TRIBO FORTE #121 – PÃO BRANCO, RÚSSIA, CÂNCER

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

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Neste Podcast:

  • Neste podcast falamos de PÃO BRANCO, emagrece ou engorda? Bom ou ruim?
  • Ainda, em clima de copa do mundo, alguns números da Rússia e também dados preocupantes sobre Câncer!

Escute e passe a frente! Saúde é prioridade 🙂

OBS: O podcast está disponível no iTunes, no Spotify e também no emagrecerdevez.com e triboforte.com.br

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🙂

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Casos de Sucesso do Dia

Cristiane

 

 

Referências

Artigo no G1 Sobre Mortes Por Diabetes

Artigo no Medscape Sobre Câncer no Fígado

Artigo Sobre Pão Branco

Estudo no NCBI Testando Congelar e Descongelar Pães

 

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá, olá! Bem-vindo ao episódio número 121 aqui do podcast oficial da Tribo Forte, em ritmo agora de Copa do Mundo… Copa do Mundo ainda andando, Brasil ainda dentro. A gente não pode dizer a mesma coisa da Alemanha, infelizmente, mas tudo bem. Minha mãe falou que o pessoal está torcendo tanto contra a Alemanha como a favor do Brasil… Olha que coisa. Enfim… A gente está aqui nesse podcast hoje para falar sobre câncer… Sobre pão branco também… Saiu umas coisas estranhas na mídia ultimamente sobre pão branco… A gente vai dar nosso take nisso aí. Será que emagrece? Aí meu Deus do céu. Vamos lá. Enfim, mais umas curiosidades também aqui. Mas antes de começas, deixa eu dar as boas-vindas ao Dr. Souto também. Tudo bem, Dr. Souto?

Dr. Souto: Tudo bem. Tudo bem, Rodrigo. Boa tarde, boa noite… Também para os ouvintes.

Rodrigo Polesso: Isso. Olha só, para a gente aquecer aqui, e também para descontrair… Em clima de Copa do Mundo… Vamos ver alguns números de saúde entre Brasil e Rússia… Comparando os dois com algumas coisas que eu captei para a gente aquecer essa conversa. Primeiro, em termos de índice de massa corpórea (IMC), o Brasil, homens e mulheres… A média é de 26… 26 IMC a média… Aqui eu tinha colocado duas coisas. Obesidade, olha só… Prevalência de obesidade, na verdade… Depois eu substituí. Prevalência de obesidade acho que é melhor do que o IMC. O Brasil, 22% da população é obesa, segundo os últimos dados disponíveis. Enquanto na Rússia 23% da população é obesa. Então, é basicamente a mesma coisa. A Rússia ganha com 1% de obesidade. Mas em questão de diabetes, 8,11% da população entre 20 e 79 anos tem diabetes diagnosticada, enquanto na Rússia 6,1% da população. Então, eles estão ganhando por terem menos prevalência em diabetes. Mas vamos ver. A propósito… Mortes por diabetes cresceram 12% no Brasil em 6 anos, diz o Ministério da Saúde. É uma notícia que saiu há poucas horas atrás no G1, na verdade. Então, cresceu 15% a prevalência de diabetes no Brasil em 6 anos. Para você ter uma ideia, o crescimento da população nesse mesmo período de tempo foi de apenas 5,6%, ou seja, a incidência de diabetes cresceu mais do que o aumento da população. Isso é preocupante e a gente já sabe disso. Doença cardíaca… No Brasil, 80,16 casos de morte por doença cardíaca por 100 mil habitantes, enquanto na Rússia… Essa a Rússia leva fácil… 292 casos de morte por doença cardíaca a cada 100 mil habitantes. A Rússia é um dos países onde as pessoas mais morrem no mundo de doença cardíaca… Olha só. Enquanto eu não fui pesquisar em detalhes tudo isso, fui ver sobre o consumo de cigarros. A Rússia é o nono país no mundo no consumo de cigarros per capita, com 2.295 cigarros per capita por ano. Isso é um absurdo. É mais de 6 cigarros por dia em média. Então, os caras que fumam lá passam o dia inteiro fumando… Não sei nem se trabalha.

Dr. Souto: Lembrando que a média inclusive crianças e bebês. Obviamente, crianças e bebês não estão fumando… A quantidade real, por pessoa, por adulto, é muito maior.

Rodrigo Polesso: Muito maior. Então, é o nono país que mais fuma. Lá embaixo, olha que orgulho… Brasil lá embaixo na lista. A gente consome somente 333 cigarros per capita. Novamente, a Rússia 2.295. O Brasil 333. Nossos hermanos, na Argentina, com quase metade do que na Rússia. Consomem 1176 – muito mais do que o Brasil. Olha só, diferenças interessantes. Drástica a diferença de doença cardíaca. Pouca diferença na obesidade. Uma diferença significativa, mas não muito grande, na questão da diabetes. E muito grande na questão do cigarro. A agora a gente pode se perguntar… O russo médio… Na média… Costuma comer no seu dia a dia. Eu não tenho muita informação sobre isso. Eu sei que você, Dr. Souto, já passou um tempo lá. Imagino que você não foi participar das convenções diárias deles lá, mas você acabou escolhendo coisas mais low carb, alimentação forte. Mas você tem ideia do que eles gostem bastante no dia a dia que talvez possa colaborar para esse desastroso resultado de doença cardíaca? Além do cigarro.

Dr. Souto: Como você disse… A minha experiência de alimentação na Rússia foi guiada pelos meus princípios alimentares. Então, eu escolhi para comer aquilo que cabia dentro de uma dieta low carb. Mas eles comem muitos peixes e frutos do mar, o que é uma coisa boa. Consomem muitos vegetais… Muita coisa tipo picles… Muita coisa tipo repolho, beterraba… Muito fermentado. O kefir é consumido lá praticamente no lugar do iogurte. Quer dizer, existe kefir pronto, industrializado, para vender no supermercado. Agora, é claro, consomem bastante pão, bastante batata. Então… E o fato é que industrialização vai pegando. Cada vez mais é possível comer mal da mesma forma em qualquer lugar do mundo. Eu diria assim… A gente pode comer de formas muito diferentes em diferentes lugares do mundo, mas para comer mal, é mais ou menos a mesma coisa no mundo inteiro. É fast food. É pão. É farináceo. É salgadinho. São óleos vegetais extraídos de semente e refinados. São margarinas. Então… A forma de comer mal é parecida no mundo todo. A forma de comer bem é que é culturalmente diferente em cada lugar.

Rodrigo Polesso: É verdade, verdade. Realmente. Enfim… Olha só. Esse foi o aquecimento. Agora vamos falar num assunto… Um assunto pesado…  Câncer. A incidência de câncer de fígado tem aumentado drasticamente em países desenvolvidos em pouco mais de 2 décadas. Um artigo no Medscape mostra que nos países analisados… Que são Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Austrália… Ao se comparar as taxas de incidência de câncer de fígado, em 1993 com as de 2015, essa incidência quase duplicou no Canadá, duplicou nos Estados Unidos e Austrália e quase triplicou no Reino Unido dentro desses poucos anos de diferença. Inclusive, eles mencionam que a taxa de mortalidade dessa variedade de câncer, o câncer de fígado, é uma que não tem diminuído, ao contrário das outras variedades de câncer. Então, de fígado, parece que as pessoas estão sofrendo bastante. Nesse artigo eles falam de hepatite, falam de doença hepática não-alcoólica, do fígado gorduroso… Tem várias coisas. Eu acho que é menos devido à hepatite nesse caso, Dr. Souto. Acho que tem muito mais a ver com o tipo de alimentação das pessoas. Mas é um aumento grande que não parece estar se atenuando muito.

Dr. Souto: É. Me chamou atenção quando eu vi esse artigo… Até a gente trocou umas mensagens sobre ele.

Rodrigo Polesso: Sim.

Dr. Souto: Lá pelas tantas os próprios autores comentavam da relação do câncer de fígado com a esteatose, a gordura no fígado. Então, eu até salientei um trechinho e coloquei ali. A epidemia de obesidade está colando combustível na epidemia de doença gordurosa não-alcóolica do fígado – ou seja, a gordura no fígado. Que pode progredir para câncer de fígado. Então, assim… Quando a gente fala… “Tem gordura no fígado”… A gente não deve levar isso de forma leve. Ela é uma doença grave… A esteatose. Grave por quê? Primeiro porque ela aumenta a resistência à insulina. Ela é fator de risco cardiovascular. E ela está diretamente ligada ao desenvolvimento de diabetes tipo 2. Segundo porque é uma das causas principais de cirrose e, como está sendo colocado aqui, inclusive de câncer no fígado. Então… É importante tentar reduzir. É uma doença que praticamente inexistia nos anos 80.

Rodrigo Polesso: Pois é. Esse é o ponto.

Dr. Souto: Então, assim, é uma doença nova que surgiu. Por que não existia até lá? Bem, porque as pessoas não comiam tanto carboidrato refinado. É importante que as pessoas que estão nos ouvindo saibam… Porque às vezes as palavras se confundem. A pessoa diz assim… “É gordura no fígado? Então não posso comer gordura.” Não, pessoal. Gordura no fígado não tem nada que ver com gordura na dieta. Gordura no fígado é em função de excesso de carboidrato refinado, especialmente açúcar. Então, ainda diz ali… Incidência de câncer de fígado e mortes pela doença duplicou nos anos 90 em vários países de alta renda, incluindo Estados Unidos, Canadá, Austrália e Reino Unido. E aí coloca ali… Que o câncer de fígado é o único dos cânceres principais onde a mortalidade está aumentando nesses países. Então, veja bem… A hepatite infecciosa… A hepatite viral é uma coisa que está causando menos mortes e menos câncer e menos cirrose… Porque hoje existem tratamentos eficazes para hepatite viral. Então a hepatite viral diagnosticada e tratada cedo pode ser curada. Ela não precisa mais evoluir necessariamente para essas coisas. Agora… A esteatose… A pessoa tem gordura no fígado… Vai no médico e o médico manda parar de comer gordura… E aí a pessoa começa a comer cada vez mais carboidrato… Bom, obviamente, o fígado piora. Então, é incrível como existe essa dicotomia… Eu sempre falo isso… Nas ciências da saúde. Se a pessoa tem uma hepatite viral, hoje em dia, não se trata mais hepatite viral como se tratava há 10 anos. Existem medicamentos novos. A coisa avançou tremendamente. Quando se fala em dieta, se fala a mesma porcaria que se falava há 40 anos. Como pode a nutrição simplesmente ser uma zona livre de evidências? É incrível. Então, é muito mais fácil e barato curar a gordura no fígado. Basta tirar os carboidratos da dieta. E, no entanto, as pessoas estão aí morrendo por câncer de fígado e cirrose em virtude de gordura no fígado, que é uma coisa extremamente simples de tratar… Enquanto que a hepatite viral, que é uma coisa extremamente complexa, está sendo curada… Porque as áreas da ciência da saúde que não são a nutrição avançam do ponto de vista científico… Enquanto que na nutrição o dogma impede o avanço. É triste.

Rodrigo Polesso: É bastante triste. Acho que é bom enfatizar um pouco mais para o pessoal que talvez não acompanhe a gente há muito tempo… Sobre as causas para essa gordura no fígado. A gente sabe que a frutose é especialmente problemática nesse caso e vale lembrar que metade do açúcar que você usa… Que você bebe no seu refrigerante… No seu suco de fruta… Que é mais ainda no caso de suco de fruta, mas enfim… Do açúcar refinado, metade dele é frutose. Frutose é problemática especialmente no fígado. Se puder elaborar um pouco nisso, para o pessoal ficar mais ciente.

Dr. Souto: Então, como o Rodrigo disse, a gente fala em frutose, as pessoas pensam em fruta. Sim, fruta tem frutose, mas precisa comer uma quantidade louca de fruta para consumir uma quantidade excessiva de frutose. Sabe como que a gente consome uma quantidade louca de fruta? Com suco. Então, assim… Suco de laranja, suco de uva… Sim, isso colabora para problemas como esteatose. Comer uma laranja com bagaço não é exatamente uma causa de doenças. Agora, a grande fonte de frutose da dieta das pessoas… Que vai acabar causando esteatose, gordura no fígado, síndrome metabólica, resistência à insulina, é o açúcar. Esse açúcar do açucareiro é 50% frutose. É uma frutose refinada, purificada. E o fígado tem uma dificuldade de dar conta dessa enxurrada de frutose que evolutivamente nunca houve porque nossos antepassados não comiam açúcar refinado. Então… Chamando bem atenção disso aí que você falou. A frutose é metabolizada só no fígado. Quer dizer, o fígado é um órgão de detoxificação. O excesso de frutose acaba sendo manejado ali. E a exposição diária a grandes quantidades de frutose… Que é o que acontece na vida da maioria das pessoas, porque todo mundo come açúcar de mais… Acabe levando à gordura no fígado. Como a gente estava dizendo, a pessoa chega no médico… Está com gordura no fígado… Médico não sabe, em geral, nada de nutrição… E ele pensa com o senso comum na cabeça. “Gordura? Tira a gordura da dieta.” Só vai piorar o problema… Porque ao tirar a gordura, a pessoa vai comer o quê? Vai comer mais carboidrato, porque ela tem que comer alguma coisa. Então, esteatose é excesso de carboidratos, especialmente refinado, especialmente açúcar. Não tem absolutamente nada a ver com gordura na dieta.

Rodrigo Polesso: É. Perfeito. A frutose é o que dá o gosto doce nesses alimentos. Se a gente comparar, por exemplo, o doce das grandes fontes de amido… A gente tem a bata inglesa, a batata branca e a batata doce. A gente pode ver que, apesar dos dois serem essencialmente carboidratos, a diferença no perfil é que a batata doce sente o saborzinho doce. Se você for ver a composição dos carboidratos, você vê que ela tem consideralmente mais frutose do que a outra batata. A batata inglesa é basicamente glicose, que é o amido, que é tipo o arroz, por exemplo. Quando você notar um doce nos alimentos, você sabe que provavelmente pode estar vindo de frutose.

Dr. Souto: Isto aí.

Rodrigo Polesso: Maravilha. Breakzinho… Caso de sucesso do dia. Quem mandou o caso de sucesso da gente foi a Cristiane Almeida. Ela falou: “terminei ontem meu desafio dos 30 dias e estou muito satisfeita.” O Desafio dos 30 Dias é a primeira fase do Programa Código Emagrecer de Vez que elabora uma alimentação forte passo a passo mais restrita em carboidratos. Resultados dela… Peso, menos 5 quilos. Busto, menos 8 centímetros. Cintura, menos 10 centímetros. Lembrando: quatro semaninhas só. Mais um caso de sucesso para a gente motivar quem precisa ser motivado. Se você quer aprender mais sobre o Código Emagrecer de Vez, você pode entrar em CodigoEmagrecerDeVez.com.br. Tem um vídeo lá, onde eu explico tudinho. Você pode ver se conecta com você lá. Agora é aquela besteira que a gente vai falar hoje nesse podcast, que acabou… A gente ainda não sabe porquê. Mas esse tipo de polêmica acaba ganhando a mídia. E as pessoas vêm sempre para a gente e “O que vocês têm para dizer sobre isso agora?” Agora ferrou tudo. Saiu até o exterior também. Eu fui ver… Não sei… Alguma das pessoas que eu vi no Twitter acabou ecoando também essa babaquice aqui. Mas é o seguinte. Eu peguei um link aqui da mídia brasileira que fala o seguinte. “Pão branco pode passar de engordativo a emagrecedor, afirma estudo.” Olha só, essa foi a headline, essa foi a manchete disso aí. Primeiro, não. O estudo não diz que o pão branco passa a ser emagrecedor. Esta aí mais um exemplo de como a mídia distorce muita coisa para chamar mais atenção com suas manchetes.

Dr. Souto: Olha, Rodrigo, eu acho que se a gente tivesse um ranking das manchetes mais bizarras, essa aí ia para o topo. Essa iria para o topo, na minha opinião.

Rodrigo Polesso: É… O artigo foi o seguinte, mas vocês terem uma ideia da onde eles tiraram essa manchete. O artigo diz… Não, o artigo dessa matéria ainda. O artigo que saiu na mídia, vamos lá. Eles dizem o seguinte. “Contudo, se você não consegue desapegar do pão branco ou nem mesmo trocá-lo por versões mais lights, como o integral ou a tapioca (que por sinal não são versões mais lights), saiba que existe um ‘truque’ divulgado por cientistas para fazer com que o pão branco deixe de ser engordativo, podendo até mesmo contribuir para o emagrecimento.” O tal truque, pessoal, que eles falam, é algo que a gente já sabe a muito tempo. É o fato de você por exemplo… Congelar amidos e descongelar, fazendo com que parte desse amido se torne resistente, ou seja, o índice glicêmico cai, desse alimento, no entanto, ainda será amido, ainda será pobre em nutrientes e ainda irá engordar bastante, além de dar um bônus que são gases. Bom, eles referenciam um estudo que testou isso com pães, especificamente. O estudo testou congelar e depois descongelar o pão, tostar o pão, congelar, descongelar e depois tostar, enfim, um monte de tipo de coisa diferente de fazer com o pão… Menos o pão fresco. E viu que essas alterações de preparo e armazenamento do pão diminui o índice glicêmico dele em comparação – digamos – ao pão fresquinho… Que levanta a glicose bastante no sangue. Então, olha só. O pão, a gente sabe que é uma das formas mais rápidas de se mal nutrir, eu diria. E ainda de tabela incentivar a resistência à insulina, não importa se ele foi congelado ou tostado. Mas esse estudo fez o seguinte… Manipulou o pão dessas formas que eu falei e viu que, depois de congelar e descongelar, o índice glicêmico dele diminuiu pouco comparado ao pão fresquinho porque parte desse amido se tornou amido resistente. Eles jamais disseram que isso ajuda a emagrecer. Isso continua engordando. Talvez engorde um tiquinho a menos. Continua sendo inútil para a saúde sim e jamais será emagrecedor como a manchete disse. Então, Dr. Souto, o que a gente fala sobre isso?

Dr. Souto: Vamos lá, Rodrigo. Primeiro, a manchete é uma manchete recente, sugerindo que isso é uma nova descoberta. O estudo em questão é de 2008. O estudo é de 2008! Então, o pessoal estava procurando e encontrou um estudo de 10 anos atrás. Está bem. O fato de ser de 10 anos atrás não torna o estudo bom ou ruim. Sou estou dizendo que é bizarro uma manchete atual como se tivessem feito uma grande descoberta.

Rodrigo Polesso: Está faltando notícia pelo jeito.

Dr. Souto: Segundo, a manchete diz: “Pão branco pode passar de engordativo a emagrecedor, afirma o estudo.” O estudo não pesou ninguém. O estudo simplesmente não refere o peso das pessoas. Não diz nem quanto elas pesavam antes, nem depois. O estudo não avaliou peso. É incrível!

Rodrigo Polesso: Avaliou pessoas. Avaliou o índice glicêmico.

Dr. Souto: Até tudo bem… Foi o índice glicêmico em 10 voluntários. Mas não se pesou ninguém… Não se mediu… Ninguém engordou ou emagreceu. Ele estava só tirando sangue das pessoas depois de elas comerem o pão fresco, depois de elas comerem o pão depois de recongelado e aquecido, e tal… E identificaram que houve uma diminuição do índice glicêmico. Mas eu repito. É inacreditável a manchete, porque eles… Eu vou repetir para vocês. “Pão branco pode passar de engordativo a emagrecedor, afirma estudo.” O estudo não pesou as pessoas. Era um estudo de exames de sangue. Então, a manchete merece sim ser a manchete mais bizarra. Tem aquele prêmio que é o Prêmio IgNobel… Tem o Prêmio Nobel e o Prêmio IgNobel… Que são as pesquisas mais bizarras. Essa pesquisa não é bizarra. Mas deveria ter um Prêmio IgNobel para a manchete mais bizarra essa aqui seria um grande concorrente. Bom, mas vamos adiante. O que o estudo mostrou? Ele mostrou isso que o Rodrigo disse que já é conhecido, que existem vários tipos de amido… Não são todos… Mas tem alguns tipos de amido que, quando nós os resfriamos, parte desse amido fica resistente à digestão. Então o índice glicêmico diminui. Ou seja, o quanto a glicose vai subir depois do consumo daquele alimento é o índice glicêmico e esse índice glicêmico está demonstrado nesse estudo, nesses voluntários, que diminui quando o pão é congelado e depois descongelado. Bom… Ele vai emagrecer por causa disso? Não, porque ele continua sendo uma grande fonte de carboidrato. Talvez, quem sabe, talvez… Se nós comparássemos um grupo com 100 pessoas consumindo pão branco fresco e 110 pessoas consumindo o pão branco esse congelado e descongelado, talvez um grupo engordasse mais e outro engordasse um pouco menos. Assim, é uma possibilidade. É a história que a gente sempre repete aqui, mas é uma analogia maravilhosa: do cigarro com filtro e do cigarro sem filtro. Só porque o cigarro com filtro é um pouco melhor do que o cigarro sem filtro, não significa que o cigarro com filtro seja bom para você. Então, só porque um pão que foi congelado e descongelado tem um índice glicêmico um pouco menor, não significa que ele emagreça. Vamos repetir uma máxima que eu sempre falo no blog… Já falei aqui. Nada que você coma emagrece.

Rodrigo Polesso: Exatamente.

Dr. Souto: É o que você não come que emagrece. Então, se você retirar o pão da sua dieta, você vai estar tirando uma grande fonte de carboidratos da sua dieta. Vamos entender isso de uma forma bem simples. É o que eu tenho utilizado para explicar para as pessoas em consultório. Imagine o seguinte. O corpo pode usar gordura e pode usar glicose como fonte de energia. A gordura e a glicose vão ser queimadas como fontes de energia nas mitocôndrias, lá na célula. É como se fosse a fornalha onde vai queimar. Então, vocês imaginem na cabeça. Façam a seguinte imagem mental. Uma fila… Uma fileira… Onde tem gorduras e glicoses esperando a vez para serem queimadas na mitocôndria. Só que a glicose tem cartão VIP. Ela tem prioridade. Ela fura a fila. Ela passa na frente. Sabe quando entram o embarque do avião e dizem assim… “Aqueles que têm o cartão Platinum entram primeiro”. A glicose tem cartão Platinum para a mitocôndria. Ela entra primeiro. Então, claro. Se eu tirar o excesso de glicose da dieta, a gordura passa a ter vez. A gordura consegue ser queimada. É assim que funciona no nosso corpo. Então, obviamente, se eu deixo de comer um monte de glicose… E o que que é pão? Pão é um monte de glicose. Eu facilito a queima de gordura no corpo – é simples assim! Não preciso nem falar de insulina, nem nada. É só pensar assim: a glicose tem prioridade. Se eu quiser queimar a gordura, eu preciso tirar a glicose do caminho. Vou comer menos glicose. Então, como diabos um pão menos ruim vai emagrecer? Um pão menos ruim tem uma chance menor de engordar. No máximo é isso. E mesmo assim teria que fazer um ensaio clínico randomizado comparando os dois tipos de pão e medindo o peso – coisa que esse estudo não fez. Então, é bizarro em tantos níveis. É tão bizarro…

Rodrigo Polesso: Outro aspecto disso, não é nem a respeito… Que eu acho mais preocupante, na verdade… Nem é a questão do peso, a questão de ser amido, enfim… É questão de ser alguma coisa desprovida de nutrientes. É basicamente inútil ao corpo humano. A gente refina a bendita da farinha branca lá a ponto de não ter mais nada para as pessoas não adoecerem… O que o governo faz? Obriga a galera a enriquecer essa porcaria dessa farinha branca com vitaminas sintéticas. Essas, por sua vez, a gente não sabe o impacto metabólico a longo prazo. Então, não é uma fonte de alimentação. Não é alimentação forte, que eu sempre falo que é alimento de verdade junto com densidade nutricional. É um vazio nutricional. É pura energia. E ainda de tabela, para muita gente, é tóxico por causa de toda a questão do glúten e tudo mais. Então, tem muitas facetas do mesmo problema.

Dr. Souto: Às vezes algumas analogias facilitam para as pessoas se darem conta. Então, assim… pão branco… Vocês sabem Karo com k? Aquele xarope de milho que vem num frasco… Um negócio de uma cor que parece um mel? Aquele Karo, com k, o xarope de milho que tem no supermercado… Aquilo é glicose pura de milho na forma líquida. Um xarope grosso. Pegar Karo e apertar na boca… Abrir a boca e virar o frasco de Karo e apertar dentro da boca é a mesma coisa, do ponto de vista nutricional que comer pão branco. É a mesma coisa. É glicose pura. A diferença é que o Karo é adocicado porque essas moléculas de glicose estão isoladas ali. E o pão não tem o gosto adocicado porque quando a gente emenda várias moléculas de glicose o nome muda, se transforma em amido e passa a não ter gosto doce, mas é a mesma coisa. Então, se você não acha que é legal espremer Karo dentro da boca, saiba que comer pão branco é a mesma coisa.

Rodrigo Polesso: Exatamente.

Dr. Souto: E sabe o que é pão preto? Pão preto é se eu pagasse casca de alguma coisa… Por exemplo, pegasse aquela casca que sobre depois de eu polir o milho, arroz e etc… E eu jogo a casca dentro do Karo. Então, eu vou pegar Karo e misturar com um pouco de celulose. Poderia ser papel picado também.

Rodrigo Polesso: Poderia.

Dr. Souto: Poderia. Então, o pão integral é mais ou menos como Karo com papel picado junto. Já o pão branco é Karo puro.

Rodrigo Polesso: Acho que essa adição dessas fibras do pão integral, no caso… Essa é uma outra discussão… Mas pode ser, na minha opinião, potencialmente até mais problemático do que o pão branco, no sentido até de prevenir absorção de até outros nutrientes de outros alimentos. Além de ser tóxico por si só, ele pode ainda prevenir a absorção de nutrientes de outros alimentos.

Dr. Souto: E ele tem o problema do autoengano, porque a pessoa acha que aquilo ali é uma coisa saudável… Pelo menos a pessoa que come pão branco come com uma certa culpa. “Eu sei que isso aqui faz mal, mas vou comer porque é gostoso.” O outro negócio a pessoa come achando que está arrasando… Que está fazendo uma coisa boa para sua saúde, então come mais pão ainda… E, ainda por cima, está… Vamos dizer… Autoengano. Eu acho que pelo menos o pão branco tem uma honestidade. Me lembrei do que eu ia falar. Além do que está comendo um troço que tem um gosto ruim. Se é para fazer mal para saúde… Eu acho isso. É uma coisa que eu defendo. Se é para fazer mal para a saúde, tem que ser gostoso.

Rodrigo Polesso: Faz sentido.

Dr. Souto: Vai comer pão? Come um croissant. Come um troço bom. Não vai comer um pão integral que faz tão mal quando o outro, mas ainda por cima não é tão gostoso.

Rodrigo Polesso: É verdade. Se for para ter um prazer, que tenha prazer.

Dr. Souto: Claro. Que seja na íntegra o prazer.

Rodrigo Polesso: Com certeza. E falando em prazer, chegou a hora de compartilhar o que você desgostou na sua última refeição, e eu acredito que não foi pão branco.

Dr. Souto: Não, não foi pão branco. A minha última refeição foi almoço. Foi uma coisa nada criativa. Foi bife com ovo. Bife com ovo frito. A gema tem que estar meio mole, Rodrigo. Porque dai quando a gente corta ela, escorre um negócio por cima do ovo… Por cima do bife… E transforma o bife numa alegria. Eu sei que tem gente que não gosta. Gosto é gosto. Mas uma geminha mole tem o seu valor.

Rodrigo Polesso: Sabe que a geminha mole de pode ser um dipping sauce. Tipo um molinho para você molhar a carne.

Dr. Souto: Pode. É muito bom também para molhar o tomate. Eu gosto de comer um tomate junto com o bife. Eu boto sal no tomate e aproveito para pegar o tomate com o garfo e dar uma… Passar no fundo prato para recolher o resto da geminha mole. Os vegetais podem também cumprir essa função nobre de recolher a gema. Para que que serve o aipo?

Rodrigo Polesso: É um utensílio.

Dr. Souto: É um utensílio. Uma colher com uma função de pegar o patê, por exemplo. Eu acho que os vegetais têm essa função de serem veículos mecânicos para trazer coisas gostosas para dentro da boca.

Rodrigo Polesso: Como eu tinha utensílios suficientes aqui em casa, hoje eu acabei não comendo legumes. Mas eu comi 350 gramas de fígado de boi que eu achei no mercado. Eu sai finalmente da Ásia. Agora estou aqui em Vancouver, no Canadá. No mercado eu encontrei. A primeira coisa que eu vi no açougue foi rim. Eu nunca comi rim e não sei nem como fazer. Mas eu sou curioso. Do lado dele tinha nosso amigo, suplemento natural, fígado de vaca cortadinho em formato de bife. Você bota frigideira com temperinho, fica bom demais. E um óleo de coco para fazer ele. Bom demais. De vez em quando eu posto e falo no Instagram lá. O pessoal às vezes te tageia, Dr. Souto, falando assim: “Dessa vez será que o Dr. Souto come? Será que ele vai te motivar dessa vez?” Rim provavelmente você não gosta também, né?

Dr. Souto: Rodrigo, há muitos anos atrás eu tinha um cachorro. Já morreu, mas ele morreu de velho com quase 18 anos. E o cachorro de vez em quando comia rim. Então, a gente cozinhava o rim numa panela tipo com água e o troço ficava um fedor na casa… Era cheiro de urina. Eu me lembro do cheiro desse negócio. Imagina que a cozinha ficava com cheiro de banheiro público.

Rodrigo Polesso: Agora que o pessoal não vai comer mesmo.

Dr. Souto: Então, se você quiser fazer um rim, eu não sei se sua namorada vai apreciar o perfume que vai se espalhar pela casa.

Rodrigo Polesso: Sabe que eu estou tentando gentilmente fazer ela gostar do fígado? Ela de vez em quando me pede: “Me dá só um pedacinho que eu misturo na carne moída e tento comer.” Ela também não é fã não. Mas eu acho o seguinte… Muito o que explica o desfavor do fígado assim no paladar das pessoas… Duas coisas. Na verdade, uma só. O nome, basicamente. Se o fígado fosse chamado de outra coisa, as pessoas talvez gostariam mais. Outra coisa que atrapalha é que as pessoas comparam um bife de fígado a um bife normal de carne. Ao comer carne de gado, eu espero uma consistência parecida, eu espero um gosto parecido. Aí quando você come uma coisa que quebra sua expectativa, que tem uma consistência, uma textura diferente… Ainda sim é um órgão, fígado… Mesmo não sabendo o que que é, você tem instintos. “Não vou comer fígado não.” Mas saiba que essa era uma das primeiras coisas comidas pelas populações tradicionais. Ainda é, na verdade. Inclusive os animais. Os lobos e etc. que matam suas presas vão direto nas vísceras. Então, o sortudo é aquele que pega o fígado. Acho que é uma coisa mais psicológica que a gente começa com uma expectativa baixa… Começa com nojo antes de provar o treco. Mas enfim, vou continuar na minha luta. Não vou desistir muito cedo não.

Dr. Souto: Perfeito, perfeito. Acho que você um dia vai conseguir.

Rodrigo Polesso: Vamos ver. Maravilha, pessoal. É isso aí. Esse episódio ficou divertido. Vamos chegando ao final dele, com certeza. Se você não garantiu seu ingresso para o Tribo Forte Ao Vivo 2018 para ver a gente lá com 12 palestras, Dr. Souto, eu e muitos outros palestrantes lá… Uma feirinha de produtos saudáveis também. Vai ser sensacional. Entra para dar uma olhadinha como que vai ser. É só entrar em TriboForte.com.br/AoVivo. Você vai ver todos detalhes lá e pode se juntar com a gente lá, fazer parte desse movimento sensacional. Maravilha. Com isso a gente fecha esse episódio. Dr. Souto, obrigado por mais esse nosso papo. A gente se fala de novo na próxima semana. Até mais.

Dr. Souto: Obrigado. Um abraço e até lá.

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