TRIBO FORTE #131 – CARNES E LATICÍNIOS GORDOS, GORDURAS E DIETA VARIADA

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

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Neste podcast:

  • A gordura não é o problema!! A maré está mudando de dentro pra fora e mais…
  • Até dinossauros estão mudando de direção… os bons dinossauros, claro ehehe…

Escute e passe adiante!!🙂

Saúde é importante!

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🙂

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Casos de Sucesso do Dia

Monica

 

 

Referências

Manchete Portuguesa

Artigo no Site G1 Sobre Dieta Diversificada

 

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá! Bom dia, boa tarde para você. Bem-vindo a mais um episódio da Tribo Forte. Esse é o episódio número 131. 131! A gente está aqui semanalmente passando para você aquela dose que você está acostumado já de boa ciência, de informação que pode te ajudar a viver o melhor estilo de vida saudável e também na sua melhor forma e na sua melhor saúde. Hoje a gente vai revisitar um tópico aqui sobre gordura. Tem uma pessoa bastante – digamos – influente… Um insider, digamos assim, que acabou se posicionando de forma até surpreendente a respeito dessa questão da gordura. Vou explicar para você o que que é. E também uma palavrinha sobre dieta diversificada. Variedade na dieta. O que a gente pode fazer sobre isso? Será que é mesmo o que a gente acha que é? Bom, vamos ver mais sobre isso também. Primeiro, deixa eu dar as boas-vindas ao Dr. Souto a esse novo podcast. Tudo bem?

Dr. Souto: Tudo bem, Rodrigo? Boa tarde ou boa noite para você e para os ouvintes.

Rodrigo Polesso: Isso aí, para todo mundo. Seguinte… Antes de começar com o primeiro assunto, que é esse posicionamento interessante sobre a gordura… Eu acabei de entrar no podcast com o Dr. Souto aqui e ele me falou… Lembra que no podcast passado a gente falou sobre aquele estudo observacional… Uma avaliação do PURE falando que gorduras… Vamos voltar atrás… Rebobinando a fita aqui, olha só… Final do dia, cansado, o cérebro para de funcionar, pessoal. Olha só… Há pouco tempo atrás a gente falou no podcast aqui daquele estudo, daquela porcaria que saiu dizendo que low carb encurta a vida em 4 anos. A gente tira tanto sarro disso e ainda tira até hoje. Mas enfim… Uma semana depois saiu outro estudo observacional tão ruim quanto… Até arriscado dizer que é um pouco melhor pelo tamanho… Um pouco mais parrudo que o outro, mas enfim, outro estudo observacional apontando opinião oposta a essa. Disse e não disse. Agora, a gente falou… Quando é para condenar low carb, todo mundo dissemina. Então, virou um caso. Parecia uma guerra na internet, com pessoas mandando torpedos para cá e para lá pedindo para a gente comentar sobre o low carb que encurta a vida. Agora, quando saiu o outro estudo falando bem, nesse caso, de carnes, queijos e gordura… Falando bem de low carb… Aí quase ninguém disseminou essa informação…

Dr. Souto: A internet foi tomada por som de grilos.

Rodrigo Polesso: Sons de grilo dominaram a internet. Mas eu entrei na conversa do Dr. Souto… “Você viu?” A gente comentou no podcast passado que não tinha saído, mas eu recebi aqui uma manchete que saiu em Portugal. Dr. Souto. Conta para a gente que lá pelo menos eles passaram essa manchete.

Dr. Souto: Então, lá eles passaram a manchete, mas eles passaram a manchete quase pedindo desculpa. Olha que legal. Eu vou ler para vocês a manchete. É da revista Visão, revista de Portugal. “Quem diria: carne vermelha e queijo podem ajudar na saúde cardiovascular”. Por que que quando saiu um estudo bizarro falando que low carb reduziria sua expectativa de vida em 4 anos não saiu “quem diria: low carb pode diminuir sua expectativa de vida em 4 anos”? Tipo… Eles colocam, “Eu já sabia! Vocês viram como esta dieta é ruim?” Agora quando é um estudo tão observacional como aquele outro dizendo que carne vermelha e queijo ajudam na saúde cardiovascular, a manchete começa com “quem diria”. Então, vocês veem o tratamento diferencial que a mídia dá. Primeiro aquilo que o Rodrigo falou. Quando saiu aquele outro estudo, parecia que o apocalipse tinha chegado. Os Cavaleiros do Apocalipse vieram nos seus cavalos alados tocando trombetas no céu dizendo que a gente ia viver menos porque estava trocando o pão pelo salmão. E isso saiu em absolutamente todos os portais de notícias, todos os principais jornais, inclusive nos telejornais de várias emissoras, não só da Globo. Aí saiu outro estudo uma semana depois… Como o Rodrigo bem disse, é um estudo maior, mais robusto e dizendo o contrário, e é som de grilo. Olha, eu tinha visto em inglês um ou dois jornais Britânicos colocaram a notícia. Em português, no Brasil, não tinha visto nada… E leitou me mandou… Leitor português mandou esse link. Mas a parte mais engraçada, pessoal, vem agora. Eu vou continuar lendo o primeiro parágrafo da reportagem. “Não somos nós que dizemos e até nos espantamos por publicar estas conclusões. Mas a verdade é que um estudo de investigadores canadenses, envolvendo milhares de pessoas de 50 países, chegou à conclusão de que comer carne vermelha e laticínios diminui a probabilidade de morte prematura.” Então, pessoal, olha só… Quando é para dizer que low carb faz mal, é uma festa. Basicamente, o pessoal está dançando, soltando foguete… “Viu? Viu? A gente sabia!” Agora, quando é para dizer que low carb faz bem… A reportagem… É uma revista séria. A revista Visão é a revista semanal mais importante lá de Portugal. É uma revista séria. Começa… “Não somos nós que dizemos.” Tipo assim… “Desculpa, tá? Não somos nós que estamos dizendo. Saiu um estudo aí. Mas, pessoal, desculpa, tá? Não somos nós que dizemos e até nos espantamos.” Depois ainda vem mais uma parte. “Andamos há anos a ouvir dizer que a gordura presente na carne vermelha e em alguns laticínios não é compatível com um coração saudável. Há anos que, por isso mesmo, tentamos evitá-los, procurando esquecer o bem que nos sabem – conseguimos dizer não a um suculento bife ou deixamos de lado um belo pedaço de queijo da serra.” E por aí segue.

Rodrigo Polesso: Que história triste.

Dr. Souto: É incrível porque a mensagem que nós queremos deixar para você, ouvinte, é que estudo observacional não estabelece causa e efeito. Nós não fizemos uma grande fanfarra quando esse estudo aqui saiu porque ele é um estudo observacional. Da mesma forma que esse aqui não é o que define para nós que queijo e carne não tem problema, aquele outro não é o que define para nós que quem come queijo e carne vai morrer 4 anos mais cedo. Os dois são estudos observacionais. Eles servem apenas e exclusivamente para levantar hipóteses, que podem ser testados em ensaios clínicos. A única forma de saber quem tem razão… Se aquele estudo da outra semana ou esse… É pegar um número grande de pessoas, sorteá-las… Metade para fazer um tipo de dieta… Metade para fazer outro tipo de dieta… Acompanhar por vários anos e aí nós vamos saber. Enquanto isso não for feito, nem quem diz que faz mal e nem quem diz que faz bem tem razão baseado nesse tipo de estudo. E aí, o que a gente pode fazer? A gente pega os ensaios clínicos randomizados que já existem. Tudo bem, nenhum deles dura mais que 3 anos. Então, o que nós podemos dizer é o seguinte… Por até 3 anos, uma dieta com menos carboidratos refinados e que, portanto, tenha a presença da carne e do queijo, está associada com remissão de diabetes, remissão de síndrome metabólica e perda de peso. Ora… É pouco provável que uma pessoa que tenha perdido peso, que tenha revertido seu diabete e que tenha revertido sua síndrome metabólica vá viver menos por causa disso. Na ausência de qualquer estudo de mais longo prazo… E veja bem… Também não tem estudo mostrando que dieta de baixa gordura é boa no longo prazo. Então, estudo longo positivo, mostrando benefício, não tem para ninguém. O único que tinha era o da dieta mediterrânea, que era o PREDIMED… E o estudo da dieta mediterrânea foi retratado… Foi retracted esse ano por uma série de problemas. Foi republicado com as mesmas conclusões, mas o pessoal perdeu um pouco a fé. E aquele estudo mostrou que uma mediterrânea com mais gordura era melhor do que uma dieta de baixa gordura. Então, o que nós temos é pouca evidência de longo prazo para tudo. Então, se nós temos pouca evidência de longo prazo para tudo, por que nós vamos privar as pessoas de uma intervenção que num prazo mais curto lhes traz benefício? Sendo que a intervenção que as diretrizes propõem não traz benefício nem a curto prazo. E no longo também ninguém sabe. Vocês entende, a lógica? Eu vou dizer para não fazer uma coisa que no curto prazo ajuda. E o que eu digo para fazer no lugar? Algo que a gente também não sabe se no longo prazo ajuda, mas que nós sabemos que no curto prazo também não ajuda. Então, se eu não tenho nenhuma evidência no longo prazo, mas para o curto eu tenho que low carb é bom… Bom, então o default deveria ser o low carb até que alguém se digne a fazer um estudo de low carb no longo prazo. Por que o default vai ser algo que também não tem evidência para o longo prazo? O que eu quero dizer com “algo que não tem evidência para longo prazo? Dieta low fat, pirâmide alimentar. Não tem evidência de benefício para longo prazo. E não tem evidência de benefício nem se quer para curto. Pelo menos a low carb tem para curto prazo. Essa é a situação da ciência em 2018.

Rodrigo Polesso: Exato. Exatamente. É dureza. Mais uma vez a gente vê a parcialidade na imprensa na forma como eles passam esses conteúdos, quando passam. O mero fato de você omitir esse tipo de notícia já mostra o quanto que a influência… Opiniões têm sobre a ciência. Acaba colocando abaixo a própria base do método científico. Mas olha só… Enfim… Agora quem resolveu abrir a boca e dar seu posicionamento oficial a respeito de gordura foi o Dr. George Lundberg. Para você ter uma ideia, esse Dr. George Lundberg é um cidadão grisalho, com a aparência bastante experiente… Foi editor do jornal JAMA, um jornais mais conceituados que a gente conhece, por 17 anos. Ele foi professor de medicina em várias universidades nos Estados Unidos, incluindo a Universidade da Califórnia, Harvard e Stanford também. Ele fala abertamente em vídeo… No dia 24 de agosto agora. Ele publicou isso numa coluna no site Medscape. E o seguinte… A mensagem é… O problema não é a gordura. Ele fala que tanto ele quanto os colegas médicos dele sabem muito pouco de nutrição. E ainda ele diz que é incrível como nós proibimos o consumo de categorias inteiras de gorduras baseado em tão pouca evidência. Ele aproveita e venera também o trabalho do Gary Taubes, que a gente fala tanto aqui, com o livro Good Calories, Bad Calories… Do Gary Taubes. Para finalizar o posicionamento dele, ele ecoou algumas mensagens principais do próprio livro do Taubes. E depois ele finaliza dizendo que essa é a posição dele agora a respeito desses assuntos. Ele fala as seguintes conclusões. “A gordura da dieta, seja saturada ou não, não é a causa da obesidade, doença cardíaca ou qualquer outra doença crônica. A obesidade é um problema… Do excesso de acúmulo de gordura, não de comer demais e não de um comportamento sedentário. O excesso de consumo de calorias não causa o aumento de peso mais do que uma criança comendo bastante calorias causa o crescimento da criança. E gastar mais calorias, mais energia do que consumimos também não leva você a perder peso no longo prazo. Leva sim a sentir fome.” Essas basicamente são as conclusões dessa pessoa extremamente influente… Como ele mesmo se chama… De um insider… Uma pessoa que ensinou médicos… Docente de uma das maiores universidades dos Estados Unidos. E também foi editor de um dos principais jornais por 17 anos e ele mesmo assume o erro. Ele assume ter feito parte de um conundrum… Uma organização contra o próprio colesterol… De propor… De espalhar a informação contra colesterol no passado. E hoje ele se retrata com muita coragem, eu diria, dizendo exatamente isso que eu acabei de falar para vocês. E tem um link dele falando isso em vídeo direto para a câmera também. É uma ação louvável dessa pessoa, Dr. Souto. E mais uma vez uma prova que até mesmo dos dinossauros podem mudar.

Dr. Souto: É. Eu achei muito legal. Uma coisa muito digna. O sujeito… Como você disse, ele é um cara grisalho, experiente… E que foi um cara muito importante. Editor da revista da Associação Médica Americana. Direto de curso de medicina de grandes universidades. E esse cara chega nesse momento, lê o Good Calories, Bad Calories e diz assim… “Cara, eu estava errado todo esse tempo.” Em determinado momento no texto ele diz assim, “É incrível como um jornalista lendo esse monte de evidências que estava disponível para todos nós conseguiu chegar a conclusões completamente distintas.” É incrível no sentido de como nós podemos ficar tão cegos em relação a isso por tanto tempo. Então esse sujeito para ser a exceção… Para contradizer aquele ditado de que as pessoas não mudam de opinião… O que vai acontecer é que elas vão se aposentando e morrendo e outras mais jovens vêm com outra cabeça. Não, de vez em quando alguém tem a honestidade intelectual de resolver a sua dissonância cognitiva da forma correta. Porque a dissonância cognitiva, lembrando, pessoal, é a gente abrigar na cabeça duas ideias incompatíveis ao mesmo tempo. Então, uma delas é assim… Eu sou um cara excelente. Eu fui professor nas melhores universidades. Eu fui editor nas melhores revistas científicas. Portanto eu sou extremamente competente. Eu estou correto. Aí no mesmo cérebro está o seguinte. Tudo o que a gente pensou e aprendeu sobre nutrição nas últimas décadas está errado, porque eu li o livro do Taubes e cheguei a essa conclusão. Bom, eu não posso abrigar essas duas ideias na mesma cabeça ao mesmo tempo. Infelizmente, a dissonância cognitiva costuma ser resolvida da seguinte forma. “Não, esse Taubes é um louco. Ele é um mero jornalista. Eu não vou dar bola para isso. Imagina. Eu que estou certo. Eu e todo os outros médicos e nutricionistas sempre afirmamos que a gordura faz mal.” Não. Ele resolveu da forma correta. Ele resolveu fazer o mea culpa. “Olha, eu estava errado.” Ele resolveu a dissonância cognitiva assumindo o erro. E confessando isso num vídeo, olhando para a tela, que saiu num portal de notícias médicas muito importante, que é o Medscape. Eu achei sensacional. Isso é um negócio que deveria ser encaminhado para cada diretor de cada universidade de cada curso de nutrição e de medicina.

Rodrigo Polesso: Sim. É verdade. Mas um exemplo que está mudando de dentro. Eu espero que as pessoas não vão… Os colegas dele não vão desmerecer ele ou questionar a credibilidade dele. Ele está ficando velho já… “Já não sabe o que diz esse velho”. Eu espero que ele tenha a atenção que merece, porque realmente é louvável uma atitude dessa, de uma pessoa que foi tão influente. Ainda é ativa nesse cenário médico no mundo inteiro. Mais uma vez fica aí o alarme gritante de quão errada a coisa está… De quão incrível a coisa está. Inclusive, ele menciona como ele já falou várias vezes aqui, Dr. Souto, que esse tipo de aberração científica parece acontecer somente com essa frequência na ciência da nutrição. Ele compara com outras ciências e fala que parece que as coisas não acontecem da mesma forma. É aquela coisa livre de evidência.

Dr. Souto: Se eu fosse um aluno de sociologia, alguma coisa assim… Eu faria uma tese sobre isso. O que acontece com a nutrição? Por que a nutrição tem isso tão forte, diferente das outras ciências da saúde? Por que somente a nutrição resiste tão à mudança? A maioria das outras abraça a mudança. Dentro da medicina, a mudança é considerada progresso. Dentro da nutrição é considerada heresia.

Rodrigo Polesso: Boa. Muito boa. Exatamente isso. Caramba. Mas não para quem escuta a gente aqui. Olha só. Vamos falar um pouco sobre dieta variada. Uma dieta variada, diversificada, muito importante, né? Ok. Antes de falar disso, só um break rápido aqui para a gente se lembrar do caso de sucesso de hoje, que foi mandado para a gente pela Mônica. A Mônica fala o seguinte. Ela se surpreendeu com os resultados após 56 dias dentro do programa Código Emagrecer de Vez. Ela disse no fórum que ela eliminou 7,2 quilos e muitas medidas, como 17 centímetros de abdômen, 16 de quadril, 10,5 de cintura, entre outras. E além disso ela também disse que ganhou 4 quilos de massa magra. Ela está muito feliz porque ela pratica já a musculação há muito tempo, mas nunca teve resultado parecido, tanto na massa magra quanto nas medidas. Excepcional isso aí. Mais massa magra, menos gordura, menos medidas, mais saúde, tudo em 56 dias. Para que precisa de estudo de longo prazo quando as pessoas têm benefícios tão grandes se sentindo bem no curto prazo? É de se pensar as coisas em contexto, Dr. Souto. Não dá para ter uma visão muito míope das coisas. Acho que no contexto de tudo, se a gente for analisar o que acontece quando as pessoas começam a comer comida de verdade, a gente chega a uma conclusão rapidinho que parece que esse é o caminho.

Dr. Souto: É aquela coisa… Obviamente seria bom ter um estudo de longo prazo. Eu acho que à medida que o paradigma for mudando daqui alguns anos, daqui algumas décadas… Um NIA de americano… Um CDC… Alguém vai botar dinheiro e fazer finalmente esse estudo para botar uma pá de cal nesse assunto, mas até que isso ocorra nós temos que nos basear na melhor evidência disponível. E a melhor evidência disponível é o quê? Aquilo que traz a melhora imediata. Aquilo que traz a melhora logo. Seria mais ou menos como quando a gente usa medicamentos. Então, sim. Seria bom ter estudos de longo prazo para ver o efeito daquele medicamento sobre a mortalidade dos indivíduos. Mas até que a gente tenha isso, a gente vai se basear nos estudos de mais curto prazo mostrando que aquela medicação traz benefício, ao invés de propor algo que não tem benefício nenhum. Basicamente… Vamos pegar essa analogia que eu fiz… Imagina um estudo que mostra que um determinado remédio traz benefício em 5 anos. Mas eu não tenho um estudo mais longo para ver se ele muda a mortalidade nos indivíduos. O outro braço do estudo é placebo. Quer dizer, o placebo não tem efeito nenhum. Na nutrição, é como se as pessoas dissessem assim… Nós temos uma dieta low carb que traz benefícios em até 3 anos. Mas nós não temos um estuo de 15 anos para saber se traz benefício na mortalidade. Então, vamos usar o placebo. Com remédio a gente não faz isso. Se a gente tem uma medicação que é eficaz em alguns anos, bom, até que saia um estudo mais longo, a gente não usa o placebo, a gente usa o remédio que é eficaz. A dieta da pirâmide alimentar, a dieta de baixa gordura e baixa caloria, é o placebo. A gente sabe que ela é ineficaz. Então, para que propor o placebo se nós temos um tratamento ativo e eficaz, que á a low carb – provado por ensaios clínicos randomizados. É isso que eu não entendo. Estou sendo repetitivo porque não entendo, Rodrigo.

Rodrigo Polesso: Não dá para entender. Outra coisa. Se a gente estudar a alimentação humana no planeta Terra, a gente vê que naturalmente uma alimentação baseada em alimentos de verdade… Até porque não existia indústria… Tente a ser, na maioria das vezes, mais baixa em carboidratos… Nem se compara com o que é hoje em dia. Se a gente não acreditar que essa alimentação natural do ser humano no planeta Terra não é a melhor coisa para a gente, qual é a alternativa? A alternativa é que nós somos alienígenas e que uma outra dieta alimentar é melhor para a gente. Se você não acredita que você é alienígena, você precisa acreditar que essa é a melhor dieta para nós.

Dr. Souto: Vamos combinar que pelo menos é um bom ponto de partida. Na ausência de evidências, de estudos randomizados que durem 10 anos… Bom, vamos usar bom senso e os estudos mais curtos.

Rodrigo Polesso: É. Com certeza. Olha só. Dieta variada. Saiu no G1, no fatídico Bem Estar… Que a gente já passou algumas vezes aqui no podcast, mas enfim… O título da manchete é o seguinte. “Fazer uma dieta diversificada não é necessariamente o mais saudável, diz entidade americana. American Heart Association afirma que conselho da diversidade na alimentação induz a ingestão de comidas não saudáveis.” O artigo do Bem Estar diz o seguinte. “Na verdade, a chamada diversidade leva à ingestão de alimentos que deveriam ser evitados — como doces e carne vermelha — o que contribui para uma maior ingestão de calorias.” A melhor recomendação, segundo a entidade Associação Americana do Coração, nessa revisão que eles estão ecoando aqui, é que você coma mais frutas, legumes e verduras; prefira feijões e cereais integrais; escolha produtos lácteos com baixo teor de gordura (olha só o medo da gordura sempre); opte por nozes (que são ricas em gorduras), aves e peixes; limite o consumo de carne vermelha (por quê?); evite doces e bebidas açucaradas. E as conclusões da revisão da American Heart Association são as seguintes. “Não há evidências de que uma maior diversidade alimentar global promova o peso saudável ou a alimentação ideal (isso eu concordo em gênero, número e grau). Não existe nenhuma prova para se ecoar essa recomendação de ter uma alimentação diversificada.

Dr. Souto: Harvard prova que até um relógio parado está certo duas vezes por dia. Até um relógio estragado de vez em quando acerta. Então, assim… Eles estão certos. Eu concordo em gênero, número e grau que uma dieta não precisa ser tão diversificada. Se a gente diversificar demais, obviamente a gente vai comer porcaria. Se uma pessoa comer um dia uma carne, um dia um peixe, uma saladinha e aquilo for a dieta dela sempre, todos os dias, provavelmente ela vai estar fazendo uma dieta maravilhosa. Enquanto que se cada vez tiver que ser uma coisa diferente, chega uma hora que vai ter macarrão, chega uma hora que vai ter pão. Agora, é só eles começarem a dar os exemplos que eles viram Harvard. Veja bem, eu nem vou entrar no assunto da carne vermelha que pelo menos tem alguma celeuma. Tem alguma celeuma porque tem estudos observacionais que envolvem a carne vermelha com problemas. E tem outros estudos observacionais, como esse que citamos hoje, que dizem que a carne vermelha está associada com bom desfechos de saúde. Como a gente já falou mil vezes aqui, estudo observacional não estabelece causa e efeito e não deveria basear condutas de saúde pública – especialmente quando tem ensaio clínico mostrando o contrário. Agora, vamos falar dos laticínios, Rodrigo. Laticínios gordos. Todos os estudos, todos… Os observacionais e os ensaios clínicos… A totalidade da literatura diz que os laticínios gordos são melhores que os laticínios magros.

Rodrigo Polesso: E qual é a recomendação?

Dr. Souto: E Harvard fala essa porcaria! É incrível, porque eles têm fobia da gordura, então basicamente… É como se eles colocassem um óculos vermelho e só vissem o mundo vermelho. Mesmo que eles estejam vendo uma coisa que não é vermelha, eles enxergam vermelho, porque os óculos deles são vermelhos. Então, eles têm uma espécie de óculos que faz com que eles vejam gordura da carne e gordura nos laticínios como algo que faz mal. Mesmo que a totalidade da literatura mostre que a gordura dos laticínios está associada com bons desfechos… Eu vou repetir para vocês, para quem ainda não sabe… Laticínio gordos, em comparação com laticínios magros, estão associados com menor índice de massa corporal, menor incidência de obesidade e menor incidência de diabetes. Então, todos os estudos que avaliam isso aí… As metanálises que avaliam isso aí… É consenso hoje, não tem mais dúvida que laticínios gordos têm melhor… Estão associados em estudos observacionais… Esses que Harvard gosta tanto… Com bons desfechos. Então, porque eles dizem isso? Porque eles são incapazes de dizer algo diferente. Vai contra a religião deles. Porque isso não é ciência. Isso é religião.

Rodrigo Polesso: Isso é religião. As outras duas conclusões desse artigo da American Heart Association é que há algumas evidências de que uma maior variedade de opções de alimentos podem retardar a sensação de saciedade e aumentar a quantidade de alimento ingerido. E por último, uma maior diversidade alimentar está associada à ingestão de mais calorias, baixos padrões alimentares e ganho de peso em adultos. Eu acho que o elefante na sala é que… A recomendação de você tenha uma alimentação variada e equilibrada não significa absolutamente nada e cada um tenta ter a própria interpretação disso. Então, o problema está na recomendação, na verdade, e não pode ser tão subjetiva a ponto das pessoas entenderem de forma errada. Se a gente for variar de verdade, tem que comer um pãozinho de vez em quando, um açúcar de vez em quando… É bom ser variado se forem alimentos de verdade. Mas nem assim eu acho que é uma necessidade, na verdade. Uma questão de privilégio e preferência de quem pode ter uma alimentação nesses moldes, na minha opinião.

Dr. Souto: Concordo. Fechei.

Rodrigo Polesso: Acho que é isso aí. Então é isso aí, pessoal. Quanta recomendação a gente escuta como correta por aí que agora a gente está contestando aqui nessa era atual da nutrição? Quantas pirâmides a gente está invertendo aqui? A pergunta é: qual a próxima? Qual é a próxima crença que você tem que você escuta por aí, que vai ser logo questionada e que tem grandes chances de estar equivocada? É uma pergunta que tem que ficar na cabeça de todo mundo aí. Dr. Souto, o que você degustou na última refeição?

Dr. Souto: Nada muito variado, viu, Rodrigo?

Rodrigo Polesso: Nesse caso, é uma boa notícia.

Dr. Souto: É uma boa notícia. Estou falando isso para dizer, “Olha, viu? Que coisa boa.” Nada muito variado. Eu comi aquelas coxinhas da asa. Sabe as coxinhas da asa do frango? Eu devo ter comido umas oito daquelas. Eu comi um monte daquilo. Foi aquilo, um pouquinho de salada e foi só. Na realidade, eu sigo um pouco isso que nós estamos falando. Eu não tenho grandes variações na minha dieta. Quem está acostumado a ouvir aqui, já sabe. Se você me perguntar no meu almoço, vai ser ou um franguinho, ou uma carne, ou um peixe e uma salada. E é aquilo. Afinal, é isso. Imagina se precisasse de muita variedade na atmosfera que a gente respira também. Então, o ser humano evoluiu respirando 20% de oxigênio, 80% de nitrogênio. Então, a gente respirando isso vai dar bem. Se o ser humano evoluiu consumindo aquilo que podia caçar, pescar e colher, é isso aí que tem comer. Não precisa variar e não precisa ser coisas exóticas também. Sempre bato nessa tecla. Esses dias eu publiquei alguma coisa no Instagram e aí alguém falou lá que o problema é que as carnes têm que ser orgânicas criadas a pasto… Frango não sei o quê… Sempre aquela história. A história do frango com hormônio. A Patrícia Ayres, Pati Ayres, sempre fala… Quem estiver na Tribo Forte provavelmente vai ouvir ela falar isso de novo… Que não tem esse negócio de hormônio no frango. Na realidade, esse frango é grande, tem mais peito, mais coxa, por seleção genética. Nem pode ter hormônio. Boa parte dessa produção é feita para exportação. Isso é testado por amostragem. Se detectarem qualquer traço de qualquer coisa, toda carga tem que voltar de navio para o Brasil, não pode ser exportada. Então, na realidade, as pessoas falam isso aí… Basta vocês conversarem com alguém que conhece, que está presente na cadeia de produção, que é engenheiro agrônomo, que é veterinário e trabalha com isso para vocês verem que não é verdade.  Sim, se eu tiver a possibilidade de comprar a galinha caipira que cisca, da pessoa que tem uma chácara, tudo bem, eu concordo. É melhor. Mas o problema é o seguinte. As pessoas fazem esse terrorismo nutricional de que tem que ser…  Se não for a galinha caipira criada solta na chácara… Se não for o boi que comeu capim até seu último dia de vida… E morreu com uma injeção de um sedativo… Uma coisa assim… Se não for dessa forma, eu não posso comer. Bom, aí a gente deixa as pessoas com que opção? Com miojo? Com pão? É evidente… Para mim, é autoevidente, é absurdamente evidente que mesmo que a pessoa coma o franguinho do supermercado e a carnezinha do açougue, ela vai estar muito melhor do que se ela comer o pão feito pelo trigo benzido pelas virgens do Himalaia, porque continua sendo pão.

Rodrigo Polesso: Exato. Eu acho legal que a Pati de vez em quando posta ovo, por exemplo, e faz uma descrição romântica, que é ovo benzido em não sei o quê, abençoado… Para quem não conhece, vai no Instagram da Pati Ayres e dá uma olhadinha. É bem engraçado o que ela escreve. Sobre o frango, aqui no Canadá, se não engano, desde 1967 que é proibido o uso de hormônio. Então, é uma coisa muito velha essa questão. Não precisa ter muito medo. Inclusive, asinha de frango é uma coisa que eu tento sempre pegar quando como fora em restaurante. Asinha de frango com tempero de sal e pimenta só. E tentar sempre pegar um lugar que eles não colocam aquele monte de empanados que só estraga a bendita asinha de frango e de preferência que não seja frita em óleo vegetal. Até aí está difícil. Mas quando você encontra uma asinha de frango bacana, bem feita, é uma ótima opção. Não é variada e é deliciosa… E satisfaz com muita certeza.

Dr. Souto: Muito bom. E você, Rodrigo?

Rodrigo Polesso: A minha foi menos variada ainda, na verdade. Eu peguei um baita de um bife de 300 gramas, com um pouco de queijo brie de cabra. Esse foi o meu almoço de hoje. Não senti nenhuma necessidade de variação. Inclusive pensando em variação, é meio ridículo a gente imaginar, por exemplo, que um esquimó tem que comer carne de vaca ou que um massai tem que comer salmão. Ou sei lá… Carne de tubarão para ser mais variado. Não faz sentido evolutivo que a gente precise ter um arco-íris no prato. Não faz sentido nenhum. Então, se não faz sentido evolutivo, não faz sentido at first glance… Na primeira pensada… Imagina só se faz sentido recomendar isso para a população inteira. Então, enfim… Tem muita coisa errada. Muita coisa errada.

Dr. Souto: Alguém me mandou uma mensagem perguntando onde eu comprava salmão do Alasca. Eu disse, “Olha, eu sei que tem no Alasca.”

Rodrigo Polesso: No Alasca tem.

Dr. Souto: No Alasca deve ter. Se o pessoal tentar achar no meu blog, no meu Instagram… Muito mimimi dessas coisas muito sofisticadas… Está no lugar errado. Eu creio que as pessoas se percam no detalhe, quando na realidade 90% do benefício está no principal. E o principal não precisa ser difícil nem elitista.

Rodrigo Polesso: Perfeito. Dito e feito. Ponto final. É isso aí. Já fechando aqui esse podcast… Se você tem interesse de entrar no Código Emagrecer de Vez, entra aí em CodigoEmagrecerDeVez.com.br e começa a degustar o estilo de vida saudável e todos os benefícios que isso traz para você no curto e no longo prazo. Semana que vem a gente está aqui de novo para falar com você. Até lá, então. Obrigado, Dr. Souto. A gente se fala.

Dr. Souto: Obrigado. Até lá. Um abraço.

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