TRIBO FORTE #074 – QUAL A MELHOR DIETA? JEJUM É BOM? GORDURAS? COLESTEROL?

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No Episódio De Hoje:

Neste podcast especial de perguntas e respostas respondemos algumas das perguntas mais comuns que ouvimos sobre emagrecimento, alimentação e saúde no geral.

  • Qual a melhor dieta para emagrecer?
  • Jejum intermitente? É saudável? Causa gastrite? Como fazer?
  • Gorduras são boas mesmo? Quais? Quanto?
  • E o colesterol?

Passe adiante! As pessoas precisam se libertar das balelas e ganhar uma nova liberdade de poder viver um estilo de vida alimentar verdadeiramente saudável e sensacional!

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Referências

 

 

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Bom é isso aí, vamos lá. Vamos começar forte esse podcast, esse episódio especial de hoje com uma frase que vi na internet hoje de manhã cedo. A frase diz o seguinte. “Eu tento evitar coisas que me engordam, como balanças, espelhos e fotografias.” Nada a ver com comida. Bem-vindo ao episódio número 74 do podcast oficial da Tribo Forte. Eu sou o Rodrigo Polesso e este vai ser um episódio diferente e especial também. Esse é um episódio basicamente de perguntas e respostas, onde nós vamos responder 12 perguntas muito comuns sobre emagrecimento e saúde, que tenho certeza que estão na cabeça de muita gente. A gente recebe variações dessas perguntas, muito seguido. Espero que seja uma espécie de referência para o pessoal poder ganhar um pouco de clareza com as respostas… Com nosso take. Essas perguntas tão comuns de hoje em dia… Sobre alimentação, estilo de vida saudável, emagrecimento também. Estou aqui com o Dr. Souto, claro. Dr. Souto, tudo bem com você por hoje?

Dr. Souto: Tudo, tudo bem. Boa tarde. Boa tarde aos ouvintes.

Rodrigo Polesso: Boa tarde a todo mundo. Antes da gente começar com a primeira das 12 perguntas, vou fazer minha propaganda da Tribo Forte. Se você não é membro da Tribo Forte, eu sugiro que você se torne um membro assinante da Tribo Forte. Você tem acesso a tudo o que você precisa para montar e também manter um estilo de vida saudável e incrível, tanto para emagrecimento, quanto para saúde de ferro, imunidade, energia… Enfim, se sentir bem. Tem centenas de receitas lá dentro. São adicionadas todos os dias. Documentários, palestras, fórum, muita coisa para você ver em detalhes acessando TriboForte.com.br. Junte-se ao time. Junte-se à família. Entre e torne-se um membro da TriboForte.com.br. Maravilha. Como eu falei as perguntas de hoje são bem básicas, abrangentes e gerais. Estão na cabeça de muita gente por aí. Vamos dar o nosso take de resposta. Como você pode imaginar, a gente não vai discutir duendes, fadas e coisas mágicas aqui. A gente vai tentar trazer a nossa resposta de acordo com o que a evidência científica aponta, como sempre. A Tribo Forte é baseada em evidências, apesar das perguntas serem gerais e bastante abrangentes. A primeira das 12 perguntas é a seguinte. Qual é a melhor dieta para emagrecer? Dr. Souto, vou chuta a bola para seu campo.

Dr. Souto: Eu sou suspeito para responder. Acho que a maioria das pessoas conhece a minha opinião. Vamos tentar responder assim… A resposta curta é a seguinte: Eu acho que a melhor dieta para emagrecer é uma dieta low carb. É uma dieta restrita em carboidratos. Mas ela não é a única a alternativa para perder peso. Vamos começar com o mais óbvio. Se a pessoa não comer ela vai emagrecer. Então, realmente, a pessoa pode fazer um jejum prolongado e vai emagrecer. Só que a pessoa não pode ficar em jejum para sempre. Aquele negócio que sempre se fala. Por exemplo… Por que deixar de fumar deveria ser mais fácil do que fazer um estilo de vida alimentar permanente? Porque a pessoa não é obrigada a botar um cigarro na boca, mas a pessoa é obrigada a comer em algum momento. Embora simplesmente não comer emagreça, não é uma estratégia sustentável no longo prazo. Eu estenderia esse raciocínio para dietas restritivas em calorias. A famosa dieta hipocalórica intencional. Aquela na qual a gente calcula que a vai ter um déficit calórico. Essa é uma coisa que gera fome.

Rodrigo Polesso: Com certeza.

Dr. Souto: Daqui a pouco a pessoa só pensa em comida. A única coisa que consegue pensar é na próxima refeição. E isso não é sustentável. Então, qual é a grande vantagem da abordagem low carb? É que a pessoa sente menos fome. A pessoa até come menos. Ela come menos não porque ela está sendo obrigada a comer menos, e sim porque é uma dieta mais saciante.

Rodrigo Polesso: Espontaneamente.

Dr. Souto: Espontaneamente saciante. As calorias até se reduzem, mas se reduzem como consequência do corpo estar saciado com uma dieta nutricionalmente completa e que faz com que através da insulina baixa, a pessoa queime a sua própria gordura como fonte de energia. Então, uma dieta restrita em carboidratos, como é o caso da alimentação forte, como é o caso de uma alimentação low carb, como é o caso das versões low carb das dietas paleo… Seriam as melhores opções.

Rodrigo Polesso: A gente falou em ciência e tudo mais… Mas tem ciência defendendo essa opinião de que dieta low carb é melhor para perda de peso do que as outras?

Dr. Souto: A gente pode linkar depois nesse episódio aquele infográfico da ONG britânica que compilou todos os ensaios clínicos randomizados que tem comparando as abordagens low carb versus low fat. Low fat nunca é melhor. Low carb é melhor em praticamente todos os estudos. E naqueles estudos em que low carb é igual a low fat, é só porque os estudos foram desenhados de uma forma a fazer com que isso acontecesse. Ou seja, os pacientes foram obrigados a comer exatamente o mesmo número de calorias. Isso não é o mundo real. No mundo real, numa dieta low carb, as pessoas acabam sentindo menos fome e comem menos. Então, seria como se eu pegasse 10 voluntários, e dividisse em 2 grupos de 5. Para um grupo eu desse um remédio inibidor de apetite. Desses inibidores de apetite que existem aí. Para outro grupo, eu desse placebo (uma pílula que não tem nada). Mas só tem um detalhe. Eu vou obrigar todo mundo a comer a mesma quantidade, da mesma comida. Aí todo mundo terá a mesma evolução de peso. Aí vou concluir que o inibidor de apetite não inibiu o apetite. Não, porque eu não deixei ele inibir o apetite. Eu obriguei todo mundo a comer a mesma coisa. Não caiam nesses estudos que mostram… “Nós comparamos a dieta A com a dieta B. Mas as calorias foram mantidas constantes e não houve diferença.” Essa é uma forma artificial de fazer o estudo.

Rodrigo Polesso: Sim. Você mencionou dietas que restringem calorias. Ou seja, esse pessoal comendo 1200 calorias por dia. É basicamente a recomendação padrão que, infelizmente, muitos profissionais dão para as pessoas. Muita gente está acostumada a pesar alimentos, contar pontos ou contar calorias. Eu costumo falar que esse tipo de dieta é benéfica, proveitosa e funciona em uma só situação. Na situação em que sua alimentação é baseada em substâncias comestíveis. Ou seja, se a sua alimentação é baseada em alimentos que promovem o ganho de peso e não promovem sua nutrição, quanto menos você comer deles, melhor. Então, se você controlar sua alimentação e comer menos porcarias do que mais, eu acho muito benéfico. Mas é claro que é muito pior do que qualquer alternativa de low carb. Só que controlar as calorias só é necessário quando sua alimentação é de péssima qualidade. Quanto menos daquilo que você comer, melhor. Tende a ser melhor nesse caso. Mas a gente não acredita em controle quantitativo. A gente vive falando de controle qualitativo da alimentação, que é o caso do low carb, também.

Dr. Souto: É. Mesmo para aquelas pessoas que tem um metabolismo muito complicado e realmente têm mais dificuldade em perder peso… Se essas pessoas precisarem contar um pouco as calorias, diminuir as calorias… É muito mais fácil fazer isso com comida de verdade e restringindo os carboidratos do que tentar contar calorias comendo porcaria.

Rodrigo Polesso: Sim. Sem dúvida. Eu gosto de tentar dar uma perspectiva diferente para as respostas das pessoas. As pessoas precisam entender, na minha opinião, que o peso é uma consequência de algo mais sério que está errado. Não é um fim em si próprio. Então, se você tenta perder peso a qualquer custo… Fazendo lipo, por exemplo… Qualquer dieta que você conseguir parar de comer, tomar só suco… Isso pode intensificar o problema raiz e dificultar muito mais a sua vida. É como tentar encher um balão de ar que está furado. Você pode soprar mais forte. Você pode comprar um compressor de ar para tentar encher aquele balão. Você pode até enchê-lo temporariamente. Mas o furo ainda estará naquele balão, vazando ar. Dependendo da pressão do ar que você colocar, esse furo pode aumentar ainda mais, à medida que você sopra mais forte ou uma o compressor… Fazendo com que seja muito mais difícil você encher o bendito balão. Porque não olhar para o balão e dizer, “Pô, está furado. Porque a gente não foca em tampar aquele furo?” Quando eu falo do problema raiz… A obesidade é meio que uma consequência, não é causa do problema. A resistência à insulina deve estar por baixo de tudo isso. O pré-diabetes deve estar por baixo de tudo isso. Várias consequências… Síndrome metabólica… Por isso a gente tenta focar na qualidade do que você se alimenta, para tentar desintoxicar o corpo (no bom sentido), retomar o funcionamento metabólico e hormonal… Para permitir que o corpo se livre daquele gordura excessiva. Então, é entender que o peso não é o fim. Por isso que o pessoal que faz lipo tem que fazer a vida inteira se quiser manter aquele peso fora. Se você não mudar, não tapar o buraco do balão, não curar a causa do problema, isso só vai se perpetuar.

Dr. Souto: Perfeito. Tem que ser sustentável no longo prazo. Eu sempre pergunto para as pessoas: você se imagina fazendo esse mesmo estilo alimentar daqui um ano? Se a pessoa disser “sim”, está bem encaminhada. Se a pessoa imaginar… “Vou fazer algo nos próximos 45 dias para poder perder X quilos e de pois voltar…” Obviamente, ela vai perder o benefício. É aquilo que a gente sempre fala. “Vou fazer uma atividade física porque quero ganhar fôlego e condicionamento físico.” Quando a pessoa finalmente estiver com condicionamento físico e deixar de fazer atividade, ela perderá o condicionamento físico. A mesma coisa vale para estilo alimentares. Enquanto a pessoa adotar, ela terá o benefício. Portanto, o correto é pensar em adotar sempre.

Rodrigo Polesso: Por isso a gente fala tanto em estilo de vida. A gente fala no estilo de vida alimentar da alimentação forte. Estilo de vida low carb. A gente não fala em dieta. Dieta é inerentemente temporário. É um rótulo meio temporário. Essa semana mesmo eu estava participando da Radio Band News e na Rádio Bandeiras… Sobre dietas. A esmagadora maioria das pessoas não consegue montar um estilo de vida. Vive que nem macaco pulando de dieta em dieta. De galho em galho. Pasmem… Tem uma estatística muito interessante. Acho que já falei antes em alguns lugares. 43% das pessoas que tentam emagrecer reportam terem tentado mais de 8 vezes antes. Oito tentativas anteriores de emagrecer. 43%… Basicamente metade das pessoas. Oito tentativas. Nenhuma delas se tornou um estilo de vida. Isso é com base numa pesquisa que fiz com a audiência do Emagrecer de Vez. Com quase 3 mil pessoas que responderam essa pesquisa. É um número bastante expressivo, na minha opinião. As pessoas continuam tentando tudo… Dieta da aranha… Dieta da barata… Dieta de tudo o que dá… Para tentar perder o peso sem montar um estilo de vida e cuidar da causa do problema. A melhor dieta, na minha opinião é aquela que atinge as causas do ganho de peso. Que tapam o buraco do balão. É aquela baseada em hábitos comprovados cientificamente e que não resultam somente em perda de peso natural, mas também no fortalecimento da sua saúde, da imunidade, sensação de bem-estar e possa ser formada em um estilo de vida. Claro que não posso deixar de falar do Código Emagrecer de Vez. É um programa passo a passo. O pessoal que já escuta já sabe. É um programa passo a passo de emagrecimento que eu desenvolvi. Ele faz justamente isso. Te ajuda a montar um estilo de vida alimentar baseado na alimentação forte. Passo a passo focado em emagrecimento. Se esse é seu objetivo, sugiro que você dê uma olhada no CodigoEmagrecerDeVez.com.br. Acho que essa pergunta de qual é a melhor dieta… Eu queria dar mais pano para a manga, porque todo mundo se pergunta o tempo inteiro. A melhor dieta é a última que você faz. É aquela que você não precisa fazer outra depois. Espero que o pessoal encontre finalmente a luz e possa achar a última dieta. Essa é a nossa opinião a respeito dessa pergunta. Acho que as outras perguntas vão ir um pouco mais rápido agora, porque são menos gerais talvez. Vamos ver o que acontece. A próxima pergunta é: “Qual é a diferença entre dieta paleo, dieta low carb high fat e alimentação forte?” São rótulos grandes. Acho que rapidamente a gente pode diferenciar um pouco da paleo, low carb high fat… O Dr. Souto tinha no blog passado esses nomes… Paleo, low carb, no nome. Qual é a diferença, Dr. Souto? Para a gente colocar em contexto para o pessoal.

Dr. Souto: Rodrigo, paleo vem de paleolítico. Paleolítico é o período anterior à agricultura. A despeito da imprensa gostar de botar fotos que lembram os Flintstones… Um cara vestindo uma túnica rasgada e um tacape na mão… Paleolítico simplesmente é o período anterior à invenção da agricultura no Crescente Fértil. Cerca de 10 mil anos atrás. O princípio da dieta paleolítica é o seguinte. O ser humano… O gênero humano está aí na face da Terra há 2 milhões de anos comendo aquilo que ele é capaz de caçar e coletar. Então, teoricamente, nós estamos bem adaptados do ponto de vista genético para os alimentos que o ser humano vem comendo há todo esse tempo. A adaptação, embora vá ocorrendo, não é tão rápida quanto as mudanças culturais. O ser humano conseguiu modificar seu mundo, inventar a agricultura, selecionar espécie de plantas, criar coisas como açúcar e farinha… Num velocidade muito maior do que a nossa velocidade de nos adaptarmos geneticamente de forma completa a essas coisas. No fundo, é algo constrangedoramente simples. Do tipo… “Qual é a dieta melhor para o leão?” É aquilo que o leão come lá na savana africana. Se eu quiser que meu leão no zoológico esteja saudável, eu tenho que dar uma alimentação parecida com aquela. Olha que interessante. Isso não significa dar filé mignon para o leão. Não é isso que ele come. Significa dar carne mas também vísceras… Intestino, fígado. Porque é isso que ele come. Tem inclusive histórias desses grandes felinos ficando inférteis e adoecendo até que os tratadores se deram conta durante o século XX de que estavam dando só carne, faltavam vísceras. Eles poderiam ter deduzido isso se pensassem de acordo com a lógica da dieta paleo. Ou seja, o paleo, para o leão, é carne e vísceras. E o paleo para um urso panda? Tem que incluir bambu, porque isso é o que ele come lá na China. Só que a questão é… É fácil saber o que um urso panda come na natureza. É só ir estudar os ursos pandas na natureza. É fácil saber o que um leão come na natureza. É só estudar o leão na savana africana. A pergunta da dieta paleo é: o que o ser humano come na natureza, sabendo que há 10 mil anos o ser humano se separou muito da natureza? Então, é isso que os autores tentaram responder. Basicamente, tem várias vertentes. Mas é aquilo que pode ser colhido e caçado. Mas olha só, pessoal. Paleo não é necessariamente low carb. Frutas eram coisas que a espécie humana consumiu durante toda sua existência. Raízes idem. Coisas como batata, mandioca e etc… fazem parte de uma dieta paleo. Claro que não havendo agricultura, não havendo grãos, farináceos, não havendo açúcar, uma dieta paleo será necessariamente mais pobre em carboidratos – e com certeza mais pobre em carboidratos refinados – do que a dieta ocidental padrão. Então, sim, a paleo é muito superior a dieta ocidental padrão por esses motivos. Agora, uma dieta paleo também não contém laticínios. O ser humano durante a evolução da espécie só consumia leite materno. Depois do desmame, não consumia nenhum tipo de laticínio. Essa é a paleo. Uma dieta low carb o nome já diz. É a dieta pobre em carboidratos. Então, por exemplo, uma banana faz parte da dieta paleo, mas não vai fazer parte de uma dieta low carb, porque ele é rica em carboidratos. Então, na realidade, eu vejo da seguinte forma. Depende muito da necessidade da pessoa. Se estou falando com uma pessoa saudável, que está no seu peso correto, não tem síndrome metabólica, não é diabética… Provavelmente esse pessoa se beneficiaria muito de uma dieta paleo. Embora eu, pessoalmente não veja motivo para eliminar os laticínios da dieta. Esses foi um dos motivos pelos quais eu tirei o nome paleolítico lá do blog. No fundo, o que estou advogando é algo que lembra um pouco uma dieta paleo low carb, mas que contém também laticínios. Seria mais próximo do que o Mark Sisson define como “primal”. Seria mais perto também daquilo que o Rodrigo vai nos definir agora como alimentação forte.

Rodrigo Polesso: Acho que foi muito boa sua explicação de paleo. Foi muito legal. Infelizmente, esse rótulo acabou recebendo muitas interpretações negativas. Inclusive, o Paleo Fx – o maior evento paleo do mundo – estão pensando em fazer um rebranding, mudar a marca, por causa disso. Por causa dessas interpretações erradas que a paleo recebeu. Se tem uma coisa que a paleo tem como pilar, como fundamento… Uma coisa que nós defendemos sempre é alimentos de verdade. É uma dieta baseada em alimentos de verdade. Não necessariamente baixos em carboidrato, por isso a low carb se mostra mais adequada para pessoas que estão com problemas de peso, diabetes e etc. E também alimentação não tão embasada em ciência… Dos laticínios para pessoas que não são intolerantes. Café é uma coisa que os paleolíticos de verdade não vão tomar, porque não estava presente na era. Eu brinco… Se você não toma café nem laticínios, espero que você não use internet, energia elétrica, nem nada.

Dr. Souto: Também não vale comer chocolate amargo, porque não tinha chocolate amargo no paleolítico.

Rodrigo Polesso: Comer cacau puro.

Dr. Souto: Nem vinho tinto.

Rodrigo Polesso: Exatamente. Então, tem seus limites. A paleo tem pontos negativos de retirar algumas coisas baseando-se da filosofia do período paleolítico ignorando um pouco que nós não vivemos mais lá. A low carb high fat… A gente fala dela sempre assumindo que alimentação é alimento de verdade. Tem muita gente que faz low carb e foca no low carb somente. Ou seja, se é baixo carboidrato, é saudável. Bom, óleo de soja é baixo em carboidrato. É saudável? Não, não é saudável. Diet soda… Pepsi Light, por exemplo… É baixa em carboidrato? É. Mas não é comida de verdade, não é saudável.

Dr. Souto: Margarina é high fat, mas não é saudável.

Rodrigo Polesso: Não é saudável, exatamente. Então, muitas pessoas acabam fazendo low carb high fat só focando no low carb e esquecendo um pouco da filosofia abaixo. É por isso que eu criei essa filosofia da alimentação forte… Um estilo de vida alimentar da alimentação forte como um guarda-chuva por cima disso. A alimentação forte, o que que é? Um estilo de vida alimentar baseado em alimentos de verdade e limitado em substâncias comestíveis, farináceos, refinados e etc. Aí você pode adaptar o estilo de vida de alimentação forte de acordo com seu objetivo. Se seu objetivo é perder peso, você faz mais o estilo low carb, corte os carboidrato sum pouco. Se você quer ficar no seu peso natural, ideal, e quer manter, estar saudável, tudo mais… Você pode fazer uma alimentação forte mais paleo, incluindo carboidratos mais densos, como batatas, por exemplo… Tubérculos em geral… Cenoura, beterraba… Você pode fazer isso. Tendo sempre em mente que é um estilo de vida baseado em alimentos de verdade, nutritivos. A Tribo Forte é toda sobre alimentação forte. Inclusive, no portal todas as receitas são baseadas em alimentos de verdade, de sabores reais e nutrição real. Basicamente é essa a diferença entre esses três. Acho que temos os pontos positivos e negativos de cada uma.

Dr. Souto: É interessante as pessoas se darem conta de que às vezes, em diferentes momentos da vida, a gente pode ir alternando. Vou dar um exemplo. Atendi hoje uma pessoa que acompanha nossos podcasts, segue o blog. Começou a fazer por conta própria uma dieta low carb. ele tinha síndrome metabólica, tinha triglicerídeos altos, tinha HDL baixo, tinha glicose limítrofe, estava com excesso de peso, tudo isso. Ele perdeu 20 quilos e chegou aqui com os exames normalizados. A síndrome metabólica foi completamente revertida. Ele agora está num peso adequado para a altura. A nossa conversa hoje foi sobre como ele não precisava mais fazer uma low carb tão low carb assim. Agora ele mudou. Ele está num outro momento da sua vida. Ele agora já não está mais doente. Agora ele pode acrescentar algumas raízes, pode acrescentar mais frutas. Aquilo que a gente usa para intervir numa pessoa que está precisando de uma intervenção terapêutica, não é necessariamente a mesma coisa que essa pessoa deve fazer o resto da vida. Agora, a comida de verdade… Plantas e bichos… Como eu digo, aquilo que se compra o açougue e na feira, isso será a base de qualquer uma dessas intervenções.

Rodrigo Polesso: Perfeito. Exatamente. A questão é a flexibilidade. Estilo de vida adaptável, dinâmico e etc. Temos 10 perguntas pela frente. Agora a gente vai um pouco mais rápido. A próxima pergunta é a seguinte: “Jejum intermitente é saudável?” Deixe eu começar dizendo o seguinte. O jejum foi inventado antes da própria alimentação. Como que pode não ser saudável? Antes de existir alimentos, existia nada. Não existia alimento. Nós, seres humanos, sempre vivemos num estado de jejum até a gente achar um alimento e comer. O estado padrão é jejum. Aí, de vez em quando, você tem sorte e acha um alimento. Só que hoje a gente vive “com sorte”, digamos assim. Basta a gente abrir a geladeira e tem alimento lá dentro. É muito conveniente. Então, a própria pergunta não faz sentido algum evolutivamente pensando. Você vê que jejum é uma coisa que sempre existiu. Você dorme 8 horas por dia. Tem gente que dorme 12, vai entender. Durante o sono você está fazendo jejum também. É saudável dormir? É. E você está fazendo jejum também. Então, não vai ser saudável? Não faz sentido. Então, essa é minha opinião sempre sobre jejum intermitente. Claro que é saudável. É até interessante que a gente tenha que definir jejum intermitente como uma coisa nova. É uma coisa que sempre existiu antes. É outra coisa a gente responder essa pergunta tendo em mente pessoas que estão com síndrome metabólica, por exemplo. Pessoas que estão doentes. Nesse caso, jejum é saudável? Bom, o jejum pode ser um grande aliado. Só que alguns cuidados precisam ser tomados nesse caso.

Dr. Souto: Primeiro assim… Aquilo que a gente sempre fala… “Jejum de 12 horas”… Me deixa nervoso essa expressão. Qualquer coisa como ficar menos de 12 horas sem comer… Algo está muito errado. 12 horas significa “jantei às 20 e vou tomar café da manhã às 8”. Normal. Isso não é jejum. Isso é normal. Significa que não estou comendo o tempo todo. 12 horas eu acho que nem mereceria esse nome. 16 horas é um jejum tranquilo. O fato de passar um pouco mais de tempo sem comer do que comendo é uma coisa muito interessante para permitir que o corpo lance mão das reservas. Isso aí é bom. Esse seu comentário é interessante. Nas pessoas… Principalmente nos diabéticos que estão utilizando medicação ou que usam insulina… Nesses casos evidentemente é mais complexo. Quer dizer que eles não podem? Não, podem. Mas aí o acompanhamento médico por alguém que domine o assunto e low carb pode ser interessante. Tem medicamentos para diabéticos que não provocam hipoglicemia em jejum e tem outros que provocam. Com certeza alguém diabético que use insulina só vai poder fazer isso se diminuir sua insulina basal. Para todas as demais pessoas, é como você diz. É uma coisa natural. Jejuns muito prolongados eu acho um pouco mais complicado.

Rodrigo Polesso: Sim.

Dr. Souto: Acho que também não tem necessidade, sinceramente. Outra coisa… Talvez você tenha percebido, Rodrigo. Vejo isso seguido. Tem pessoas que se dão muito bem com jejum e tem pessoas que não. Tem pessoas que fazem jejum e sentem pouca fome, se sentem energizadas, se sentem bem. Outras pessoas fazem jejum e têm dor de cabeça, se sentem mal, pensam em comida o tempo todo. Se a pessoa não se dá muito bem com jejum, é simples. Basta não fazer.

Rodrigo Polesso: Tem sempre essa opção.

Dr. Souto: Não é obrigado. Lembrando que 12 horas, na minha visão, não é jejum.

Rodrigo Polesso: Mas já seria um benefício grande para muita gente.

Dr. Souto: Isso. A pessoa adota uma alimentação low carb, uma alimentação forte… Vai ter menos fome. Fazer 12 horas vai passar a ser uma coisa normal para essa pessoa, como deveria ser para toda a humanidade. Jejuns mais prolongados eu acho que vai de cada um. Eu penso… E nesse sentido talvez eu pense diferente do Dr. Jason Fung. Eu acho que o jejum é uma coisa acessória à dieta. Eu acho que a intervenção, a mudança da dieta… Passar para comida de verdade, restringir os carboidratos para quem precisa… Eu acho que isso tudo tem precedência. O jejum é um adendo interessante.

Rodrigo Polesso: Perfeito. Inclusive, a próxima pergunta é como fazer o jejum intermitente. Para começar a responde-la, vou usar justamente esse comentário. Eu tenho a exata mesma opinião que você. Eu acho que as pessoas que não fazem e querem começar a fazer jejum intermitente… Se 12 horas parecer um desafio para você, significa que talvez você esteja precisando muito focar nisso. Basicamente, é você focar na alimentação antes, como Dr. Souto falou. Você ajustar a alimentação antes. Porque se você tiver uma alimentação ruim e for tentar fazer um jejum intermitente, a sua vida será um inferno. Seu corpo está metabolicamente todo esculhambado. Você terá mais fome, não terá saciedade, pode ter dor de cabeça. Seu organismo não está preparado para isso. Se você fica com dor de cabeça, fica com a visão preta ou cansado por ficar algumas horas sem comer, esse é um sinal gritante de que alguma coisa metabólica está errada no seu organismo. É muito mais interessante você começar focando no elefante na sala, que é a alimentação. Comece a implantar uma alimentação forte, uma alimentação baseada em alimentos de verdade, regularizar seus hábitos. Depois o jejum se tornará muito mais natural. Depois você pode começar a brincar com 12 horas. “Vou tentar pular o café da manhã e ver o que acontece.” E você pula e parabéns, você fez 16 horas de jejum. Acaba se formando um novo estilo de vida. Sobre o jejum intermitente… Minha opinião, primeiro, sua alimentação está ok? Você já cuidou dela? Essa é a parte mais importante. Depois você pode adicionar o acessório que pode potencializar bastante, quando feito da forma certa, que é o jejum intermitente a esse estilo de vida. Você tem alguma dica adicional sobre como fazer o jejum?

Dr. Souto: Eu concordo plenamente. Eu acho insana essa ideia de usar o jejum intermitente como uma intervenção exclusiva no sentido de perda de peso. A pessoas continuará comendo as substâncias alimentícias e simplesmente vai duas vezes por semana não comer. Obviamente ficará com uma fome terrível nesses dias, porque é uma dieta geradora de fome. Aí saem aqueles estudos absurdos, como aquele que a gente comentou uma vez num podcast meses atrás que comparou jejum intermitente com restrição calórica simples e chegou à conclusão de que era igual. A gente foi ver e o jejum nem era jejum de verdade. O grupo controle comia uma dieta que era um lixo. Não é disso que se trata. A gente visualiza o jejum como uma forma de explorar essa diminuição espontânea da fome, que ocorre quando a gente passa a se alimentar corretamente.

Rodrigo Polesso: Perfeito, perfeito. Se você não cuidar da alimentação e usar o jejum intermitente como desculpa, você criará uma terrível relação com a comida também, que é uma péssima coisa de se acontecer na sua vida. É uma péssima coisa ter uma relação ruim com a comida. A próxima pergunta é a última pergunta sobre jejum. É basicamente o seguinte. Jejum desacelera o metabolismo, causa gastrite, fraqueza e etc.? Essa é a pergunta. Eu até mostrei para o Dr. Souto de manhã tem uns comentários postados num vídeo recente que eu fiz Exatamente sobre “jejum desacelera o metabolismo”? Eu fiz lá mostrando que não. Nada a ver, na verdade. Os estudos que fizeram com isso mostram que jejum até extensos, como de 4 dias inteiros de jejum acelera o metabolismo. O pessoal que fala que desacelera não sabe o que está falando. É pura incompetência e ignorância. Sobre gastrite, uma coisa que já falamos bastante no podcast. A Ney de Souza comentou no meu vídeo do YouTube o seguinte: “E quem tem gastrite, pode fazer?” Eu respondi o seguinte: Até onde eu sei a gastrite não é causada pela falta de comida. No entanto, sugiro que sempre consulte um profissional competente nesses casos para te guiar. Uma outra pessoa respondeu o seguinte. “Rodrigo, me curei de gastrite com os jejuns. Foi impressionante. Eu tinha medo de fazer por causa da garriste. E qual não foi minha surpresa quando após 15 dias eu me vi livre da maldita gastrite e queimação no estômago.” Que maravilha. A própria comunidade interagindo. A menina acabou de dizer que ela curou a gastrite dela com o jejum. Dr. Souto, não comer causa gastrite?

Dr. Souto: Na verdade, o não fazer alguma dificilmente causa alguma coisa. Eu entendo de onde que vem essa pergunta. Vamos esclarecer isso para o pessoal. Quando as pessoas que não são da área dizem, eu entendo. Eu fico um pouco triste quando eu vejo profissionais de saúde dizendo o que eu vou falar agora. “O problema é que você fica sem comer, o estômago produz o ácido e o ácido digere o próprio estômago.”

Rodrigo Polesso: Meu Deus. Isso é horrível de ouvir.

Dr. Souto: Profissionais de saúde dizem isso, Rodrigo. Não, o ácido não digere o próprio estômago. O estômago é recoberto internamente com uma camada de muco especial que protege o estômago. Caso contrário, o estômago de ninguém sobraria, porque o negócio tem um pH ácido. Mas tem um detalhe. O nosso corpo não fabrica enzimas digestivas quando não tem comida. Ele poupa isso e deixa para fabricar quando tem. Então, o estômago secreta efetivamente ácido quando a gente come, não quando a gente não come. A pHmetria, o estudo que se usa para medir o pH do estômago… Quem quiser procure. Vai no Pubmed. Quando se faz pHmetria, comer aumenta a secreção de ácido… Diminui o pH dentro do estômago. Quando a gente não come, o estômago está menos ácido. Existe um estudo muito interessante. Um estudo mais antigo. Se depois você me lembrar, eu passo o link. Acho que é interessante postar. Ele era um estudo sobre pacientes com úlcera duodenal de difícil tratamento. É importante que ele seja um estudo antigo, porque ele é anterior ao desenvolvimento do Omeprazol e desses remédios mais modernos, que inibem a produção de ácido. A única coisa que tinha na época eram remédios como a cimetidina, que inibiam um pouco a produção de ácido, mas não completamente. Tinham pessoas com úlcera duodenal que não cicatrizava. Eles estavam querendo ver se tinha alguma intervenção que era capaz de fazer cicatrizar a úlcera duodenal de pessoas que estavam tomando cimetidina e não melhoravam. E o que cicatrizou a úlcera foi o jejum. Porque ao tirar a comida, finalmente parou a produção de ácido. Por que o estômago produziria ácido, que é uma coisa feita para digerir comida, quando não estou comendo?

Rodrigo Polesso: É. Não faz sentido.

Dr. Souto: Como eu digo… Que o leigo imagine que seja verdade que ao não comer o estômago vai digerir a si mesmo, está bem. Mas fica chato quando é alguém da área.

Rodrigo Polesso: E os leigos só sabem disso porque o pessoal da área vem espalhando essas besteiras também.

Dr. Souto: É. Eu procurei e não existe na literatura nenhum ensaio clínico randomizado pegando pacientes com gastrite e randomizando para uma dieta com jejum e uma dieta sem jejum. Então, a gente não tem essa resposta com alto nível de evidência. Eu não acho que seja uma coisa responsável eu chegar e dizer assim, “Quem tiver gastrite, façam jejum para curar.” O que não é fato é que haja evidências de que o jejum faz mal para gastrite. Essas evidências também não existem. Se a pessoa é que nem a leitora do Rodrigo e disse, “Eu fiz jejum e minha gastrite melhorou. Me curei da gastrite.” Então está bem. Se você faz o jejum e sente que tem menos dor no estômago, sente que está melhor, não precisa se preocupar que seu estômago vai se digerir porque isso é lenda urbana. Se você tem gastrite quando fica muito tempo sem comer, não se sente legal, não faça jejum. É simples assim. Não existe evidência científica de alto nível para nenhum dos lados.

Rodrigo Polesso: Perfeito. Exatamente. Ótimo. Vamos tentar bater essas perguntas. Tem várias aqui. O pessoal não quer ter 3 horas de podcast. Cada uma dessas poderia ser um podcast inteiro. Tem muita coisa para falar sobre cada uma dessas perguntas. Vamos tentar um bate rápido. A próxima pergunta é o seguinte. Comer gordura é saudável mesmo? Por que? Todo santo alimento que contém gordura na natureza contém os três tipos de gordura: monoinsaturada, poliinsaturada e saturada, em diferentes proporções. Gordura é uma coisa que está na alimentação, nas frutas como abacate, na gordura animal, nos ovos, nos laticínios. Está em muitos alimentos da natureza e sempre estiveram durante toda evolução do planeta Terra. Sempre estiveram, mas em combinações diferentes dos três tipos de gordura. Comer gordura é saudável mesmo? Minha resposta é a seguinte. Comer gordura natural é saudável. Comer gordura artificial não é saudável. Dr. Souto, qual é seu take nisso?

Dr. Souto: Vou só acrescentar uma coisa. Comer gordura é saudável num contexto como você disse. Gordura natural dos alimentos. Mas não convém exagerar para níveis antinaturais de gordura. O que eu quero dizer com isso? Quando a gente come coco… Chips de coco… Ou quebro um coco no meio e como a parte branca. Estou comendo gordura. Tem gordura ali dentro. Quando eu pego um pote de óleo de coco com uma colher e como puro, isso é quantidades antinaturais de gordura. Falamos antes da evolução. Durante esses dois milhões de anos, o ser humano não comeu pão, não comeu açúcar, não comeu alimentos processados, industrializados, artificiais, não tomou Coca-Cola. Mas também não comeu óleo de coco puro. Embora o óleo de coco venha do coco, o açúcar também vem da cana. Isso não torna o açúcar bom. Eu acho que o óleo de coco… Estou falando do óleo de coco de propósito. Ele está muito na moda. Mas eu poderia estar falando da manteiga. Eu poderia estar falando da banha de porco. São ingredientes culinários. A gente usa para refogar uns vegetais. A gente usa para fazer a carne na chapa, para aquilo não grudar. A gordura deve ser utilizada… Como diz a Nanda Muller: perder o medo da gordura natural dos alimentos, mas não perder a noção.

Rodrigo Polesso: Exato. É basicamente consumir a gordura no contexto do alimento. Consumir os alimentos que contém gordura. Não a gordura refinada em excesso. É basicamente isso.

Dr. Souto: Esse termo… Gordura refinada… Parem para pensar. Um pote de óleo de coco ou um pote de manteiga ghee são alimentos refinados. A manteiga ghee é produzida após o refino de grande quantidade de leite. Eu pego muitos litros de leite para produzir um pote de manteiga ghee. Se eu fosse beber leite, eu não teria estômago para beber tantos litros de leite para consumir a quantidade de gordura… Quer dizer que a manteiga ghee é ruim? Não, ela não é ruim. Mas ela é um ingrediente culinário. Não é para deixar as coisas mergulhadas em manteiga ghee.

Rodrigo Polesso: Exato. Nem adicionar óleo MCT, manteiga ghee e etc. no café e tomar sete cafés por dia.

Dr. Souto: Exatamente. Um exemplo pegando o link evolutivo da dieta paleo… Nossos antepassados consumiam carne de caça. A carne de caça é uma carne mais magra do que a carne dos animais cultivados que foram geneticamente selecionados para serem bem gordos. Talvez para o sujeito que está querendo perder peso, está querendo queimar sua própria gordura… Ele restrinja os carboidratos e o corpo dele vai passar a queimar gordura. Se ele pedir todos os dias no restaurante, na churrascaria… A costela mais gorda, a picanha com a capa de gordura mais grossa e consumir aquilo ali… Ele vai queimar mais a gordura da dieta do que a sua própria. Toda a dieta low carb quando vista por dentro do corpo, do ponto de vista do metabolismo, toda dieta low carb será high fat, mesmo que você não consuma gordura. Por que estou dizendo isso? Porque o corpo vai estar queimando gordura, se você não está comendo carboidrato. Se você consumir uma quantidade moderada de gordura, a maior parte da gordura queimada pelo corpo será a sua. Se você consumir toda a quantidade de gordura que você é capaz de consumir, o corpo vai continuar queimando gordura, mas vai ser a que você está comendo.

Rodrigo Polesso: Sim. No contexto de evidência científica, em estudos que relacionam o consumo de gorduras naturais com problemas de obesidade, diabetes, cardíacos… É legal falar par ao pessoal qual é o cenário da ciência nutricional em relação a isso.

Dr. Souto: Sim. Só para deixar claro. A gente já até fez podcast específico sobre isso quando a gente falou daquele artigo da Associação Americana de Cardiologia recentemente. O consenso da literatura hoje em dia é que gorduras na dieta como um todo não tem relação com doença cardiovascular. A Associação Americana de Cardiologia debate se as saturadas seriam um problema. Mas mais uma vez o consenso, quando a gente olha o conjunto das metanálises, das revisões sistemáticas é que nem mesmo a gordura saturada tem relação com doença cardiovascular. Eu diria quanto mais se for consumida em quantidades normais. Se a pessoa não forçar… “Já que sou low carb high fat, vou comer um monte de gordura.” A gente tem tentado trocar esse H do “high” por “healthy”, justamente para as pessoas não abusarem. Então, “low carb healthy fat”. Vou diminuir os carboidratos e vou apostar numa alimentação que contém sim gorduras… Não precisa ser quantidades alucinantes de gordura… Mas contém gordura. E quais? As gorduras saudáveis. O que são gorduras saudáveis? A gordura da comida de verdade. Inclui desde gorduras de origem vegetal como nozes, castanhas, amêndoas, abacate, azeite de oliva e gorduras de origem animal como peixe, carne. Gorduras de origem natural evitando margarina, óleo de soja, óleos extraídos de sementes sob altas temperaturas e altas pressões… Esse tipo de coisa.

Rodrigo Polesso: Maravilha. Eu estava pensando aqui. Eu acho que me excedi um pouco no número de perguntas. Vamos fazer o seguinte. Acabei de decidir. Tem mais duas perguntas pela frente. Depois a gente vai dar uma continuidade dessas perguntas e respostas num próximo episódio. Acho que o pessoal vai gostar. Vocês podem me contar se gostam ou não gostam de pergunta e resposta nesse sentido. Lá no EmagrecerDeVez.com vou colocar esse podcast. Podem comentar lá se vocês gostam ou não gostam desse tipo de formato.

Dr. Souto: Você subestimou quanto que nós dois gostamos de falar.

Rodrigo Polesso: É. Eu não quero dar resposta incompleta e passar batido por várias perguntas. É melhor dar mais atenção para cada uma como estamos fazendo agora. Vou guardar algumas que tenho aqui anotadas já para um próximo episódio. Para a gente discuti-las melhor num próximo. Vai ter uma continuidade dessa novela nossa. Ainda sobre essa questão das gorduras… A próxima pergunta é justamente essa. Quais são as melhores gorduras e as piores? Então, vamos lá. Gorduras que são nas nozes, nas castanhas. Tem o abacate, que é uma fruta gordurosa. O próprio coco que é uma gordura boa. A manteiga. A manteiga ghee, que é a manteiga clarificada. A gente tem o óleo de coco. A gente tem o azeite de oliva. Tem a banha de porco. Tem gente que cozinha com sebo de gado, de vaca. Ou gordura de pato. Aqui no Canadá é fácil de se encontrar gordura de pato para cozinhar. É interessante também. Enfim, gorduras que sempre estiveram presentes na natureza em alimentos de verdade, basicamente. Numa mão a mãe natureza criou essas gorduras naturais. Na outra mão foi a madrasta indústria, que criou os óleos vegetais, os refinados, tudo de soja, algodão, milho, canola… A margarina, que é uma combinação bizarra de óleos vegetais com sabe Deus o que mais. Essas trans, obviamente. Margarina tem gordura trans. Óleo vegetal também tem traços de gordura trans. O pessoal não sabe disso. Essas são gorduras que foram inventadas por aí. Quais são suas favoritas, Dr. Souto, dessas gorduras naturais?

Dr. Souto: Eu gosto de manteiga e banha.

Rodrigo Polesso: Opa. Banha é uma delícia. Nossos avós eram muito sábios.

Dr. Souto: Banha dá um gosto todo especial na comida. Quem olhar aquele artigo da Associação Americana de Cardiologia vai ter que concordar com o que vou afirmar agora. Entre as gorduras de origem animal, incluindo a gordura de coco (que não é de origem animal), segundo a Associação Americana de Cardiologia, a melhor é a banha. Tem uma tabela no estudo. Quem quiser olha lá. Não estou mentindo. Tem uma tabela lá mostrando a composição das várias gorduras. A que tem mais gordura saturada é o óleo de coco. Vai descendo na lista. Quando chega na banha… Depois da banha que vem o azeite de oliva. Claro que eu não estou levando em consideração o que pensa a Associação Americana de Cardiologia. Mas mesmo a Associação Americana de Cardiologia colocando lado a lado vários tipos de gordura de origem animal considera que a banha de porco é uma das melhores.

Rodrigo Polesso: Justamente. Eu gosto muito de óleo de coco. Cozinho com óleo de coco bastante. Manteiga também tem um gosto espetacular. Essa banha é muito boa. Numa época eu visitei meus pais e eles fizeram batata frita… Não é low carb… Batata frita feita na banha de porco. Tem um gosto muito bom. Vai engordar? Vai, muito. Você está comendo carboidrato e gordura ao mesmo tempo. Mas não é uma coisa necessariamente tóxica uma vez ou outra no seu estilo de vida alimentar. O McDonald’s no passado fritava em gordura de porco, até serem obrigados por pressões políticas a começar a usar óleo vegetal. Era uma coisa que não era tão ruim e conseguiu ficar bem pior só por essa substituição de óleos. É bem triste. Mas a ciência mostra que gorduras naturais sempre foram e continuam sendo bem-vindas no nosso estilo de vida saudável. A última pergunta que podemos falar hoje é a seguinte. E o colesterol? Já que estamos falando de gordura… E o colesterol? Ele precisa ser evitado? Ele causa problemas mesmo? Vou ter um aperto no coração quando consumo alimentos que tenham colesterol? Vamos lá. A gente já falou disso, mas vamos responder à pergunta.

Dr. Souto: Para ficar bem claro. O colesterol da dieta… O colesterol que está presente no alimento praticamente não importa para fins de colesterol no sangue ou risco cardiovascular.

Rodrigo Polesso: Acho que vale repetir isso aí, Dr. Souto.

Dr. Souto: O colesterol presente nos alimentos… O motivo pelo qual o ovo era tão temido no passado… Porque a gema do ovo contém bastante colesterol… Praticamente não tem nenhum impacto no colesterol do sangue e com certeza não tem nenhum impacto no risco cardiovascular. Se isso fosse verdade… Se o colesterol nos alimentos fosse um problema, comer frutos do mar, inclusive peixe, seria uma coisa que aumentaria o risco de morrer do coração. E todo cardiologista sabe que isso não é verdade. Todo cardiologista sabe que comer peixe e frutos do mar diminui o risco cardiovascular. Bom, são alimentos ricos em colesterol. E aí? Então, colesterol na dieta não tem nada a ver. A confusão que as pessoas fazem é a seguinte. Realmente, gorduras predominantemente saturadas quando consumidas em excesso por pessoas geneticamente pré-dispostas, pode fazer com que o fígado da pessoa produza uma quantidade excessiva de colesterol. Mas não é o colesterol dieta que tem a ver com isso. Isso daí tinha que ter sido abandonado a uns 60 anos atrás.

Rodrigo Polesso: Essa questão das pessoas dislipidemia a gente já falou várias vezes. É um ponto em que a ciência não está clara ainda. Tem opiniões e opiniões. Mas o que não depende muito de opinião é o colesterol produzido do corpo que se acaba se estocando nas paredes das artérias. Por causa do consumo exagerado de carboidratos refinados, óleos vegetais. Causando um quadro de inflamação crônica no organismo. Poderia falar um pouco sobre essa questão aí?

Dr. Souto: É verdade. Na realidade, o excesso de carboidratos, especialmente o excesso de açúcar pode provocar sim alterações de dislipidemia, alteração em colesterol e triglicerídeos… E alterações que muitas vezes implicam risco bem maior. Como triglicerídeos muito altos, acompanhado de HDL (colesterol bom) muito baixo. Essa combinação de triglicerídeos altos com HDL baixo está associada com síndrome metabólica, com risco cardiovascular bastante elevado. Então, as pessoas estão muito acostumadas a focar no colesterol total. Muito acostumadas a focar no LDL. E esquecem essas outras partes que são tão ou mais importantes.

Rodrigo Polesso: Com certeza. Acho que o pessoal quer saber sobre alimentos que têm colesterol como ovos. O próprio camarão. Eu lembro que quando eu era criança minha mãe também falava isso: “Não come muito camarão porque tem muito colesterol.” Ou a própria carne animal, carne de porco e etc. Basicamente, de acordo com o que a ciência mostra claramente… Acho que não tem como discutir isso… O colesterol na comida praticamente não tem efeito no colesterol do sangue. Até porque o corpo produz a maior parte do colesterol que ele tem. Se colesterol fosse uma coisa ruim, o cérebro não teria sua maior composição de colesterol também. O cérebro é basicamente formado de colesterol em grande parte. Colesterol não é ruim. Colesterol ruim é ruim. Esse colesterol ruim a gente vê fabricado no próprio corpo. Uma tentativa de colocar Band-Aid em inflamação e etc. pelo consumo exagerado de carboidratos refinados, óleos vegetais que produzem inflamação, colaboram com a inflamação. Acho que é basicamente isso. O pessoal não precisa ter medo do colesterol dos alimentos.

Dr. Souto: Dos alimentos definitivamente não. Os óleos vegetais… Esses óleos poliinsaturados como o óleo de soja… São óleos que oxidam com muita facilidade. Eles se incorporam nas partículas de LDL que carregam o colesterol no sangue. O que acontece é que é muito mais fácil as partículas de LDL se tornarem oxidadas nas pessoas que consomem esse tipo de óleo vegetal refinado. Partícula de LDL oxidada… Essa sim é um fator de risco cardiovascular muito importante. Isso ajuda a explicar aquele estudo do Ramsden que já comentamos aqui, no qual o pessoal trocou a manteiga por margarina… O colesterol baixou, mas as pessoas morreram mais do coração. O colesterol baixou, mas as partículas de LDL eram mais oxidadas e isso é um fator de risco cardiovascular muito maior.

Rodrigo Polesso: Maravilha. Ótimo. Essa foi a última pergunta. Antes de acabar, vamos mencionar o que a gente comeu na última refeição. Quer mandar ver primeiro?

Dr. Souto: Eu comi o de sempre. Bife com ovo, uma salada, um repolho refogado com cebola e alho.

Rodrigo Polesso: Maravilha. Acho que repetir os alimentos é uma coisa natural. O pessoal começa a reclamar que tem que repetir a alimentação. Você já repete o pão todo dia, qual é o problema em repetir outros alimentos também? Hoje eu comi muito simples também. Uma carne moída feita na manteiga com alho. Uns picles. Uma salada do lado. Basicamente isso. Muito simples. Eu estava trabalhando. Simplicidade é nossa amiga também. Para finalizar… Se você não é membro da Tribo Forte ainda, eu sugiro que você se torne um membro e vejas as vantagens que você pode ter acesso lá dentro. Se junte a nossa família, esse movimento. É só entrar em TriboForte.com.br. Se o seu objetivo é emagrecimento como prioridade de acordo com o que a ciência mostra ser o mais eficaz para isso, é só você entrar no Programa Código Emagrecer De Vez acessando CodigoEmagrecerDeVez.com.br. Maravilha. Lembre-se: próximo episódio terá mais perguntas respondidas. Ficou mais coisa bacana para a gente responder. Dr. Souto, obrigado pela sua atenção e pelo nosso papo. A gente se fala na semana que vem.

Dr. Souto: Muito bom. Obrigado e até semana que vem.

  • Déa Bressani

    pode colocar o link da pesquisa que o Dr Souto cita em torno dos 5 min da conversa? Seria o “infográfico da ONG britânica que compilou todos os ensaios clínicos randomizados que tem comparando as abordagens low carb versus low fat”.

  • Michelle E Paulo

    Ficou ótimo nesse formato de perguntas e respostas!

  • Teresa Cristina Rabelo

    Gostaria da opinião do Rodrigo e do Dr Souto sobre o Glucobay (acarbose) . Obrigada

  • Marcos

    Os segredos da boa saúde de uma tribo que se alimenta da mesma forma há 40 mil anos

    Os hadza são uma das poucas tribos coletoras-caçadoras restantes no mundo – e acredita-se que eles habitem o mesmo lugar, no norte da Tanzânia, há 40 mil anos, vivendo de frutas, tubérculos e da carne de 30 mamíferos diferentes. O repórter da BBC Dan Saladino acompanhou a tribo e conta que lições podemos tirar dessa dieta tão rica em bactérias benéficas e protetoras do sistema imunológico.

    Antropólogos notaram, décadas atrás, que os hadza estão sempre com fome, mas nunca passam fome. Seu entusiasmo pela comida é equivalente à abundância de ingredientes ao seu redor – e às habilidades que esse povo desenvolveu para encontrá-los.

    Ainda que a tribo dos hadza tenha cerca de mil integrantes, calcula-se que apenas 200 a 300 deles sejam puramente coletores-caçadores, que não praticam a agricultura.

    Aliás, eles consideram os agricultores pessoas curiosas. Um deles me perguntou: “Por que ficar o dia no campo e esperar semanas ou meses pela comida, sendo que você pode comer frutas do arbusto, coletar todo o mel de que precisa ou alimentar um acampamento inteiro depois de passar apenas uma hora dentro da toca de um porco-espinho?”

  • Marcos

    Os segredos da boa saúde de uma tribo que se alimenta da mesma forma há 40 mil anos

    Os hadza são uma das poucas tribos coletoras-caçadoras restantes no mundo – e acredita-se que eles habitem o mesmo lugar, no norte da Tanzânia, há 40 mil anos, vivendo de frutas, tubérculos e da carne de 30 mamíferos diferentes. O repórter da BBC Dan Saladino acompanhou a tribo e conta que lições podemos tirar dessa dieta tão rica em bactérias benéficas e protetoras do sistema imunológico.

    Antropólogos notaram, décadas atrás, que os hadza estão sempre com fome, mas nunca passam fome. Seu entusiasmo pela comida é equivalente à abundância de ingredientes ao seu redor – e às habilidades que esse povo desenvolveu para encontrá-los.

    Ainda que a tribo dos hadza tenha cerca de mil integrantes, calcula-se que apenas 200 a 300 deles sejam puramente coletores-caçadores, que não praticam a agricultura.

    Aliás, eles consideram os agricultores pessoas curiosas. Um deles me perguntou: “Por que ficar o dia no campo e esperar semanas ou meses pela comida, sendo que você pode comer frutas do arbusto, coletar todo o mel de que precisa ou alimentar um acampamento inteiro depois de passar apenas uma hora caçando um porco-espinho?”

    Ė assim que nossos ancestrais buscavam sua comida e supriam suas necessidades. As refeições dos hadza são o último elo remanescente com as dietas que nós humanos usamos para evoluir. Foi com elas que nosso sistema digestivo se desenvolveu, inclusive o complexo conjunto de bactérias que temos dentro de nosso corpo, o chamado microbioma.

    Tem crescido, entre os médicos especializados, a percepção de que o microbioma de nosso sistema digestivo tem grande influência sobre nossa imunidade – e que quanto mais rico e diverso esse microbioma for, menor é o risco de ficarmos doentes.

    E acontece que os hadza têm o mais diversificado microbioma digestivo do planeta, justamente por causa de sua dieta.

  • Lis de Oliveira

    LCHF – um médico me disse que o H seria HEALTH, mas no pod vcs citam HIGH. Existe diferença?

    • André Librelon

      Lis,
      Na origem do termo LCHF, o H realmente seria HIGH, ou seja, dieta baixa em carboidrato e alta em gordura.
      Mas, para evitar que as pessoas percam a noção e comecem a beber azeite no gargalo, atualmente tem-se dado preferência à utilização do termo HEALTH, ou seja, é pra consumir as gorduras boas e de maneira saudável.
      LCHF é pra perder o “medo” da gordura e não pra perder a “noção”.

  • Rodrigo Santos Vieira

    Gostaria de entender os argumentos desses médicos no vídeo https://www.youtube.com/watch?v=i48rsFdH8gc ,
    Tem um que falar claramente que os carboidratos e açucar não são armazenados em forma de gordura, e que carne animal que é o problema. É verdade oque esses médicos estão dizendo? Obrigado.