TRIBO FORTE #129 – LOW CARB ENCURTA A VIDA? ÓLEO DE COCO É VENENO? (O CONTO DO VIGÁRIO)

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Neste podcast:

  • Low Carb Encurta a Vida?
  • Óleo de Coco é Veneno?🙂

Escute e passe adiante!!🙂

Saúde é importante!

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🙂

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Referências

Estudo no The Lancet Sobre a Mortalidade na Low Carb

Artigo no Site BOL Falando Sobre o Óleo de Coco Ser Prejudicial

 

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá, olá! Bem-vindo ao podcast 127… 129, na verdade, aqui da Tribo Forte, sua dose semanal de saúde, estilo de vida, verdades científicas. A gente está aqui semanalmente para te ajudar a viver na sua melhor saúde e na sua melhor forma física e, claro, se proteger um pouco sobre as balelas que a gente vê por aí. E o episódio de hoje vai ser especificamente sobre isso. Teve uma tempestade de balelas nessa última semana e a gente vai falar um pouco sobre isso. Eu espero que você tenha curtido os últimos episódios que a gente postou aí de perguntas e respostas. O pessoal curte bastante, pede para a gente fazer. Sempre que possível a gente vai tentar incluir também episódios de perguntas e respostas para bater esse papo mais dinâmico com a comunidade. Bom, hoje a gente vai falar sobre a bendita notícia que saiu no mundo inteiro de que low carb encurta a vida. Olha só que coisa… Ferrou tudo agora. Não tem mais o que fazer. Estamos todos fadados a uma vida mais curta. Vamos ver um pouco mais sobre isso. E também, para variar, saiu outra balela bem recentemente, que é do óleo de coco. Agora ferrou também que é puro veneno. A mídia está disseminando isso também. A gente vai discutir um pouco da nossa pitada de opinião sobre isso aí. Para deixar você mais calmo, se você está desesperado aí… Também para outras pessoas que precisam ouvir essas coisas. Primeiro, dois avisos rápidos aqui. O evento Tribo Forte está chegando. Menos de um mês agora para o evento Tribo Forte. Vai ser incrível, como a gente já falou há muito tempo. Tem muito poucos ingressos disponíveis. Vai estar lotado lá, então vai ser sensacional. Se você quer tentar sua sorte e garantir um dos últimos ingressos, entre aí em TriboForte.com.br/AoVivo. Se você não garantiu seu ingresso ainda… Vai ser um marco. Vai ter uma feira de expositores bem bacanas para você testar os novos quitutes saudáveis… Para conhecer gente nova, fazer contatos. E, é claro, 12 palestrantes, os melhores do Brasil, com palestras e assuntos de grande interesse de todo mundo. Você vai sair de lá com a energia renovada e sabendo como levar para a vida inteira um estilo de vida realmente saudável, sem contar a inspiração, a energia toda do evento. Entre aí em TriboForte.com.br/AoVivo. Um segundo aviso para acabar aqui é que eu recebi agora da editora a proposta da capa do meu livro. eu estava na surdina escrevendo um livro há vários e vários meses, para quebrar o paradigma um pouco de dietas e tentar ajudar as pessoas a verem realmente a luz do estilo de vida saudável. Então, me mandaram já uma versão de proposta da capa do livro, que eu achei bastante bacana. Tanto o nome quanto a capa vão quebrar um pouco o paradigma. Então, tem um livro meu saindo em breve. Vai estar em todas as livrarias do país. Eu conto com a ajuda de vocês para se tornar um dos livros mais vendidos do país. Vou fazer o possível aqui para que isso aconteça também. E talvez tenha uma surpresinha antecipada para o pessoal que vai no evento Tribo Forte. Vai que seu consiga que a editora forneça alguns exemplares de edição limitada para o pessoal que for no evento disponível lá. Não vou prometer ainda, mas talvez dê certo isso. Vai ser uma edição limitada para quem for. É mais um benefício para quem estiver lá no evento a pouco menos de um mês. Tem várias novidades, muita coisa acontecendo. Muito trabalho, muitas noites de pouco sono, mas é tudo por uma boa, boa causa. Outra novidade também… Dr. Souto está aqui. Deixa eu dar as boas-vindas a este episódio. Dr. Souto está, nesse momento, sofrendo bastante. Dr. Souto fala da bela Itália com a gente. Como está por aí?

Dr. Souto: Está ótimo, Rodrigo. Na realidade, nem era para eu estar gravando podcast agora, mas acontece que sempre que eu tiro férias acontece uma crise no mundo da nutrição. Você já percebeu isso?

Rodrigo Polesso: É coincidência.

Dr. Souto: Boa noite. Boa noite para os ouvintes. Tudo tranquilo por aqui. Parabéns pelo negócio do livro. Para mim foi surpresa. Não sabia, mas com certeza é uma coisa que vamos ajudar a divulgar.

Rodrigo Polesso: Com certeza. Obrigado ao apoio de todos. É um movimento, uma causa que a gente tem em comum. Um tem que ajudar o outro mesmo para tingir quanto mais pessoas possíveis. Quando eu liguei para o Dr. Souto agora, ele falou, olha, Rodrigo… Nesse momento, ele está na Itália, como ele falou… Está de férias. E ele está sofrendo muito lá, porque só tem macarrão e pizza, né, Dr. Souto? Não tem alternativas. Inclusive, nesse momento você está degustando o quê? Conta aí para o pessoal.

Dr. Souto: Nesse momento é presunto cru, um queijo… Que eu nem sei qual é, mas é bom… São tantas variedades… A gente faz um uni duni tê, escolhe… É sempre bom. E um prosecco que já está pela metade… Vai ajudar a azeitar esse episódio.

Rodrigo Polesso: E como está sendo a alimentação aí? Está tranquilo? Comer alimentos de verdade?

Dr. Souto: É tranquilo. O pessoal que ainda não acompanha… Dá uma olhada no Instagram @jcsouto. Lá tem fotos de pratos de quase todos os dias aqui da viagem para o pessoal ver que é fácil de fazer em qualquer lugar do mundo. Poxa vida, quando se fala em dieta mediterrânea, as pessoas não pensam em peixe? Não pensam em azeite de oliva? Não pensam em vegetais? Não pensam em azeitonas? Não pensam em queijo? Então, quer dizer… Não precisa comer pizza e comer macarrão só porque está na Itália. Eu acho que isso é uma simplificação que seria o equivalente ao estrangeiro dizer que no Brasil só se come arroz com feijão. Isso seria um insulto para a culinária brasileira que tem tanta variedade e tanta riqueza. Eu acho que pensar só em macarrão e pizza é um insulto para a culinária italiana.

Rodrigo Polesso: Concordo plenamente. E não tem gangues de pizza e massa que ficam colocando goela abaixo das pessoas pizza e macarrão. Ou seja, tem opção. Você pode escolher. Ninguém obriga. Eu recebo direto pessoas falando… “Rodrigo, você não entende. Eu moro na Itália, aqui, com todas as massas e pizza é difícil fazer uma alimentação forte.” “Rodrigo, eu moro nos Estados Unidos. Aqui é muito difícil com todos os fast food fazer uma alimentação forte.” Larga mão de ser mimado.

Dr. Souto: Rodrigo, é difícil sempre que a gente não quer.

Rodrigo Polesso: É difícil quando você não quer. Exato. Então, não tem desculpa. Não tem desculpa, pessoal. Pelo amor de Deus. Vamos lá. Assunto de hoje hiper… Polêmico não, para nós não é polêmico. Mas deu muito bafafá não sei porquê. Mas algumas coisas sem explicação acabam tomando muita atenção da mídia. Saiu por exemplo… Saiu na Globo… “Cuidado! Pesquisa alerta dieta low carb pode reduzir a vida em 4 anos.” Saiu na Globo Televisão. A gente recebeu uma chuva de mensagens. Saiu no G1. “Dietas com pouco carboidrato e muita carne podem reduzir expectativa de vida.” Saiu em outro site que tenho na mão também: “Dieta paleolítica encurta a vida.” Os caras já estão mudando o tipo. Tem outra aqui… “Dieta low carb com restrição de carboidratos reduz expectativa de vida, indica estudo.” Saiu isso no UOL Notícias e até fora do país também saiu notícias a respeito disso, que low carb encurta a vida. Olha só que coisa. Agora… A gente vai falar um pouquinho sobre isso… Mas rapidamente… A gente não vai passar em muitos detalhes aqui, porque realmente é muito simples a análise disso tudo. Mas só para você entender qual é a origem desse bafafá… É um estudo que foi publicado recentemente. É o seguinte. É um estudo observacional prospectivo. Ou seja, jamais pode inferir causa e efeito, como você sabe… Ouvinte da Tribo Forte deve saber. No máximo, se for um estudo observacional de qualidade, pode levantar uma hipótese que pode ser testada depois ou não. Mas, para você entender, é um estudo observacional que basicamente analisou as respostas que 15.428 pessoas vêm dando a cada vários anos a um questionário alimentar desde o final da década de 80. Eles pegaram pessoas no final da década de 80 e a cada no mínimo 3 anos… Talvez 5 anos ou mais… Eles foram pedindo para essas pessoas responderem questionários alimentares como já falamos aqui, por exemplo… Quantas gramas de carne moída você comeu nos últimos 6 meses? Esse tipo de coisa que a gente sabe é um método bem impreciso. Depois de 25 anos de acompanhamento, eles viram que 6.283 dessas pessoas morreram. Com esses dados, eles começaram a fazer a sopa de letrinhas deles e as manobras estatísticas lá para tentar achar qualquer tipo de associação entre o que as pessoas comiam… Reportavam comer… E o risco de morte dessas pessoas. Então, é basicamente isso. Dr. Souto, vamos começar a discutir então. Acho que só com essa introdução quem já entende um pouco de método científico, de estudo nutricional já sabe que é uma coisa que não dá para embasar esse medo todo que foi passado pela mídia. E tem vários aspectos desse estudo que a gente pode ir comentando aqui para passar para o pessoal, acalmar o pessoal, dizer que realmente eu acho que a gente não precisa ter medo que low carb vai encurtar a vida de ninguém.

Dr. Souto: Rodrigo, são tantos aspectos que é difícil pensar por onde começar. Mas eu começaria pelo seguinte. Não é interessante o quase pânico mundial que se instalou? Porque assim… É impressionante. Deve ter acontecido com você, aconteceu comigo… O número de mensagens, o número de emails… O número de WhatsApps… Era o tempo todo, não parava. Eu estava aqui curtindo as minhas férias e daqui a pouco parecia que o mundo ia acabar. Eu digo, bom, será que saiu um novo ensaio clínico randomizado que mostrou um malefício de uma abordagem low carb? Será que nós vamos ter que mudar tudo o que nós pensamos? E aí, o que era? Era um estudo observacional! Pessoal, estudo observacional não estabelece causa e efeito. Qual é o problema do estudo observacional? O estudo observacional pode ter variáveis de confusão. Então, vamos imaginar o seguinte… Que eu pegue… Esse exemplo que eu vou dar quem deu foi o Dr. Luiz Correia, que é autor do blog Medicina Baseada em Evidência. Ele é um cardiologista, professor de cardiologia na Bahia. Um sujeito muito bem conceituado. Então, ele não é nenhum leigo que promove low carb. Ele é um professor de cardiologia da Universidade Federal da Bahia e ele colocou o seguinte. O problema da gente avaliar num estudo observacional mortalidade por todas as causas, que foi o que apareceu nesse estudo, é que, por exemplo… Imagina que a gente consiga fazer uma associação de que quando há um consumo maior de sorvetes há uma mortalidade maior por todas as causas. Acontece que as pessoas que comem mais sorvetes são as mesmas que se afogam mais. Por quê? Porque sorvete a gente come mais no verão, no verão está quente… A gente entra no mar e as chances de se afogar é maior. Mas quando a gente está vendo mortalidade por todas as causas, a gente acaba tendo que a variável de confusão oculta, que é o calor. Daqui a pouco vão estar dizendo que é o açúcar do sorvete que está aumentando a mortalidade das pessoas, mas não! Elas estão morrendo afogadas porque elas estão entrando no mar e o sorvete é um marcador de calor. Então, da mesma forma, se nós formos olhar esse estudo, para variar, o grupo esse que consumia menos carboidratos também era o grupo que fumava mais, era um grupo que era mais obeso, era um grupo que era mais diabético, era um grupo que era mais sedentário. Então, na realidade, o que as pessoas têm que entender? Faz 40 anos que se diz que as pessoas deveriam consumir pelo menos 60 das suas calorias na forma de carboidratos e deveria evitar carne vermelha e gordura como o diabo na cruz. Quem é o tipo de pessoa que lá nos anos 80 e 90, quando esse estudo foi feito, consumia pouco carboidrato e consumia mais proteína?

Rodrigo Polesso: Quem estava nem aí para a saúde.

Dr. Souto: É quem não está nem aí para a saúde, quem ignora as diretrizes. Por isso, nesses estudos, esse específico, não nos deu esses resultados. Mas tem vários outros que mostram que as pessoas que ignoram as diretrizes são as mesmas pessoas que morrem mais de mortes violentas, por exemplo. Por quê? Porque são pessoas que bebem mais do que o normal. São pessoas que dirigem sem cinto, que dirigem alcoolizadas. Quer dizer, são pessoas que têm um perfil de correr riscos. E, nos 80 e 90, dentro do perfil de correr riscos, estava ignorar as diretrizes. Eu vou dar outro exemplo para os ouvintes que acho que vai deixar mais claro. Sai um pouco fora da questão da dieta. Nós sabemos que fumantes jovens… Fumantes jovens têm uma mortalidade por todas as causas aumentada. Aí você diria, não, está bem, claro, cigarro faz mal para a saúde. Mas, Rodrigo, cigarro vai matar as pessoas não quando elas são jovens. Vai matar quando elas são mais velhas, porque aí elas vão morrer do coração, elas vão morrer de câncer de pulmão, câncer de pâncreas, câncer de bexiga. Agora, o cara com 30 anos, com 20 anos… Ele pode fumar à vontade que não vai aumentar a chance de ele morrer com 20 anos. Então, a pergunta é: por que homens de 20 anos, que são fumantes, morrem mais? Aí se você vai ver as causas pelas quais eles morrem… Eles não estão morrendo de câncer no coração… Isso vai acontecer aos 50, 60 anos de idade. Eles morrem mais de mortes violentas. O cara que fuma aos 20 anos, tem uma chance maior de andar armado, de puxar briga, de beber demais, de dirigir sem cinto, de dirigir bêbado…

Rodrigo Polesso: Andar de moto…

Dr. Souto: Ele é uma juventude transviada, vamos dizer assim. Esse cigarro é um marcador de “eu não estou nem aí para as diretrizes”, “eu não estou nem aí para essas coisas que estão dizendo”… “Fumar faz mal? Rale-se! Eu vou fumar igual.” Então, comer muita proteína, comer muita carne vermelha, comer pouco carboidrato, nos anos 80 e 90 é a mesma coisa. É um marcador de um tipo de pessoa diferente daquela que ouvia aquilo que as diretrizes falavam… E, bom, comia só vegetais, só carne branca, não comia gordura. Essa é uma pessoa que tinha uma chance muito maior de se exercitar, de controlar o peso, de não fumar. Então, é importante que o ouvinte entenda que um estudo observacional não consegue separar essas variáveis. Os autores dizem que fizeram o controle matemático para essas coisas. Quem quiser, procura lá no meu blog uma postagem chamada “o viés do paciente bem comportado”. Bota no Google “Souto dieta paciente bem comportado”. Vocês vão ali ver que houve um estudo que mostrou cabalmente que essa matemática do controle para essas variáveis é uma ficção. Isso não existe. É impossível controlar matematicamente até mesmo as variáveis que a gente conhece, quando menos as variáveis que a gente não conhece e podem estar influenciando. Então, esse estudo… Um estudo observacional… Ele pode levantar apenas hipóteses. Quem quiser também, dê uma olhada no meu blog. Bota lá: “Souto dieta referências bibliográficas”. Aí tem 4 postagens. A segunda delas comenta que alguns estudos são melhores do que outros. E explica a diferença dos experimentos – dos ensaios clínicos – para os estudos observacionais. Ali eu dou um exemplo que acho que vai calar fundo para muita gente que está nos ouvindo. O exemplo que eu dou é um exemplo real de um estudo que mostrou que ser da raça negra está associado com um desempenho ruim no ENEM. Bom, eu espero que qualquer pessoa que esteja nos ouvindo que essa é uma associação, não é causa e efeito. Não é a cor escura de pele que causa o desempenho ruim no ENEM. A cor escura de pele, no Brasil é um marcador de condições socioeconômicas desavantajadas, pela história do Brasil, pelo fato do negro ter sido trazido aqui como escravo para o Brasil. Nós sabemos que a população de raça negra tende a ter um ganho salarial menor, tende a ter um nível econômico sociocultural menor, e isso faz, obviamente, com que eles entrem no ENEM em desvantagem. Mas não é o fato de ser negro que causa isso.

Rodrigo Polesso: De forma alguma.

Dr. Souto: Eu imagino que nenhum ouvinte nosso acredite realmente que a cor da pele determina o desempenho. Mas se eu levar a sério esse estudo de Harvard, eu teria que levar a sério também o fato de… Ser negro torna a pessoa menos competente no ENEM. Se você não acredita que ser negro o torna menos competente no ENEM, você não pode acreditar que comer menos carboidrato vai fazer viver quatro anos a menos, porque a lógica é exatamente a mesma. Se você acredita que comer menos carboidrato o fará viver quatro anos a menos, você é um racista.

Rodrigo Polesso: Ótimo, e agora? É uma coisa interessante que eles falaram sobre esse estudo também… É que a mídia, como a gente sempre fala aqui, ela tende a usar palavras catchy, palavras que estão na boca da galera, para que as pessoas cliquem e olhem. A palavra que eles escolheram aqui foi low carb. Apesar do bendito estudo não ter o foco principal nisso, enfim… Ter outras variáveis de influência também, como o próprio Walter Willett que a gente sabe que está por trás desse estudo… Ele é uma pessoa que defende que gordura saturada e carne são demoníacas… Ele depende isso também. Então, tem variáveis assim. Só que a mídia passou que low carb encurta a vida… Outros canais de mídia falaram que dieta paleolítica também encurta a vida.

Dr. Souto: Esse da dieta paleolítica foi o mais bizarro de todos…

Rodrigo Polesso: Tiraram da manga isso aí.

Dr. Souto: Se quer estava esse nome no estudo. O estudo do Willett falava em baixo carboidrato, embora o que eles consideram baixo carboidrato seja menos de 37% de carboidrato. Normalmente, o que a gente considera baixo carboidrato é bem menos do que isso.

Rodrigo Polesso: É isso que eu ia dizer. Se você considerar o que a gente considera low carb, seria 100 gramas por dia… Exagerando 150 gramas… Pelo menos 20% das calorias, não 37%, não 40%. Então, nem low carb é.

Dr. Souto: É. Outra coisa é o seguinte. Essa coorte… Esse grupo de pacientes que está sendo acompanhado desde os anos 80 até agora não foi uma coorte que foi desenhada para acompanhar essa questão de low carb ou não low carb. E por que isso é importante? Porque quando nós começamos a fazer cruzamentos aleatórios de dados num banco de dados gigante, nós temos uma alta chance de achar alguma correlação matemática por puro acaso. Quem dar uma olhada na postagem mais recente do meu blog, onde eu comento esse estudo aí… Eu cito alguns estudos que fizeram correlações bizarras. Então, existe por exemplo um estudo que foi publicado… E ele era justamente para satirizar esse problema. Esse estudo pegou uma coorte de pacientes de câncer de próstata avançado e mostrou que nascer numa quinta-feira aumentava seu risco de morrer de câncer de próstata. Obviamente, pessoal, nascer numa quinta-feira não muda nada. O que acontece é… Para quem não está acostumado com estatística… Se eu jogar uma moeda para cima… Quanto porcento de chance eu tenho de ela cair cara? 50%, porque ela pode ser cara ou coroa. Se eu jogar uma moeda para cima, ela tem 50% de cair cara, 50% de cair coroa. Se eu jogar esta moeda para cima 10 vezes, ela, em média, deverá cair 5 vezes cara e 5 vezes coroa. Mas na prática não é o que acontece. Eu posso muito bem jogar uma moeda para cima 10 vezes e ela cair 8 vezes cara e duas vezes coroa. Isso não significa que a moeda está viciada. Isso não significa nada disso. É que o aleatório permite que coisas que aparentemente não são esperadas ocorram por motivos igualmente aleatórios. Por que estou dizendo isso? Se eu pegar um banco de dados onde eu avaliei inúmeros alimentos que as pessoas comem, inúmeras doenças que elas podem ter e acompanhei ela por 25 anos, é garantido, Rodrigo Polesso, que eu vou encontrar associações matemáticas por puro acaso que parecem extremamente improváveis… Como eu jogar uma moeda 10 vezes para cima e ela cair 10 vezes cara para cima… É possível isso acontecer? É! E é possível calcular no computador qual a chance disso acontecer. Se eu jogar algumas centenas de vezes 10 vezes para cima uma moeda, em determinado momento eu vou ter uma sequência de 10 caras ou 10 coroas. E isso não significa que eu sou mágico. Isso significa que coisas aparentemente improváveis acontecem, se eu tiver um número de cruzamentos muito grande, como nós temos no banco de dados do Walter Willett.

Rodrigo Polesso: Perfeito.

Dr. Souto: Seria diferente se se partisse de uma hipótese inicial, lá nos anos 80, de que uma dieta low carb aumentaria a mortalidade… E nós partimos dessa hipótese… Nós vamos fazer um estudo e acompanhar os pacientes. Não. Nós acompanhamos os pacientes e cruzamos todas as variáveis possíveis até… Veja bem, eles não dividiram em 4 quartis iguais o consumo de carboidrato. Eles foram dividindo até acharam um limite e esse limite foi em 37%. Não foi em 40, não foi em 30, não foi em 20, foi em 37%. Por que 37%? Eles não dão explicação disso no estudo. Não são quartis iguais. Não tem, por exemplo… Como se fossem 100 mil pacientes… 25 mil pacientes em cada grupo. Não, não é isso. Tem um grupo minúsculo com menos de 37% e um grupo gigante na faixa dos 55%. Essa divisão foi absolutamente arbitrária. É óbvio que um estatístico profissional ficou jogando com os números até achar um ponto de corte, no caso 37%, onde houve uma pequena diferença favorecendo o grupo high carb e desfavorecendo o grupo low carb… Lembrando que o grupo low carb também é o grupo que fuma mais, é mais diabético e é mais obeso. Quer dizer, esse estudo é lixo! É lixo total. E aí isso recebeu uma atenção da mídia absolutamente desproporcional. Na realidade, eu vejo… Não sei o que você acha… Eu vejo o seguinte. O movimento low carb está avançando, está avançando muito, está forte. Os ensaios clínicos randomizados que são os estudos que realmente nos importam estão todos mostrando benefício para o grupo low carb. E de repente sai um estudo, que embora observacional e problemático, mostrou uma coisa desfavorável a low carb e houve uma reação mundial no sentido, “Ufa! Finalmente alguma coisa que mostre que essa tal de low carb não é tão boa assim e aí a coisa recebeu essa mídia louca. De certa forma, a histeria mundial que esse estudo provocou… Eu acho que é um sinal dos tempos. Eu diria que é até algo positivo no sentido de mostrar que realmente nós estamos fazendo uma diferença, não acha?

Rodrigo Polesso: É. A resistência lutando. Mas uma coisa antes da gente fechar esse estudo. Tem uma coisa muito importante que saiu do estudo que foi uma associação em U. Para o pessoal entender, é basicamente o seguinte. Eles disseram que a menor chance de risco de morte por todas as causas está em pessoas que comem de 50% a 55% das calorias em carboidratos, sendo que se você comer menos que isso, você tende a ter maior risco, mas também se você come mais do que isso, você também tem maior risco. Então, se você tiver meio QI na cabeça, você vai entender que o carboidrato não é o que está causando o menor risco, porque as pessoas que comem mais do que 55% também morrem mais. Mas a parte que piora tudo isso é que se você for ver… E eu entrei no material suplementar do estudo para dar uma olhada… Como a gente falou, o pessoal que come menos que 50% são os que mais fumam, mais gordos, os que têm os piores hábitos. O pessoal que come mais de 60% de carboidratos é o oposto. É o pessoal que se cuida, são os mais magros, os menos diabéticos, que menos fumam. São pessoas exemplares, que menos comem comidas animais. Inclusive eu digo que têm uma grande semelhança com pessoas vegetarianas, que seria o que o Walter Willett gostaria de ter. E essas pessoas, apesar de todos os bons hábitos delas, ao comer mais de 60% de carboidratos morrem mais. Será que comer… Como que pode isso? Isso o pessoal não falou. Isso põe abaixo mais uma vez todo esse bafafá. É um ponto crucial.

Dr. Souto: Essa sua colocação foi muito boa. De uma forma geral… Isso não é uma coisa absoluta, mas de uma forma geral, se eu considero que uma coisa é causal para uma doença, eu não vou ter uma curva em U, eu vou ter uma reta ou uma curva ascendente. Curva em U, pessoal, é assim… Muito pouco daquilo é ruim e muito daquilo é ruim. É o que esse estudo sugere. Esse estudo diz que entre 55% e 60% de carboidratos é a menor mortalidade. Acima disso é pior e abaixo disso é pior. Isso não é característico em estudos observacionais de relações de causa e efeito. Eu vou explicar para ficar mais claro. Cigarro causa câncer de pulmão. Eu não tenho uma curva em U do cigarro e o câncer de pulmão. Não é assim: se eu não fumar nada eu tenho um risco alto de câncer de pulmão. Aí se eu fumar um pouco, eu tenho um risco baixo, mas se eu fumar muito eu tenho o risco alto. Óbvio que não é assim. Se eu fumar zero, meu risco é muito baixo. Se eu fumar um pouco, meu risco é mais alto. Se eu fumar muito, meu risco é mais alto ainda. Não é uma curva em U, é uma reta. Da mesma forma, nós podemos pegar outra coisa. Vamos pegar asbesto, que também dá câncer. Aquele negócio que é uma fibra… Que estava presente em telhas e coisas desse tipo. Se eu tiver uma exposição ocupacional ao asbesto, eu vou ter um risco maior de desenvolver determinados riscos de câncer. Não existe essa coisa. Se eu não me expor ao asbesto eu vou ter uma chance maior de câncer, mas se eu me expor um pouco ao asbesto eu vou ter uma chance menor e se eu expor muito ao asbesto eu vou ter uma chance maior. É ridículo isso. É evidente que a coisa melhor que existe é não se expor a nenhum asbesto. Eu poderia dar inúmeros exemplos. Pega veneno. Pega cianureto. Se eu me expor a zero cianureto, é melhor que se eu me expor a um pouco de cianureto, que é melhor do que se eu me expor a muito cianureto. Agora, obviamente não é uma curva em U. Se fosse uma curva em U eu teria uma chance maior de morrer com um pouco de cianureto… Com zero de cianureto do que com pouco cianureto. Vocês entendem? O que o Rodrigo quis dizer é o seguinte. É suspeito uma curva em U num estudo observacional. Isso significa o quê? Que o que eles estão pesquisando é uma variável de confusão. No caso a variável de confusão é: o paciente bem comportado. Por que que deu exatamente 55%, que é exatamente o que as diretrizes sugerem? Porque as pessoas que seguem as diretrizes tendem a ser o “Joãozinho do Passo Certo”. Elas tendem a ter outros comportamentos que esses sim, diminuem seu risco de morrer. São pessoas que vão mais no médico. São pessoas que tomam os seus remédios. São pessoas que usam cinto de segurança. São pessoas que não fumam. São pessoas que se exercitam. São pessoas que tendem a manter o peso, que não bebem em excesso. Essas são as mesmas pessoas que assistem o Bem Estar e comem 60% de carboidrato. 60% de carboidrato não as ajuda, evidentemente. Mas o resto do que elas fazem ajuda. E esse resto acaba compensando o malefício dos 60% de carboidrato. Isso é muito óbvio para quem conhece um pouco de medicina baseada em evidência e bioestatística. Agora, o pessoal da imprensa obviamente não tem noção do que está falando. Mas o pessoal da Escola de Saúde Pública de Harvard tem noção. Para mim eles têm noção e estão fazendo isso para quê? Eu não sei… Provavelmente para manter seus empregos, para manter seu discurso, para manter a coerência.

Rodrigo Polesso: Não só o pessoal de Harvard, mas tem gente graduada e aparentemente competente no Instagram também. Eu não vou citar nomes aqui. Mas um deles começa com P de pato. Gente que está usando aí um estudo fraco como esse, que a gente está falando aqui. Usando isso par provocar o pessoal de low carb e fortalecer seus próprios argumentos e pontos baseando numa porcaria de estudo como esse. Como alguém minimamente competente poderia colocar a sua reputação em cheque ao defender e usar um estudo tão fraco assim para embasar sua opinião? Qualquer um com o mínimo de conhecimento científico vai ver que isso é um absurdo. E lembrando que competência não se constrói com diplomas, se constrói com atitude e conduta no dia a dia. Então, abram o olho para esse tipo de pessoa que nem sabe que um estudo desse é inútil e não mostra de fato o que o pessoal está dizendo. Nem saber isso as pessoas sabem. Então, o que mais elas não sabem? Abra o olho. Estamos num momento de grande impacto das pessoas que seguem Instagram, Facebook, mídias sociais e estão espalhando o medo. Cuidado com pessoas que usam de argumentos tão fracos como este para disseminar e fortalecer suas ideias.

Dr. Souto: Você quer mais um último argumento, Rodrigo? É o argumento da chamada causalidade reversa. Causalidade reversa é o seguinte. Vamos imaginar que as pessoas que estão fazendo uma dieta low carb estão fazendo essa dieta low carb principalmente por dois motivos. Porque elas são diabéticas e estão tentando tratar, melhorar seu diabetes ou porque elas são obesas e estão tentando perder peso. Então, a dieta low carb pode ser um marcador de diabetes e obesidade. E é natural que essas pessoas talvez tenham uma mortalidade um pouco maior, tenham uma expectativa de vida um pouco menor. Se você é obeso, sua expectativa de vida é menor do que de uma pessoa não obesa. Se você é diabético, sua expectativa de vida é menor do que um não diabético. Então, se nós fizéssemos esse tipo de estudo, seria mais ou menos o seguinte. Eu chegar e dizer, olha… Pessoas que frequentam hospital morrem mais do que as pessoas que não frequentam hospital. Conclusão: você não deve nunca ir para um hospital. Obviamente, a pessoa que vai para o hospital está doente e se ela não fosse para o hospital ela morreria ainda mais. Agora, se eu pegar um estudo observacional, a mortalidade de quem frequenta um hospital é muito maior do que a mortalidade de quem não frequenta um hospital. Então, se você levar um tiro ou quebrar uma perna, é melhor ficar em casa?

Rodrigo Polesso: É a mesma lógica.

Dr. Souto: Vocês entendem quão louco é usar um estudo observacional para estabelecer causa e efeito? Está bem… Você aí que é economista, que é professor de geografia… Você que é, enfim… Engenheiro… Não a obrigação de entender imediatamente isso que nós estamos falando. Mas quem é médico, quem é nutricionista, quem trabalha com estudos científicos na área da biomedicina, têm que entender essas questões de metodologia científica, causalidade reversa, relações de causa e efeito, porque isso é o feijão com arroz da nossa especialidade.

Rodrigo Polesso: Exatamente.

Dr. Souto: É realmente espantoso o nível de pânico que se criou na comunidade low carb por causa desse estudo ridículo. Quem quiser, procure Dr. Luiz Correia na internet. Como eu já disse, é autor do excelente blog Medicina Baseada em Evidência. Vocês vão ver um vídeo que ele gravou onde ele diz nesses termos: este estudo é um estudo ridículo. E ele é talvez uma das maiores autoridades de medicina baseada em evidência. Ele é um cardiologista. Ele não é um fã incondicional de low carb. Simplesmente ele diz que é ridículo por estes motivos que nós estamos há 30 minutos aqui falando para vocês.

Rodrigo Polesso: Exatamente, exatamente. Então, pessoal, espero que tenha ficado mais claro qual é a posição. E você fique mais tranquilizado também. Agora, quem não está diminuindo sua vida em quatro anos é o caso de sucesso do dia… Para a gente já quebrar para o próximo assunto… Que foi mandado pela Silvia Matoso. Ela falou: “Dois meses de muita alegria sobre meu projeto de emagrecer de vez. Rumo aos 66 quilos. Muito grata a todos pela ajuda. Peso menos 9,3 quilos.” Mais um exemplo de uma pessoa que está mudando de vida emagrecendo de vez, melhorando sua saúde, comendo corretamente, sem controlar calorias, se sentindo muito, muito bem no processo, porque tudo é baseado em ciência. Ela está seguindo o programa Código Emagrecer de Vez. É só você entrar, para você fazer parte também, em CodigoEmagrecerDeVez.com.br onde não só você vai ver o que fazer semana a semana, mas também você vai aprender o porquê daquilo tudo funcionar, tudo baseado em ciência. Acredito muito em ensinar você o porque das coisas funcionarem e não somente dar as instruções do que fazer. Nesse caso, eu dou as duas coisas. É só você entrar em CodigoEmgracerDeVez.com.br. Sem risco de encurtar a vida. O risco, na verdade, é de ganhar muita vitalidade e ganhar o peso que você merece.

Dr. Souto: Sim, a única forma dessa pessoa que perdeu esse peso que você está falando encurtar sua vida, se ela agora está mais saudável, é sei lá, ela se jogar na frente de um ônibus.

Rodrigo Polesso: É, exatamente. Exatamente. Saiu agora mais recentemente outra porcaria que a gente prometeu falar aqui, que é sobre o óleo de coco. Óleo de coco é puro veneno? Saiu no UOL Notícias, saiu em vários lugares, saiu na mídia em geral. E eu também recebi mensagens de pessoas pedindo: por favor, fale sobre esse assunto! Quantas vezes eu e o dr. Souto já falamos aqui nesse podcast sobre o bendito do óleo de coco. Mas para você entender a origem desse bafafá atual é o seguinte: uma palestra que uma professora aparentemente competente, adivinha da onde? Da Escola Pública de Harvard, deu em julho na Alemanha. De acordo com ela o alimento óleo de coco é mais perigoso do que banha. E banha a gente sabe que é super saudável. Porque contém quase exclusivamente ácidos graxos saturados que podem entupir as artérias coronárias. Olha só, tudo isso a gente já sabe que não é verdade! “Óleo de coco é puro veneno porque contém bastante gordura saturada.” Isso mesmo, a mesma gordura saturada que já foi demonstrado por vários estudos ser potencialmente benéfica e nunca foi provado ser ruim, ao contrário do que eles estão dizendo, aquela mesma gordura saturada que está em 14% do azeite de oliva que é tão venerado e que também tem em boas quantidades no leite materno. Essa mesma gordura saturada. E na verdade o ponto dela, onde ela fala que o óleo de coco é tão ruim porque é pura gordura saturada e tem efeitos negativos parecidos com a mesma gordura animal. Graças à Deus que tem efeitos parecidos, porque a gordura animal é benéfica! Então, mais uma vez isso vindo à tona. O óleo de coco não consegue ter paz.

Dr. Souto: A repercussão que essa notícia do óleo de coco ganhou na mídia nacional ajuda a reforçar um pouco isso que nós estávamos falando de que realmente a mídia está tentando derrubar a popularidade da low carb. Porque esse assunto do óleo de coco que saiu agora não foi um novo estudo, não foi uma nova publicação científica. Foi simplesmente uma droga de um vídeo no YouTube gravado por uma médica de Harvard há alguns meses e que viralizou. Está bem que o vídeo viralize, mas isso tem que se tornar uma notícia no Globo.com, no Uol.com? Por que isso? Nós já falamos mil vezes aqui, na realidade… eu vou repetir o que eu já falei outras vezes. Óleo de coco não é assim a oitava maravilha do mundo. Óleo de coco não vai fazer você emagrecer. Você não precisa nunca usar óleo de coco, nem parausar como suplemento, nem para cozinhar. Eu particularmente não gosto do gosto do óleo de coco, eu não uso óleo de coco na minha casa. A única coisa para a qual eu uso óleo de coco é parareceita de quindim low carb da Poliana. Quem quiser olhe lá em Nutri das Panelas, vocês vão encontrar a receita de quindim low carb, que, aliás, eu acho que a Poliana também copiou, modificou a partir do pessoal do Senhor Tanquinho. Então paraisso o óleo de coco é bom. Então ele não é uma coisa que vai fazer você emagrecer. Não é nada disso. Mas ele é um bom óleo para cozinhar sim. Por que? Justamente porque ele é saturado, Rodrigo. Como assim? Pessoal, vamos lembrar da química orgânica, quem aí já fez Enem, quem já fez vestibular. O que torna uma gordura estável? É o fato dela estar com todas as suas ligaduras, todas as suas possibilidades de ligação covalente saturadas. Ou seja, estão todas ligadas com hidrogênios. Se eu tiver ligas duplas, aquilo ali é um ponto frágil que favorece a oxidação daquela gordura. E gorduras oxidadas são gorduras rançosas, são gorduras ruins, são gorduras tóxicas. Então se eu pegar uma gordura, quanto mais saturada ela for, menor é a chance dela se oxidar no processo de aquecimento e exposição ao oxigênio. Se eu pegar uma gordura poli-insaturada ela é extremamente frágil. Por isso que na comida de verdade a gordura poli-insaturada sempre vem com um monte de oxidantes. Então, quando você come uma castanha, quando você come uma amêndoa, aquilo tem gordura poli-insaturada, mas aquilo tem vitamina E, tem polifenóis, tem um monte de antioxidantes naturais que vêm junto. A natureza é sábia. Agora, quando a gente refina um óleo poli-insaturado, ele está presente em forma pura sem esses antioxidantes junto, fica dentro de uma garrafa plástica transparente exposto à luz. Quando a gente comparaisso no supermercado ele já está parcialmente oxidado. Aí a gente bota isso na frigideira e expõe à alta temperatura que é o que precisa para oxidar o resto. Isso não é teórico, isso está demonstrado, tem um monte de estudos mostrando isso. Se usar para altas temperaturas o ideal é usar uma gordura saturada, como manteiga ghee, como óleo de coco, como o azeite de oliva que é predominantemente monoinsaturado. O monoinsaturado ainda é resistente a oxidação, o problema é o poli-insaturado. O que é o poli-insaturado? É milho, soja, canola, girassol…

Rodrigo Polesso: Tudo que o pessoal usa, não é?

Dr. Souto: Tudo o que o pessoal usa. E usa por quê? Porque esses óleos não aumentam o colesterol. Sim, mas eles são oxidados e aumentam o estresse oxidativo e eles são gorduras inflamatórias. Então o fato da vida aqui é o seguinte: tudo isso é mecanismo. Em termos práticos: existe algum estudo (observacional que seja) que mostre alguma associação entre consumo de óleo de coco e desfechos ruins em termos de saúde? Eu respondo: não, não existe. Pelo contrário. E o que acontece quando as pessoas consomem óleo de coco no que diz respeito aos marcadores de risco cardiovascular, ao perfil lipídico? O colesterol total tende a aumentar, mas o HDL também aumenta, e a relação entre o colesterol total e o HDL melhora, diminui. E esta relação: colesterol total dividido por HDL é o melhor preditor de risco cardiovascular dentro do perfil lipídico comum dentre esses exames de sangue comuns. Colesterol total é o pior que tem. LDL é um preditor fraco. HDL está associado com menor risco, mas o melhor preditor para risco cardiovascular é colesterol total dividido por HDL. E o óleo de coco melhora esta relação. E os estudos observacionais das populações que consomem bastante óleo de coco, como as pessoas das ilhas do Pacífico, mostram uma redução da incidência de doenças cardiovasculares. Então, isso que essa doutora está falando é uma grande asneira. Ela está se baseando em hipóteses que não têm sustentação sequer em estudos observacionais. O mais espantoso dessa história toda não é a fulana ter falado isso. Porque tem gente que pensa isso porque não raciocinou muito bem. O mais espantoso não é isso. O espantoso é: ela falou isso e isso não é um estudo científico, não é um ensaio clínico randomizado, não é sequer um estudo observacional, é a opinião dela em uma palestra que viralizou no YouTube. E isso virou notícia no Globo.com. Quer dizer, basta algo… qualquer coisa ser contra low carb que isso vira notícia no Brasil hoje em dia.

Rodrigo Polesso: E não é porque ela falou em alemão que é verdade.

Dr. Souto: De certa forma isso me dá um certo otimismo. Eu acho que realmente o movimento deixou de ser tão periférico, deixou de ser um pequeno nicho e está se tornando mainstream. De modo que há uma necessidade de combate-lo com qualquer notícia por mais ridícula que seja, baseada em um vídeo do YouTube.

Rodrigo Polesso: É a resistência. Mas não tem problema, a gente continua munido com a boa ciência. E para finalizar esse podcast, por que você não fala o que degustou na sua janta (já que é noite para você aí)?

Dr. Souto: Pois então, Rodrigo, hoje eu até ia sair para jantar, mas em função da gente ter a nossa obrigação de jamais… Há quantos anos a gente faz esse podcast?

Rodrigo Polesso: Há 129 episódios!

Dr. Souto: Há 129 episódios não falhamos uma única semana. Então pela obrigação que a gente tem com os nossos ouvintes, a gente não saiu para jantar e estamos comendo aqui um presunto cru. Presunto cru, pessoal, para quem não conhece, não é essa coisa que a Sadia vende no supermercado. Aquilo é um apresuntado, aquilo é um aglomerado de restos de cortes de porco que foram agregados com um pouco de amido, com um pouco de hidroxi metil celulose e proteína isolada de soja. Presunto cru é algo que eu fui na esquina aqui na Itália… literalmente aqui na esquina, em um bairro periférico de Taormina aqui na Sicília. Então quer dizer que não foi em uma loja de delicatessen. Era o boteco da esquina. O cara pegou um negócio que obviamente era um pedaço de uma perna de um porco inteiro. E aquilo ali ele fez fatias fininhas. Quer dizer, é um pedaço de um pernil de um porco curado e fatiado. Isso é o presunto cru, é um negócio sensacional. Um presunto cru e um queijo. Foi isso aí porque não precisa nada mais do que isso para a gente matar a fome em uma noite onde a gente resolveu não jantar.

Rodrigo Polesso: Perfeito. Agora, acabando esse podcast… que eu também estava planejando almoçar, mas como é a nossa obrigação gravar o podcast o almoço ficou para mais tarde. E adivinha? Não estou morrendo de fome. Que maravilha o pessoal que faz alimentação forte! Vou comer uma baita de uma costelinha de porco no forno, que é uma das minhas sobremesas favoritas com certeza! Vou degustar muito aqui. De novo: siga a gente no Instagram, pessoal! Dr. Souto: @jcsouto e eu: @rodrigopolesso. Siga a gente lá e continue fazendo parte desse movimento que a gente só tem a melhorar daqui para frente, como sempre. E entre lá em TriboForte.com.br, se torne um membro. Entre lá também e clique em Evento Ao Vivo e venha encontrar a gente ao vivo agora em menos de um mês em São Paulo. Esse movimento está crescendo, está forte demais! Mil pessoas na sala, vai ser incrível, pessoal! A gente não vê a hora de ver vocês, de ver todo mundo lá. Então é isso aí, vamos fechando esse podcast. Passem para todo mundo, passem no WhatsApp o link disso aqui para galera e vamos espalhar o que realmente faz sentido, sem espalhar medo sem fundamento. Um abraço para todo mundo. Obrigado, dr. Souto. A gente se vê na próxima!

Dr. Souto: Um abraço e até a próxima!

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