dos benefícios de uma dieta mais baixa em carboidratos. A diretora médica da Clínica de Obesidade da Universidade Indiana, Sarah Halberg, teve uma conclusão interessante sobre o caminho que essa revisão está seguindo: “Essa revisão tendenciosa e desequilibrada nos dá novos motivos para sermos céticos. Isso é um desperdício de 1 milhão de dólares que vem do dinheiro do contribuinte americano e uma trágica perda de oportunidade para se progredir no caminho da reversão de doenças crônicas nos Estados Unidos.” Basicamente, o governo viu que está tudo indo ladeira abaixo, chamou o USDA e falou que essas diretrizes alimentares parecem não estar funcionando, segundo os resultados. Eles queriam fazer uma revisão independente disso. Chegando na hora de fazer a revisão, eles montam um comitê totalmente tendencioso que está mais afim de postergar a mesma filosofia do que de a reformular. Então, uma coisa que seria inicialmente boa, acaba indo ladeira abaixo. Você mencionou no ano passado, sem saber que estava indo para esse caminho, que era uma coisa boa que estava começando.

Dr. Souto: Na época deu esperança. Na época eu publiquei uma postagem. Em 1973 o Dr. Atkins foi chamado para testemunhar perante o congresso americano para se explicar. Eu escrevi: “O Senador Charles Percy, do estado do Illinois, disparou, dedo em riste: ‘a dieta Atkins é bobagem!’, ‘seu autor deveria ser acusado de erro médico!’”. O Dr. Atkins respondeu o seguinte: “É incrível que nos EUA, no século 20, um médico consciencioso acabe por colocar na reta a sua reputação, duramente construída, apenas por ousar sugerir que uma vítima de obesidade possa obter algum alívio ao cortar açúcares e amido.” Eu comentei assim… Finalmente, agora, quem está se explicando no congresso, não é mais o Dr. Atkins e sim os responsáveis: o secretário da agricultura e o secretário da saúde dos Estados Unidos. Teve um artigo na New Yorker que está traduzido aqui. A Nina Teicholz, nossa ídola, publicou no British Medical Journal uma análise criticando o relatório científico das diretrizes de 2015. Essa crítica foi tão forte que o congresso chamou os responsáveis (secretário da saúde e secretário da agricultura) para se explicarem. De acordo com a Nina, o comitê falhou em considerar adequadamente duas descobertas recentes na ciência da nutrição: primeiro, que comer uma dieta low-carb pode ajudar a controlar certas condições de saúde, notavelmente diabetes tipo 2 e obesidade, e segundo, que gorduras saturadas podem não ser tão catastroficamente insalubres como se supunha antigamente. O resultado disso que eu postei em 17 de outubro de 2015 foi isso que o Rodrigo leu para vocês. Foi instalada uma comissão para fazer pela primeira vez uma dissecção crítica dessas diretrizes. Até então eram alguns notáveis, pessoas com poder dentro do establishment, que são escolhidos para determinar as diretrizes. Não existe um processo de revisão pelos pares (peer review). Quando vamos publicar um artigo científico… Se eu for publicar um artigo científico sobre alguma doença nos olhos, isso vai para uma revista de oftalmologia e outros oftalmologistas vão jugar se aquele artigo tem fundamento científico para que aquilo seja publicado. Não existe esse processo de peer review no processo de diretrizes alimentares nutricionais. O que estava se propondo era isso. Mas, agora, na realidade, esse processo de revisão que nós tínhamos tanta esperança, está sendo deturpado, burocratizado… E já estão dizendo que vão discutir o processo e não o conteúdo. O resumo da ópera é que não é fácil, pessoal.

Rodrigo Polesso: Espero que com essa movimentação que o governo dê atenção a esse tipo de coisa. Vamos ver se não vão desperdiçar esse um milhão de dólares que estão direcionando para essa causa.

Dr. Souto: Basicamente, não estamos querendo que as diretrizes dizem que toda a população deva comer low carb. Aliás, nem eu penso isso. Mas as diretrizes têm que comtemplar essa alternativa como uma das alternativas saudáveis, especialmente para pessoas obesas e diabéticas. Isso tem que constar. A quantidade de evidência é tão grande que não ter isso no documento é sim motivo para chamar as pessoas no congresso para depor e se explicar. Como tem tanta evidência e isso está simplesmente ausente das diretrizes como se não existisse? Quem olha esse documento de 2015 imagina que não existe um ensaio clínico randomizado mostrando que low carb é superior às outras estratégias em perda de peso, síndrome metabólica e diabetes. Os estudos estão aí e são diversos. Chega num momento que começa a se tornar constrangedor excluir isso do documento. Já que o executivo americano não se mexe nesse sentido, havia esperança de que o congresso obrigasse o pessoal a rever isso. Mas não será tão simples.

Rodrigo Polesso: O mínimo que deveria acontecer é que as diretrizes nutricionais que são espalhadas para a população inteira dos Estados unidos fossem pelo menos baseadas em evidências científicas. É até difícil de acreditar que não é embasado nisso. Você comentou sobre o Dr. Atkins antes de começar o episódio. Durante o evento, eu fui jantar com algumas pessoas. Uma das pessoas é uma enfermeira chamada Jacqueline Eberstein, que trabalhou com o Dr. Atkins nos últimos 30 anos da vida dele. Ela contou como ela começou a trabalhar com ele. Segundo ela, ela era uma enfermeira e estava desempregada. Ela não queria mais trabalhar na área de saúde, mas alguém disse que havia uma vaga com o Dr. Atkins. Ela foi lá meio sem vontade de trabalhar. Ela sentou na frente do Dr. Atkins. O Dr. Atkins perguntou, “O que você acha de mim?” Ela falou, “Dr. Atkins, eu acho que você é um falcatrua.” O Dr. Atkins apoiou na mesa, veio bem perto dela e falou assim, “Você pode começar na segunda-feira?” Ela aceitou começar a trabalhar, totalmente cética. Ela perguntou porque ele a chamou para trabalhar se ela havia o chamado de falcatrua. Ele falou, “Se eu te contratasse e conseguisse converter a sua opinião, eu tenho certeza de que conseguiria converter a opinião de muitas outras pessoas.” Ela começou cética, mas começou a acreditar nos métodos do Dr. Atkins vendo os resultados na clínica dele. Ela ficou com ele por 30 anos até que ele infelizmente veio a falecer subitamente. Segundo ela, foi um dos piores dias da vida dela quando o Dr. Atkins faleceu. Ele escorregou no gelo em Nova York, bateu a cabeça e acabou de complicando e falecendo. Ele passou por perrengues bem difíceis na vida dele.

Dr. Souto: Ele é um sujeito à frente do seu tempo. Hoje é mais fácil. Hoje tem toda uma quantidade de evidências. Hoje é constrangedor a pessoa negar essas evidências, mas na época o cara tinha que ser peitudo.

Rodrigo Polesso: Pioneiro mesmo. Antes de partir para o próximo assunto, que é adaptação e low carb, vamos da ruma pausa para falar o que comemos no almoço. Vou começar com o que eu comi para você lembrar o que você comeu. Estou no hotel, então vou no mercado e compro alguns alimentos para mim. O que eu comi ontem na janta foi um salmão defumado. Ele já vem cortado, é fácil de comer. Comi com chucrute (sauerkraut). Quando eu fui ao Brasil, estava tentando achar para comprar sauerkraut. Você encontra mais chucrute nas prateleiras no centro do mercado do que no refrigerador. O chucrute que você encontra que não está refrigerado não é um chucrute com bactérias vivas (probiótico). Ele é provavelmente cultivado no vinagre. Se você quer o fermentado, probiótico, tem que estar refrigerado. Encontrei também um pote de broto de brócolis, que é algo extremamente nutritivo. Um avocado e alguns pistaches como “sobremesa”. Foi uma refeição bastante nutritiva. Dr. Souto?

Dr. Souto: Hoje eu almocei no hospital. O hospital no qual eu trabalho aqui em Porto Alegre tem um belo restaurante. Eu almocei uma salada com ovos de codorna. Vários vegetais diferentes. Fatias de queijo. Repeti a salada porque estava muito boa. Depois servi duas fatias de picanha feitas na grelha. Depois uma batata recheada com um negócio de cenoura… Uma coisa muito gostosa. Comi bem hoje.

Rodrigo Polesso: Nada mal. Vamos partir para o terceiro assunto de hoje que eu acho que muita gente tem interesse. É um artigo recentemente publicado pelo famoso David Ludwig de Harvard – esse médico que gostamos bastante por causa de sua opinião bastante enfática que mudou bastante ao longo do tempo. Ele está cada vez mais presente no mundo da nutrição do lado claro da força. Vou sumarizar o artigo dele para começarmos a discutir: “Quanto tempo demora par ao corpo se adaptar à uma dieta baixa em carboidrato? Muitos críticos acabam apontando alguns estudos que duram apenas alguns dias como evidência de que uma dieta baixa em carboidrato causa um malefício para o metabolismo. Mas esses estudos têm uma falha fatal relaciona ao tempo de avaliação. A conclusão é que a adaptação do corpo à uma dieta de baixo carboidrato pode levar no mínimo três semanas. Durante esse tempo talvez você não se sinta tão energético como você se sentirá depois disso. E se alguém te falar que uma dieta baixa em carboidrato não funciona com base em estudos que duram menos que três semanas, você pode dizer para essas pessoas que você vai esperar pesquisas com maior qualidade e maior prazo.” Essa é a conclusão do Dr. Ludwig sobre esse assunto. Acho que a mensagem importante para as pessoas que estão começando esse estilo de vida… Se você começou o Código Emagrecer de Vez, a primeira fase é bastante baixa em carboidratos e dura 4 semanas. Ela dura 4 semanas por um motivo: você passar por esse processo de adaptação. Lá dentro eu aviso e aqui vou avisar também dependendo da alimentação e estilo de vida que você vem seguindo, se você corrigir essa alimentação dessa forma, no começo é óbvio que você passará por um período de adaptação. Muita gente acaba não se sentido totalmente energética no começo porque seu corpo tem que se reprogramar metabolicamente e hormonalmente para começar a aproveitar a energia que tem. É bom você saber o que vai enfrentar depois da primeira mudança para quando você passar por esses obstáculos você saber que eles são somente temporários. Tudo vai melhorar depois desse processo que varia de pessoa para pessoa. Tem pessoa que se adapta mais rapidamente, tem pessoas que demoram mais. Tudo depende da pessoa e dos hábitos que a pessoa vem levando até então.

Dr. Souto: Isso é uma coisa também conhecida há muito tempo. Estávamos falando sobre o Dr. Atkins agora e existe uma expressão em inglês chamada “Atkins Flu” (a Gripe Atkins). Mas não tem nada a ver com gripo. É um mal-estar, um cansaço, dor de cabeça que a pessoa pode sentir no início de uma dieta low carb, porque o corpo ainda está se adaptando. Uma coisa que ajuda é consumir um pouco mais de sal nesse início porque o corpo perde muito sal na urina – esse pode ser um dos motivos de queda de pressão e dessas sensações. Já se sabe que os primeiros dias da adaptação não são os ideais. Na realidade, esse artigo do David Ludwig está num contexto de uma ida e volta, de troca de artigos, de respostas e contra-respostas. De um lado o Dr. Kevin Hall e o Dr. Stephan Guyenet. De outro lado o Ludwig e o Taubes. Um grupo está tentando dizer que a insulina não é tão importante, que restrição de carboidratos não é determinante. Já o Ludwig defende a ideia de que a restrição de carboidratos é sim importante e de que a insulina cumpre um papel. Essa discussão é interessante para nós que gostamos disso aí. A gente se delicia lendo essas respostas, réplicas e tréplicas. Mas para você que está nos ouvindo e quer adotar essa estratégia, é uma discussão meio bizantina. Muitos dos estudos mantêm as calorias rigorosamente iguais. Os estudos do Kevin Hall são assim. Ele pega algumas pessoas e as mantêm numa dieta com um número de calorias. Aí ele pega outras pessoas e as mantêm numa dieta com exatamente o mesmo número de calorias e varia quantidade de carboidrato, gordura… Se a gente mantém as calorias completamente iguais, o Ludwig mostra nesse artigo que, mesmo assim, o grupo que faz low carb perde um pouco mais de gordura. Mas é uma diferença pequena, não é grande. Aqui nós podemos usar o mesmo argumento que os nutricionistas sempre usaram. Eles dizem que se você reduzir em 20 calorias por dia o seu consumo, você perderá não sei quantos quilos em não sei quantos anos. Ou se você consumir 20 calorias a mais por dia vai ganhar não sei quantos quilos em não sei quantos anos. Mesmo que a restrição de carboidratos produza uma pequena diferença em termos de gasto calórico no organismo, isso significaria uma perda de peso significativa no decorrer dos anos. Então, embora a diferença seja pequena, ela pode não ser insignificante no decorrer dos anos. O motivo pelo qual eu digo que essa discussão é bizantina é porque no mundo real as pessoas não fazem um controle absoluto para que as calorias sejam idênticas. Uma dieta low carb diminui o apetite. A pessoa come menos. Então, não faz sentido algum. Eu acho que comentei em outro podcast, mas vou usar novamente a comparação aqui. É a mesma coisa de ter uma Ferrari e um Fusca para fazer uma corrida entre os dois… Mas eu determino uma regra: não pode passar de 40 quilômetros por hora. Aí os dois chegam empatados e eu digo que isso prova que o Fusca e a Ferrari são iguais. É eu pegar uma dieta que inibe o apetite – a dieta low carb – e comparar com uma dieta que faz as pessoas terem mais fome – a dieta low fat – mas eu digo que a regra é que todos comerão as calorias exatamente iguais e chego à conclusão de que as dietas são parecidas. Não, eu estou fazendo regras ridículas! Estou estabelecendo de antemão que as pessoas serão obrigadas a comer a mesma quantidade de calorias – embora o cara da low carb nem esteja com fome, mas terá que comer mais ou embora o cara da low fat esteja com fome e se seja obrigado a comer menos. Aí eu consigo mostrar que duas coisas tão diferentes como o Fusca e a Ferrari são iguais, desde que eu torne as regras ridículas.

Rodrigo Polesso: Felizmente, existem estudos que mostram, comparando os dois, com uma dieta não restritiva em calorias a questão do low carb, por exemplo.

Dr. Souto: Aí é como realmente comparar a Ferrari com o Fusca.

Rodrigo Polesso: Seria justo.

Dr. Souto: Aí o justo. Aí chegaremos à conclusão de que eles não são iguais.

Rodrigo Polesso: Então é basicamente isso. Esse é o alerta para você não tirar conclusões antes do tempo. Deixe que seu corpo se adapte um pouco e comece a aprender a desbloquear o acesso à gordura, a utilizar a gordura. Se tiver que fabricar corpos cetônicos que consiga fabricar e consiga metabolizar tudo isso de forma legal. Demora um tempo até você fazer isso de forma otimizada digamos assim. As referências estão lá no artigo. Eu a acho que é basicamente isso hoje. É um episódio recheado. Espero que tenha sido útil para todo mundo. Se você quiser fazer parte da Tribo Forte, é só você entrar em TriboForte.com.br. Você pode fazer parte desse portal privilegiado e tem acesso ao fórum também. Tenha acesso a centenas de receitas que eu tenho confiança que te ajudarão no seu estilo de vida. É isso aí por hoje. Um abraço para todo mundo. Obrigado, Dr. Souto. A gente se vê na próxima semana.

Dr. Souto: Beleza, um abraço. Obrigado a todos.

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  • Stuart

    Rodrigo, não precisa se “preocupar”, pois já temos aqui no Brasil também:
    https://www.youtube.com/watch?v=Msahc4OAuMY

  • Nicinha Farias

    Sobre a adaptação, para mim foi muito fácil e não senti tanto o efeito de mudar radicalmente minha alimentação cortando os carboidratos.
    No início senti falta de alguns elementos, mas pesquisando receitas consegui substituir com um alto ganho de qualidade nutricional e de sabores. Estou amando a alimentação Low Carb e tenho espalhado este estilo de vida entre a família, amigos e amigos de amigos. É uma “Boa Nova” que veio para ficar e ser disseminada intensamente, apesar dos contras.

  • AR Terra

    Olá
    Sou o Alex, tenho 45 anos e sou médico psiquiatra, morador de Gramado/RS
    Em primeiro lugar, quero agradecer imensamente pelo conteúdo do podcasts, do Blog e do Tribo Forte. Creio que consegui equacionar uma dificuldade que venho tentando resolver a uma década, que é chegar novamente no meu IMC ideal. Desde que tenho me alimentado utilizando a orientação Low Carb, iniciado na primeira semana de janeiro, já perdi aproximadamente 10kgs (talvez mais, não me pesei na última semana…). Sem passar fome, comendo com prazer e tendo uma sensação de liberdade intraduzível…
    Tenho uma experiência razoável com dependência química e sempre que escuto o pessoal dos fóruns falar sobre os desconfortos no início da dieta low-carb, não consigo evitar de enxergar esse fenômeno pela ótica da minha experiência. Normalmente, salvo engano, o entendimento sobre esses sintomas e desconfortos recaem em explicações mais fisiológicas, relacionadas à desequilíbrios hidroeletrolíticos. Poucas vezes escuto um olhar voltado para o fenômeno da adicção. Enfim, essa é a minha hipótese: que os sintomas de desconforto são, em grande parte, sintomas de abstinência/ privação de carbohidratos. Porque tenho essa hipótese? Porque são muito semelhantes aos sintomas que escuto na minha prática médica com dependentes químicos. Ocorrem logo após a suspensão do uso, trazem mal estar físico, como cansaço, dores corporais, disposição afetiva negativa, como falta de energia, irritabilidade, etc… . Vai melhorando como tempo, conforme o indivíduo não se expõe mais ao “teto” que o carbo de alto índice glicêmico proporciona. Inclusive são semelhantes ao sintomas de abstinência característicos de substâncias estimulantes, que tipicamente são os efeitos inversos da droga (estimulantes produzem, nos sintomas de privação, depressão, lentidão). Além disso, a sensação de aprisionamento, de urgência para comer, que os carbohidratos induzem é muito semelhante ao das drogas de abuso. Isso fica muito evidente quando se para de usar e se sente aquela sensação de liberdade que referi lá no início. Será que vivemos em uma sociedade de viciados?

    Enfim, gostaria de uma opinião do Dr. Souto sobre essa minha hipótese, se acha que tem alguma lógica ou se é viagem de psiquiatra mesmo… Alguma dica de leitura que nos esclareça ou aprofunde mais sobre isso?
    Um abraço a todos!
    Alex Terra

    • Obrigado pelo comentario Alex. Na minha opinião isso faz todo sentido, até porque carbs (farinhas e açúcares no geral) estimulam os receptores opioides do cérebro de forma significativa, o que como você deve saber muito bem está associado a qualquer tipo de vício. Logo, acho que é possível extrapolar e realmente dizer que muita gente acaba se viciando nestes alimentos e sofrendo a abstinencia deles quando decide mudar.

      • AR Terra

        Fico feliz que também sentes que faz sentido. Mas, tentando evitar os nossos vieses confirmatórios e explorando um pouco a tua proximidade com o meio acadêmico e científico, tens para indicar algum artigo ou capítulo de livro ( ou livro inteiro!!) que aborde, de forma científica e não apenas inferencial, essa questão por esse entendimento? Ou sabe da experiência de alguém, utilizando as estratégias para o tratamento de adicções aplicadas ao “usuário de carbohidratos de absorçao rápida”? Confesso que dei uma procurada e não achei nenhuma referência. No entanto, como tenho um tempo restrito para me dedicar a isto, não pude detalhar mais a minha busca….

  • Diogo Olliver

    Olá Rodrigo, sou um grande ouvinte do Podcast Tribo Forte e seguidor do estilo de vida lowcarb/paleo, assim como ouvidor de podcasts de forma geral. Acabei de ouvir o podcast 177 do Scicast, o qual eles nomearam o podcast oficial e definitivo sobre nutrição, podcast esse que trás uma série de baboseiras sobre saúde e nutrição, e que irá confundir a cabeça de muitas pessoas leigas, já que o Scicast é um podcast respeitado e de confiança. Seria interessante se você e o doutor Souto ouvissem esse programa e dessem um parecer sobre as baboseiras ali pregadas por uma nutricionista claramente desatualizada. Confesso que fiquei assustado com as afirmações ali feitas por ela, coisas como: na dieta paleo comemos mais proteína que o normal; a falta de carboidrato trás fadiga, estresse; a alimentação paleo é mais uma modinha trazida como uma salvação enganosa para as pessoas obesas; o nosso ancestral paleolítico tinha expectativa de vida de 33 anos (dando a entender que o motivo disso era a alimentação paleo). Desde já agradeço.
    Diogo Olliver de Montes Claros-MG

    • AR Terra

      Bah, escutei esse podcast sobre nutrição, até fiz algumas colocações no site… Nauseante…. . Uma pena, destoou da qualidade em geral do Scicast… Adoraria ouvir a opinião do Rodrigo e do Dr. Souto sobre esse programa!

    • Sério? Lamentante… eu realmente tento evitar de ver/ouvir coisas que eu sei que sao obviamente ruins e focar o tempo que eu gastaria fazendo isso estudando artigos novos, escutando verdadeiras referencias mundiais nos assuntos, etc. Preciso esta a frente do conhecimento, porque com o tempo, as mentiras vao caindo, a populacao vai vendo a luz e a verdade vai tomar conta. Pessoas como você ajudam a catalizar este processo 🙂

  • Michelle E Paulo

    Olá, Rodrigo / Dr. Souto… Meu nome é Michelle e tenho problemas sérios no estômago (pangastrite, hérnia de hiato, esôfago de Barret) em decorrência de anos de refluxo. A dieta low carb pode ser considerada ideal pra mim mesmo tendo estes problemas? Sei que a gordura não é mais a vilã da história, mas para pessoas saudáveis… e no meu caso, o que acontece? Porque a primeira indicação é cortar as gorduras para este quadro não evoluir… Se puderem me “dar uma luz” eu agradeço muito, pois quero evitar a qualquer custo a piora do meu quadro… Obrigada!

  • lealcina

    sempre magnifico . Parabéns pelo episodio.. tenho uma duvida. se eu comer sem está com fome isso prejudica meu emagrecimento.?. As vezes almoço sem estar com muita fome, mas para acompanhar o marido… obrigada

  • Lissandra Bischoff
  • Thiago Capeletti

    Boa noite Rodrigo, Doutor Souto tudo bem, meu nome é Thiago, tenho 38 anos e tenho perdido peso por comer comida de verdade.
    Tenho
    me atentado à ingestão de gorduras saudáveis, proteína e uma fração
    muito pequena de carboidratos (cortei farináceos, tirei o açúcar) e me
    alimentando melhor, me senti mais disposto.
    Porém comecei a perder peso!
    Nunca tive sobrepeso, sempre estive 5kg abaixo do peso tido como ideal.
    Após
    o casamento eu me estabilizei no 75 kg mais me sentia com uma
    gordurinha abdominal e após 8 meses de alimentação equilibrada,
    caminhada leve pela manhã, eu comecei a perder peso, saindo dos 75 kg
    para 66 kg. A relação massa magra x massa gorda está equilibrada, mas me
    sinto magro!

    O que fazer se eu não quero perder peso, apenas me sentir bem, me alimentando de maneira adequada.

    Abraço​ Thiago Capeletti