TRIBO FORTE #079 – DIABETES EXPLICADA – O QUE É, COMO REVERTER E PREVINIR

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No Episódio De Hoje:

Neste episódio entrevistamos o Dr. Jason Fung e falamos sobre:

  • O que é diabetes
  • Como reverter e previnir

Espalhe esse conhecimento, passe adiante a palavra! Vamos divulgar o BEM, as verdades sobre saúde, boa forma e estilo de vida saudável!

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Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Opa! Tudo bem com você? Hoje o assunto aqui é muito sério. Diabetes tipo 2. O que é? Qual é a verdadeira causa? É possível reverter a doença e viver uma vida 100% saudável? Se sim, como reverter a doença? E por que o tratamento tradicional está completamente equivocado? Eu sou o Rodrigo Polesso. Sou defensor das verdades sobre emagrecimento e saúde. A gente vai ouvir hoje essas respostas todas a essas perguntas de uma das maiores referências mundiais no assunto de diabetes tipo 2. O canadense Dr. Jason Fung. Com quem eu tive o prazer de conversar ao vivo, cara a cara, aqui em Toronto no Canadá. Agora eu peço um favor, a sua ajuda… Que você espalhe esse vídeo aí para divulgar essas verdades que são bastante diferentes do que o pessoal está acostumado a ouvir por aí. O Dr. Jason Fung reverte o diabetes tipo 2 em pessoas todos os dias já há vários anos. Então, está na hora da gente saber a verdade sobre esse assunto. Como você vai ver, diabetes tipo 2 é 100% possível de se prevenir e 100% reversível também. Então, se você se interessa em saúde, se interessa pelas verdades sobre emagrecimento principalmente, siga esse canal aqui. Eu posto semanalmente vídeos que podem impactar sua vida, impactar sua saúde. E te ajudar a viver na melhor forma da sua vida para sempre. Siga esse canal. Já aproveite para não perder nenhum vídeo.

Rodrigo Polesso: Olá, Jason. Bom estar aqui. Obrigado pelo seu tempo. Espero que você possa nos ajudar a entender melhor a diabete. Está aumentando a cada ano, a cada mês. As pessoas estão morrendo. Elas não entendem muito sobre a doença. Os profissionais não estão muito atualizados sobre as causas e tratamentos. Você faz isso todos os dias há anos. Em breve você lançará um livro sobre o mesmo assunto. Nós podemos falar mais sobre isso. Mas nesse vídeo quero capacitar as pessoas para que elas entendam o básico sobre diabetes. Espero que você possa fazer isso hoje. Então, a primeira pergunta é… O que é a diabete tipo 2 e o que é diabete tipo 1? Para que as pessoas entendam a diferença entre os dois tipos.

Dr. Jason Fung: A diabete tipo 2 é o tipo mais comum de diabetes. São 90% a 95% de todos os casos de diabetes. Era chamada de “adult-onset”. Tende a ocorrer na meia idade ou em adultos mais velhos, tipicamente acima do peso. A diabete do tipo 1 tipicamente acontece em crianças. Tipicamente acontece muito rápido. A do tipo 2 é mais gradual. Na verdade, a maioria das pessoas com diabetes tipo 2 não tem qualquer sintoma. Na maioria das vezes vão fazer exames de sangue com seus médicos uma vez por ano e o médico diz, “Você tem diabetes tipo 2.” Então, eles não sentem nada. A maioria dos casos hoje em dia é de diabete tipo 2. São mais de 90% dos casos de diabetes. Estamos vendo progressivamente mais em crianças também. As crianças costumavam ter exclusivamente tipo 1. Estamos vendo vários casos de diabetes tipo 2. E isso coincide com a epidemia de obesidade. Com o aumento do peso corporal, o risco de diabetes tipo 2 também aumenta. Essa é a diferença. Às vezes acontece um pouco de sobreposição. Então, às vezes não podemos diferenciar completamente. Mas elas são duas doenças separadas. Elas são completamente diferentes. A diabetes tipo 1 é causada… Primeiramente, vamos definir “diabetes”. A diabetes é definida como o aumento da glicose no sangue. Isso causa vários sintomas. É causada por duas coisas diferentes. A diabetes de tipo 1, por alguma razão desconhecida… O sistema imune do corpo ataca o pâncreas que produz a insulina. Sem a insulina, o corpo não pode usar o açúcar. Então, em vez das suas células usarem todo o açúcar, ele fica flutuando no sangue. Fica muito alto no sangue. Enquanto isso, suas células não recebem energia. As crianças perdem muito peso. Quando elas começam a usar a insulina, elas ficam com o peso normal de novo. Esse não é o caso da diabetes de tipo 2. Na diabete tipo 2 elas tendem a ser acima do peso. Ela é causada por algo chamado de resistência à insulina. Tem insulina abundante. Na verdade, os níveis de insulina não são baixos. Eles são bem altos. Entretanto, não está funcionando em reduzir a glucose do sangue. É isso que significa o termo “resistência à insulina”. Juntamente com a diabete tipo 2… Elas vêm junto com vários problemas metabólicos que tendem a se adicionarem. Em conjunto, elas são chamadas de “síndrome metabólica”. Isso inclui a obesidade abdominal. Não existe um critério específico de peso para a síndrome metabólica. Em vez disso, usamos o tamanho da cintura. É a gordura na sua cintura que é tão danosa e causa a diabetes tipo 2. Então, temos obesidade abdominal, alta pressão sanguínea, diabetes de tipo 2, triglicerídeos altos… Que é medido com o colesterol… E HDL baixo, que é o chamado “bom colesterol”. Isso tudo é chamado de síndrome metabólica. O motivo porque isso é importante é porque aumenta muito o risco de doença cardíaca. A maioria das pessoas com diabetes tipo 2 morrem de doenças cardíacas, derrame e câncer. Esses são os principais fatores de risco.

Rodrigo Polesso: Você provavelmente conhece o Dr. Kraft. Se você tem doença cardíaca e não é diabético, você simplesmente ainda não foi diagnosticado. Parece ser a mesma causa raiz. A resistência à insulina.

Dr. Jason Fung: Exatamente. O Dr. Kraft analisou vários pacientes. Ele analisou alguma maneira de diagnosticá-los mais cedo. Em vez de só examinar a glicose no sangue, ele examinou a insulina do sangue. Esse é um dos paradigmas que estão mudando na diabetes tipo 2. Por muitos anos as pessoas disseram que… Vamos falar de diabetes tipo 2. Vamos deixar a tipo 1 de lado. Não sabemos realmente a causa dela. É uma minoria de pacientes. A diabete tipo 2 era chamada de resistência à insulina. Um dos trabalhos da insulina é permitir a entrada de glicose na suas células para que seja usada como energia. O que descobriram é que, mesmo com os níveis altos de insulina, a glicose não estava entrando nas células. “Tem algo acontecendo. Existe uma resistência à insulina.” O problema com isso é que não estamos fazendo progresso. O que causa a diabetes tipo 2? É alta resistência à insulina. E o que causa a alta resistência à insulina? Ainda não sabemos. Então, enquadrar o problema como “resistência à insulina” é importante, mas não muito útil para o tratamento. Ainda não sabemos como tratar a doença. O outro problema é que… A insulina permite a entrada da glicose nas células. As pessoas costumam pensar nisso como “chave e fechadura”. A insulina é um hormônio. As células, que estão normalmente atrás de uma parede… Atrás de uma porta… Quando a insulina está alta… Você come, a insulina aumenta e funciona como uma chave. Ela abre a porta e deixa a glicose entrar nas células. Para que as células tenham energia. Eles imaginavam que algo estava interferindo com a fechadura. Você tem a chave e a fechadura… Tem um portão… Para deixar a glicose entrar. Você pode medir isso tudo. Dá para saber que a insulina está normal e que o receptor da insulina está normal. Mas talvez tenha algo preso dentro da fechadura. Então, apesar da chave e fechadura estarem normais, ainda tem algo emperrando. Então, a glicose não consegue entrar. É um estado de fome interna. No tipo, não há insulina, então não há chave. A porta está trancada e a glicose não consegue entrar. E essas crianças são muito magras. Elas morrem de fome se você não der insulina para ela. Mas os diabéticos de tipo 2 não são assim. É difícil imaginar que a célula está passando fome quando o paciente está acima do peso, tem muita gordura corporal, tem um fígado gordo… Gordura abdominal. Os órgãos estão nadando em gordura. Tem glicose em toda a parte. Será que essas pessoas estão com fome interna? É um paradoxo. A outra coisa que a insulina faz é aumentar algo chamado “de novo lipogenesis”. Em uma situação normal a insulina aumenta quando você come. Todas as comidas, até certo ponto… A não ser que você coma gordura pura… Estimulam a insulina. A insulina diz ao corpo que tem comida entrando. A primeira coisa que você faz é usá-la, para que todas as células possam usar a glicose. A segunda coisa que ela faz é armazenar um pouco dessa energia da comida. Ela é armazenada como glicogênio no fígado. Quando há excesso, ele começa a produzir gordura. Essa é uma maneira de armazenar energia de comida. A insulina diz ao corpo que a comida está chegando e as células começam a fazer gordura nova. O que se encontra em diabetes tipo 2, quase universalmente… É que a “de novo lipogenesis” é muito aumentada. Então, está criando muito gordura nova. Aqui está o paradoxo… Se você pensar nesse modelo de chave e fechadura. Se a glicose não consegue entrar na célula… Não consegue entrar na célula do fígado… Como o fígado faria gordura através da glicose se não há glicose? É como tentar construir uma casa sem tijolos. Mesmo com pedreiros, você não tem tijolos. Então, como essa célula do fígado deve fazer gordura nova usando glicose… Se a glicose não está entrando? É impossível. Esse é o paradoxo central da resistência à insulina. A célula do fígado é resistência à insulina porque não está deixando a glicose entrar. Ao mesmo tempo, é super sensível à insulina. Está fazendo gordura nova demais. O efeito da insulina foi aumentado para a gordura mas diminuído para a glicose. Como isso é possível? A mesma célula, a mesma insulina, o mesmo receptor… Mas dois efeitos completamente diferentes. É isso que as pessoas não entendiam. Temos que realmente entender o que é a diabetes tipo 2. É um paradoxo de transbordamento. Em vez de a glicose não pode entrar na célula porque a fechadura não funciona… A verdade é que a glicose não consegue entrar na célula porque a célula já está cheia. Pense numa mala. Você coloca suas roupas numa mala. É muito fácil colocar. Se está normal, você tira e coloca sem problemas. Abre e fecha sem problemas. Mas e se essa mala já estiver cheia? Agora você consegue abrir a mala, mas não consegue colocar mais roupas dentro. Não é porque a fechadura não funciona, mas porque já está cheia. É um paradoxo de transbordamento. Na célula do fígado… O que está acontecendo é que o fígado está simplesmente cheio de glicose. Porque você esteve comendo glicose e frutose por tanto tempo, você encheu todas as células. Todas as células no fígado estão grandes, gordas e cheias. Na próxima vez que você tentar colocar mais glicose nessa célula gorda ela diz, “Não posso, estou cheia.” Ela não consegue entrar. É por isso que existe resistência à insulina. Ao mesmo tempo, essa célula que está cheia de gordura está tentando se livrar disso tudo. Ela está mandando para fora toda essa gordura. Isso explica o paradoxo da glicose não conseguir entrar… Mas você está enviando gordura para fora. Não porque tem pouca glicose dentro, mas porque tem demais. O problema não é glicose. Ela é apenas o sintoma da doença. O problema é que seu corpo está simplesmente cheio de açúcar. tem açúcar demais. Não somente no sangue, mas no seu corpo todo. Isso que é importante de se entender. Imagine que seu corpo seja uma tigela de açúcar. Quando você nasce, a tigela está vazia. Você pode colocar e tirar açúcar sem problemas. É fácil. Depois de anos comendo açúcar demais, a tigela se enche de açúcar. Quando você come, o açúcar entra e transborda para o sangue. Como o açúcar está transbordando para o sangue? Por que não te dou insulina para força-lo para dentro? Esse não é o problema. Você está focando na coisa errada. Você acha que o problema é que a insulina não funciona. A insulina funciona, mas a célula está cheia demais. É assim que tratamos a diabetes de tipo 2. Damos medicamentos para empurrar esse açúcar para dentro do corpo. Seu corpo é preenchido novamente. Depois de um tempo está cheio, assim como a mala que está cheia demais. Você pode usar mais força para fechá-la, mas depois ela será preenchida novamente. Depois de alguns anos seu médico duplica sua dose. Eles empurram mais e seu corpo faz assim. Continuam fazendo isso. Por isso os médicos acham que essa é uma doença crônica irreversível. Mas não era a doença que era o problema. Era o tratamento que estava completamente errado. O que acontece com toda aquela glicose que você está empurrando no seu fígado? O corpo a coloca para fora. Manda para o fígado, para os rins, para os olhos, para o coração. Com o tempo, seu corpo inteiro começa a apodrecer. As pessoas desenvolvem úlceras no pé… Infecções no pé… Doenças no rins… Nos Olhos… Ataques cardíacos… Derrames. Seu corpo inteiro está apodrecendo por causa de todo esse açúcar. E a solução não é continuar empurrando o açúcar no corpo. Essa é a ideia errada. Se você entende que o problema era açúcar demais, é tirar o açúcar do seu corpo. E o melhor é que existe uma maneira simples e natural de fazer isso. Através de dietas low carb. Se o problema é açúcar demais no corpo… E é o que define a diabetes tipo 2… Só tem duas coisas a se fazer. Uma é parar de consumir e a segunda é queimar o resto. É bem simples. Com uma dieta low carb você não vai consumir. Se você fizer jejum intermitente, você vai queimar. É isso que as pessoas são entendem. Pense no seu carro. Você está abastecendo o tanque. Três vezes por dia você abastece seu tanque. Agora seu tanque está cheio. Você tem absorver essa gasolina, então você coloca no banco de trás. Você não quer, mas tem que fazer isso. O que você faria? Vou te dizer o que você não faria. Você não voltaria para o posto três vezes por dia. Você falaria, “Não coloque mais gasolina.” A segunda coisa que você faria seria dirigir o carro para queimar. Muito simples. Se você não consumir… Com uma dieta low carb… Se você quer queimar, jejum intermitente. É exatamente o que fizemos na nossa clínica. Fazemos isso há anos. Usamos dietas low carb e jejum intermitente. Tivemos impressionantes reversões de diabetes tipo 2. Tivemos pacientes com diabetes nas centenas e alguns meses depois estavam bem. É incrível ver. Outros profissionais da saúde disseram para eles que eles teriam isso pelo resto da vida. E alguns meses depois estão curados de tudo. Não é divertido. Não é fácil. Eu preferiria comer donuts e pizza o dia inteiro também. Mas se você quer saber o que será saudável para você, esse é meu trabalho. Dizer para as pessoas o que elas precisam para ficarem saudáveis. Se for difícil, dou o suporte que elas precisam para fazer isso. É isso que fizemos na nossa clínica. Temos um programa online que faz exatamente o mesmo. É chamado de Intensive Dietary Management Program. O site é www.idmprogram.com. Como eu te disse antes, também está disponível em português. As pessoas podem assinar para receber conselhos sobre dieta e jejum. É claro que elas precisam passar por seus próprios médicos para ajustar os medicamentos. A melhor notícia é que… Existe essa grande epidemia de diabetes tipo 2. Ela afeta milhões de pessoas em todo o mundo. Mesmo assim, com a mera aplicação de conhecimento, elas podem reverter a doença completamente naturalmente. Completamente de graça. Elas podem começar amanhã depois de ouvir esse podcast. É incrível. Dá muito poder para as pessoas para se curarem. Você está deixando seu corpo simplesmente se curar. Se você pensar bem… Se você não comer a glicemia cai. Com certeza. Se você não comer, você vai perder peso. Perdendo peso, sua diabetes vai embora. É bem simples e irrefutável. Por que não fazemos isso? Estamos tentando ajudar as pessoas a fazerem isso. É o que estamos fazendo certo?

Rodrigo Polesso: O que você está me dizendo é que milhões de pessoas hoje estão diabéticas… Os médicos dizem para elas que elas estão condenadas. Que essa doença vai só piorar. Não há o que fazer. E que elas precisam injetar o mesmo veneno que está as deixando doentes. Você também está me dizendo que é uma doença de estilo de vida. Aparentemente, poucos profissionais dizem isso… “Não é causado pelo o que você come, é só má sorte.” A maioria dos médicos tentam não falar das alterações de estilo de vida que você pode fazer para melhorar sua condição. E você também está me dizendo quem é reversível. Você pode curar… Muitas pessoas não gostam do termo “curar”, porque as pessoas voltam para os hábitos antigos. Elas acabam desenvolvendo novamente. Assim como a gripe. Você pode pegar a gripe novamente. Mas se você consertar seus hábitos, você pode ter uma vida sem diabetes. É isso que você está dizendo. A maioria das pessoas não sabem disso.

Dr. Jason Fung: E os médicos não pensam assim também. Esse é o problema. Eles dizem que é uma doença genética ou que vem com a idade. Isso é ridículo. É muito fácil provar que isso não é verdade. Você só precisa voltar uma geração. Volte para os anos 60. A prevalência de diabetes tipo 2 era muito baixa. Na China, nos anos 80, 1% das pessoas tinham diabetes tipo 2. Agora é quase 11%. Num período de 30 anos esse número subiu mais de 10 vezes. É muita doença num período muito curto. Claramente, não é uma doença genética… Ou relacionada à idade. As pessoas envelheciam nos anos 80. “As pessoas costumavam morrer mais novas no passado.” Nos anos 80 elas já viviam 80 anos. É ridículo pensar assim. Eles pensam que as pessoas precisam de um medicamento. Mas não entendem que, se essa é uma doença nutricional, essa é a causa. Eles precisam consertar a dieta. Você não pode usar drogas para consertar uma doença nutricional, porque não vai funcionar. É como levar um pé de pato para uma corrida de bicicleta. Não tem utilidade alguma. Se você usar drogas e mascara os sintomas, as coisas pioram. E é isso que tem acontecido. Elas tomam as drogas e a glicemia cai. Mas o açúcar não foi expulso. O açúcar ainda está no corpo. E se você parar de tomar aquela droga, o açúcar começa a entrar novamente no seu sangue. “Viu? Eu preciso tomar a medicação pelo resto da minha vida.” Não! O problema é que você não o expulsou. Você não queimou. Você não tratou da maneira correta. Você simplesmente mascarou o problema. Seria como pintar um carro enferrujado. Na próxima vez que ficar enferrujado novamente você terá que fazer a mesma coisa. Não funciona porque não resolve o problema. Você tem que entender a causa do problema para trata-lo. As pessoas tem todo o controle. Isso não é discutido na faculdade de medicina. Muitos médicos, muitas universidades e pesquisadores são financiados pelas empresas farmacêuticas. Elas querem saber como as drogas podem ajudar. Não é um problema delas, é um negócio para elas. Por outro lado, ninguém está falando publicamente… Que essa é uma doença nutricional. O problema é glucose e frutose em excesso – juntas elas formam o açúcar. Glucose e frutose fazem a sacarose, que é açúcar. Se você enxergar o problema corretamente… Diabetes de tipo 2 é açúcar demais no corpo. Isso estimula muita insulina no corpo, porque essa é a reação da insulina. Você ingere açúcar demais, sua insulina aumenta. Ela entra nas suas células para armazenar. É um conteúdo precioso. Mas se você tem demais, é um problema separado. Aí, você tem de diminuir. Não é gordura demais, proteína demais. É açúcar demais. Esse é o problema. Quando você o enquadra como excesso de açúcar, insulina demais, a solução se torna óbvia. Se o problema é açúcar demais, corte o açúcar. Se o problema é insulina demais, diminua a insulina. Como? Dieta low carb e jejum intermitente.

Rodrigo Polesso: Falamos bastante sobre açúcar. Se você tem uma dieta alta em carboidratos e está doente você aumenta a insulina, e a insulina é o problema. Isso aumenta a resistência. O que você acha dessas pessoas e documentários que dizem para milhões de pessoas que a gordura e proteína que está causando diabetes?

Dr. Jason Fung: É aí que muitas pessoas ficam confusas. Eles dizem que é a gordura dentro dos órgãos que causa a diabetes. Isso é verdade. Quando você tem gordura demais dentro do fígado, não dá para colocar a glicose dentro dele. Isso causa a resistência à insulina. Gordura demais no fígado causa resistência à insulina. Quando você tem gordura demais no pâncreas, isso entope o pâncreas e você não pode secretar insulina. Isso causa diabetes. Isso está correto. É gordura demais nos órgãos. A pergunta é… Por que temos gordura demais em torno dos órgãos? A resposta não é a gordura que você come. É aí que cometem o erro. É causado pela glicose em excesso que você ingere na sua dieta que é transformada em gordura pelo fígado. Em experimentos é muito fácil de se demonstrar isso. Quando você tem glicose em excesso… Você pode analisar uma pessoa jovem e saudável como você, alimentando com mil calorias de açúcar. Em um período de 8 semanas, as pessoas começam a desenvolver esse fígado gordo. O peso corporal só sobe 2%. O experimento é feito com mil calorias extras por dia. Parece muito, mas são apenas alguns doces. Depois de 8 semanas, o peso corporal só subiu 2%, mas o peso do fígado subiu 30%. A resistência à insulina também subiu 30%. É claro  o que está acontecendo. Quando eles voltaram para a dieta normal o peso corporal diminuiu e o peso do fígado diminuiu 30%. O motivo pelo qual o jejum é tão poderoso é que quando você começa a queimar a gordura por não estar comendo, o primeiro lugar a liberar gordura são os órgãos. Em estudos sobre a cirurgia bariátrica e as pessoas não conseguem comer, você descobre que a diabetes vai embora rapidamente. Dentro de algumas semanas. Muito antes do peso ser perdido. Você pode ter 200 quilos. Em três semanas sua diabetes pode ter ido embora. Você estará com sobrepeso, mas a diabetes terá ido embora. Seu corpo tirou a gordura que estava dentro dos órgãos. É daí que vem a confusão. A gordura dentro do órgão é um problema, mas não é causada pela gordura que você come. É causada pelos carboidratos em excesso. Existem dois problemas. Glicose, frutose e a frequência de refeições. Se você comer o tempo todo, você ficará mais resistente à insulina. Você estará colocando glicose e frutose no fígado o tempo todo. Isso é um problema. Frutose… Que é mais específica no açúcar… É um problema muito maior do que a glicose. O fígado é o órgão central da diabetes tipo 2. Quando o fígado fica muito gordo… O acúmulo de gordura dentro do órgão que não deveria acontecer. É isso que causa a resistência à insulina. É por isso que ele tenta jogar a gordura em outro lugar. Ele joga para pâncreas, o que causa mais problemas. O fígado é a principal preocupação. Por isso exercício não é tão eficaz quanto você pensa na reversão da diabetes tipo 2. A energia pode ser boa, mas você não estará exercitando o fígado. Você exercita os músculos… O coração fica melhor… Mas você não exercita seu fígado. Por isso a dieta é tão importante. O problema da frutose… A sucralose (açúcar de mesa) é metade frutose metade glucose. Digamos que você tenha 450 gramas de açúcar. 225 de frutose e 225 de glucose. Você come 225 gramas de glicose. Seu corpo dividirá isso em todas as células do corpo. Se você pesa 90 quilos… O 90 quilos do seu corpo usará essa glucose.

Rodrigo Polesso: Ele pode usar…

Dr. Jason Fung: Exatamente. A frutose não pode ser usada. Ela vai diretamente ao fígado e tem que ser metabolizada lá. Dois quilos de fígado tenta lidar com 225 gramas de frutose enquanto o corpo de 90 quilos lida com a glucose. A glucose não é um problema tão grande. A frutose domina o corpo… O corpo não consegue queimar a frutose porque tem glucose em todo lugar. Então, ele a transforma em gordura. Ela se torna gordura imediatamente. Por isso o açúcar é sempre o maior problema para a diabetes tipo 2… O açúcar que vem na dieta. É necessário cortar isso. A frutose é o grande problema. Você tem um corpo de 90 quilos usando a glucose e 2 quilos de fígado… Ele só pode lidar com isso transformando tudo em gordura. A frutose é 20 vezes pior em causar diabetes tipo 2…

Rodrigo Polesso: E essa frutose influencia negativamente em como o corpo metaboliza a glucose.

Dr. Jason Fung: Exatamente. É um ciclo vicioso. Quando você preenche essa gordura no fígado, você fica com resistência à insulina. O corpo tenta combater isso aumentando a insulina. Mas insulina demais era o problema primordial. E daí seu corpo tenta combater isso desenvolvendo mais resistência à insulina. Você está aumentando sua insulina, mas só indiretamente. Quando você come frutose, a glicose não sobe. Sua insulina também não sobe. Mas em longo prazo, porque você está desenvolvendo resistência à insulina, sua insulina aumentará em longo prazo. Você não consegue ver os maus efeitos do açúcar em curto prazo. Por isso muitos médicos e pesquisadores falam que açúcar é ok. Você tem que ser maluco se achar que açúcar é ok. Provavelmente, é o maior problema. Organizações de saúde colocam limites estritos em açúcar. Não tem nutrientes, então não há motivo para ingeri-lo. Nós gostamos de comer. Até eu. Nós gostamos de come-lo, mas não temos que come-lo. Esse é o maior problema. A frutose é o principal. Se você come arroz e batatas, por exemplo… Tem muita glucose, mas sem frutose. Por isso na China eles nunca tiveram uma epidemia de diabetes tipo 2 enquanto comiam arroz branco. Nos anos 80, se você comparar a dieta da China com a dieta dos Estados Unidos… Eles estavam comendo muito mais carboidratos. Eles comiam 300 gramas de carboidratos por dia. Nos Estados Unidos era 200 gramas. Mesmo assim, quase não havia diabetes na China na época. A resposta para isso é que eles praticamente não comiam açúcar. Eles comiam uma quantia minúscula de açúcar. O mesmo acontece no Japão. Quase nada de açúcar. Trinta anos depois a China está comendo muito açúcar. A Ásia é local onde o consumo de açúcar está crescendo mais. Nos Estados Unidos e na maioria das nações ocidentais desenvolvidas, está estável. A maioria das pessoas perceberam que o açúcar não é bom. Na China eles consumiam pouco. Quando se modernizara… “Isso tem um gosto ótimo!” Se combinarmos a glucose alta com a frutose recente, temos muitos casos de diabetes. Os números triplicaram. Eles estão piores do que os Estados Unidos.

Rodrigo Polesso: Então, o açúcar e um veneno e pode causar diabetes. Os outros carboidratos não são tão ruins… Comidas de verdade como batata e arroz. Mas para uma pessoa que já está doente. Já está diabética. Esses carboidratos não vão ajudar na recuperação.

Dr. Jason Fung: Exatamente. Não sou “anti-carboidrato”. Existem várias sociedades antigas que comiam uma dieta baseada em carboidratos. Na China comem tanto arroz branco… Não é arroz integral. Eles só comem arroz branco. Eles não eram gordos e diabéticos. Eles não comem o tempo todo. Eles são ocupados demais. Não comem seis vezes ao dia. Esse é um conselho maluco. É o completo oposto do que você quer fazer. E eles não comiam açúcar. Existe essa noção maluca, que não é suportada por evidência… De que deveríamos comer seis vezes ao dia ou 10 vezes ao dia. Isso é algo burro. Quando você come, a insulina aumenta. A insulina diz ao corpo para armazenar energia de comida. Esse é o trabalho dela. Então, dez vezes ao dia você está dizendo ao corpo para armazenar açúcar e gordura. Por que você faria isso? Por que não comer uma vez por dia? Eu armazeno energia uma vez. Pelas outras 23 horas, a insulina reduz. Isso sinaliza para o corpo para jogar energia para fora e usá-la. Isso é algo que o corpo pode normalmente fazer. Não nem nada anormal nisso. Nossos corpos são feitos assim. Se não pudéssemos aguentar alguns dias sem comer, não estaríamos aqui. Existe essa noção de que não podemos pular uma refeição se quer se não morreremos. Fazemos isso o tempo todo. Mesmo se voltarmos aos anos 60… Quem era burro o suficiente para comer oito vezes por dia? Eles eram ocupados. Eles estavam em seus trabalhos. Podemos comer no carro, no cinema, em frente à TV, na escola… Não podemos. Seu corpo precisa queimar a energia. Não armazenar mais energia. Por isso comer menos é tão mais eficaz para a diabetes tipo 2. Se a pessoa tem todas essas doenças, ela deve levar ao extremo. Para voltar ao ponto original. Carboidratos não são necessariamente ruins. Mas se você já tem demais… Não vai te ajudar comer mais. É melhor comer menos.

Rodrigo Polesso: Faz sentido.

Dr. Jason Fung: Se você é normal, saudável… Quer comer batatas doces… Carboidratos não refinados… Sem problemas. Mas se você começar a ter problemas, talvez seja melhor limitar. Não ai ajudar.

Rodrigo Polesso: Vamos resumir o que falamos até o momento. Diabetes tipo 2 é uma doença de estilo de vida causada por açúcar demais. Açúcar sendo o pó branco… Frutose e sucralose. Carboidratos não são maus. Quando eles vêm de comidas de verdade para as pessoas que são saudáveis. Se a pessoa é diabética, obesa, tem síndrome metabólica… Elas se beneficiariam de uma dieta low carb. Você tira o que está causando o problema. Você para de colocar lenha na fogueira. Outra coisa que vale a pena enfatizar novamente é que, se você remover a causa do problema, que é um problema nutricional, você pode melhorar. Quero dar essa liberdade de volta ao povo. Ontem eu estava falando com alguns amigos. Ele disse que o pai dele era diabético. Ele está tomando remédio. E ele não está mudando sua alimentação. Ele diminui um pouco o arroz… Não come tanto de uma vez… Diet Coke… Mas ele está aceito o fato de que ele está condenado para sempre. Ele não vai melhorar. Ele poderá ter todos os tipos de problemas. Se você focar em melhorar seus hábitos nutricionais… Talvez low carb… Uma boa estratégia de jejum intermitente. Parar de colocar lenha na fogueira. Você pode rapidamente reverter o problema. Você pode cuidar da sua própria saúde. Orientação é importante. Se você usa medicação é ainda mais importante. Mas você pode ter uma vida sem diabetes. Melhorando sua qualidade de vida e aumentando sua vida. Só focando na maneira com você come. Mas ainda vemos médicos focando em comer várias vezes por dia, diminuir a gordura por causa de doenças cardíacas… Como você falaria para uma pessoa diabética que está sofrendo, usando medicação… Quais seriam seus conselhos? Uma pessoa que quer aumentar a qualidade de vida, mas está recebendo informações erradas.

Dr. Jason Fung: É importante entender algumas coisas. Diabetes e pré-diabetes… Você pode prevenir a diabetes tipo 2…

Rodrigo Polesso: É prevenível.

Dr. Jason Fung: É uma doença completamente reversível. É uma doença de estilo de vida. Você tem que tomar conta do estilo de vida. O problema central é açúcar demais. E muita insulina, que é uma reação ao excesso de açúcar. Portanto, focar em reduzir o açúcar para as coisas melhorarem. Existem várias coisas simples para se fazer. Se você está sendo medicado, você precisa falar com seu médico. Você não pode tomar a mesma medicação e implementar essas estratégias, porque seus açúcares podem baixar demais. Se você não está tomando medicação, é só uma mudança dietética. Não precisa se preocupar tanto. Existem algumas coisas importantes. A primeira é cortar o açúcar adicionado. Até mesmo frutas não são tão boas. É doce e tem frutose. No passado as frutas não eram tão doces e as pessoas não as comiam tanto. Elas eram difíceis de serem obtidas. Se você está comendo frutas demais, isso pode ser um problema. A segunda coisa é cortar os carboidratos refinados. Até mesmo os carboidratos normais vão ter um efeito na sua glicose e diabetes do que vegetais com pouco carboidrato, carnes, ovos. A maré está mudando para a gordura na dieta. “Se eu não comer isso, vou comer gordura demais na minha dieta.” A gordura natural é boa. Os óleos processados de sementes são inflamatórios e tem muita ômega 6. Eles não são bons para você. Mas nossos corpos são adaptados a usarem a gordura natural. Isso inclui abacates, azeite, nozes e também as gorduras encontradas na carne, ovos e frango. Nos anos 80 e começo dos anos 90 existia uma grande medo de gordura. Tudo que tinha gordura era ruim. Não havia o termo “gordura saudável”. Mas algo curioso acontece. No final dos anos 90 as pessoas começaram a analisar as dietas. Eles perceberam que essa dieta mediterrânea era muito saudável. Azeite, nozes, abacate. Não é uma dieta sem gordura. É bem alta em comparação ao que era recomendado. É relativamente alta em gordura. E as pessoas eram muito saudáveis. Então, apresentaram o termo “gordura saudável”, que jamais havia sido falado. Todas as gorduras eram ruins. Agora as coisas estão mudando. As pessoas reconhecem que abacate e azeite são parte de uma dieta saudável. E também as gorduras saturadas, que foram demonizadas por tanto tempo… Manteiga, por exemplo… Não são necessariamente ruins para você. As vendas de manteiga aumentaram na Europa. Até ficou em falta. Os preços estão aumentando na Austrália. As pessoas estão voltando para as comidas naturais, como a manteiga. Margarina é altamente processada. É como um plástico comestível. É tão processada que seria como comer a embalagem. É muito ruim para você. As pessoas estão voltando para as comidas naturais. E elas contém gordura. Essa é uma estratégia importante. Baixo carboidrato e bastante gordura saudável. Essa é uma estratégia nutricional importante. Mas e se isso não for o suficiente? É aí que entra o jejum intermitente. Fazer jejum é somente o oposto de comer. Quando você não come, a insulina cai. Seu corpo é forçado a queimar açúcar. É o combustível de mais fácil acesso. E se você tem diabetes tipo 2, você tem muito açúcar. Esse é o tratamento perfeito. É exatamente o que você tem que fazer. Deixe seu corpo queimar isso. As pessoas tem que entender que… Quando você não come você permite que seu corpo se limpe dessa glucose em excesso. Uma pessoa normal quando faz jejum usam os depósitos de energia. Mas elas não têm muita energia guardada. Mas se você tem em excesso, essa é uma ótima maneira de usá-la. É como aquele carro do qual falamos. Estamos dirigindo e dirigindo… É a mesma coisa. Se você come 2 mil calorias normalmente, por exemplo, seu corpo ainda precisará da maioria dessas 2 mil calorias. Mas você vai usar seus próprios depósitos. E o primeiro será a glicose. Uma das coisas que as pessoas se preocupam é que vão ficar com muito sono. Tem um período em que as pessoas precisam se ajustar. Talvez não se sintam bem. Mas depois disso, elas têm muita energia. Elas vêm ao meu consultório e dizem, “Nossa! Tenho tanta energia.” É porque agora seu corpo se abastece com o próprio açúcar e gordura. Depois disso, o corpo diz, “Tenho bastante disso. Queime-o.” O corpo enche o sistema de energia. Algumas pessoas dizem que não conseguem dormir porque têm energia demais. Eram pessoas que quase não conseguiam entrar no consultório e agora estão correndo. “Devo me exercitar o tirar folga do trabalho para fazer jejum?” Não. Você deve fazer o que normalmente faz durante o jejum. Simplesmente não coma. Você está se abastecendo com sua própria gordura. Quando o corpo começa a queimar a gordura dentro dos órgãos, a diabetes começa a sair. “Você tem certeza disso?” As pessoas têm feito jejum há milhares de anos. Desde o começo da humanidade. No começo o jejum não era voluntário. Haviam períodos sem comida. Depois disso, as pessoas começaram a introduzir voluntariamente. Não eram um bando de malucos. Pessoas de todas as principais religiões. Jesus Cristo, Buda, Maomé… Só tem uma coisa na qual eles concordavam: o poder do jejum.

Rodrigo Polesso: O jejum veio antes da comida. Existia antes da comida.

Dr. Jason Fung: Mesmo tendo o que comer, as pessoas ainda assim faziam jejum. Elas reconheciam que havia algo intrinsicamente saudável em, às vezes, não comer voluntariamente. “Você vai fazer as pessoas passarem fome.” Inanição é quando você não tem controle. O jejum é o método controlado de fazer isso. É o que as pessoas têm feito há milhares de anos durante o ramadã, por exemplo. O cristianismo fala sobre a Quaresma. As pessoas devem fazer jejum. Poucas fazem hoje em dia. Mas elas devem. Nas tradições judias, nas tradições do budismo, tradições hindus… Todas elas têm jejuns. Todo os grupos de pessoas no planeta disseram que isso é uma boa ideia. Não era porque eles queriam matar quem praticava isso. É porque eles sabiam que fazer isso às vezes os tornaria mais saudáveis e preveniria doenças. É muito importante entender isso. Como médico, eu entendo que não há nada de errado no jejum. Eu posso olhar a literatura e saber que nada de ruim acontece. Eu peço para as pessoas fazerem isso o tempo todo. Se alguém vai fazer cirurgia, precisam fazer jejum. Se vão fazer colonoscopia, precisam fazer jejum. Se elas vão fazer exames de sangue em jejum…

Rodrigo Polesso: E não morrem por isso.

Dr. Jason Fung: Elas não se machucam. Nada acontece. Seu corpo pega essas duas mil calorias de açúcar que você tem armazenada e a queima para ter energia. E é isso que quero que façam com periodicidade. Existem regimentos diferentes que as pessoas podem seguir. Você pode fazer um jejum de 16 horas. Que também é chamado de “alimentação com restrição de tempo”. Você só come durante 8 horas do dia. Das onze às sete, por exemplo. No resto do tempo você deixa seu corpo descansar e usar a energia armazenada. Você pode digerir a comida que você ingeriu. Esse é o jejum de 16 horas. As pessoas podem fazer 5 ou 6 vezes durante a semana. É um regime fácil de se seguir. Funciona para muitas pessoas. Para os diabéticos mais severos, talvez não seja o suficiente. Daí temos o jejum de 24 horas, que é uma refeição por dia. Algumas pessoas chamam isso de “regimento circular”. Você fica só com almoço ou só jantar. Se você comer o almoço, fica sem comer até o almoço do dia seguinte. É quase 24 horas… 23 horas. É um período maior de jejum. As pessoas podem fazer isso de 2 a 3 vezes por semana. Daí existem os períodos maiores de 36 horas. Se você comesse hoje, você não comeria amanhã e comeria café da manhã no outro dia. Você usa dois períodos noturnos de jejum para deixar seu corpo queimar tudo. Você pode fazer isso 2 ou 3 vezes por semana para tentar fazer seu corpo queimar. Se você conseguir baixar sua glicose com jejum, você não precisa tomar as medicações. Assim começamos a reduzir o número de medicações que as pessoas tomam. Com o tempo, com a melhora da diabetes… Estamos esvaziando a tigela de açúcar. A tigela de açúcar está cheia e nós vamos esvazia-la. Às vezes leva anos. Quando você come açúcar novamente, ele entra mas não transborda no corpo. Aí a diabete estará revertida. As pessoas ficam animadas. Mas se você comer açúcar de novo, a tigela vai ser preenchida novamente. Dá para esvaziar a tigela? Mas pode levar anos de jejum intenso. A maioria das pessoas só quer esvaziar para que o açúcar não transborde. Se você só fica nesse estágio, pode voltar rapidamente.

Rodrigo Polesso: Para concluir… Se alguém estiver com suspeita de diabete, mas os níveis de glicose estão bem. “Estou com sobrepeso, não me sinto bem. Mas minha glicose está boa.” Sabemos que existem outros testes que podem indicar resistência à insulina antes da glicose ir para todos os lados. O que uma pessoa normal pode fazer? Quais testes essa pessoa pode fazer?

Dr. Jason Fung: Existem coisas simples, tais como medida da cintura. Esse é um dos previsores mais poderosos da doença. O ideal é que sua cintura tenha metade da sua altura ou menos. Se você tem 1,68… Sua cintura tem que ter 0,8 metro ou menos. Assim você saberá o ideal. Se você tem 1,78 metro, sua cintura deve ter 0,89 metro ou menos. É uma medida simples. Ela correlaciona com doenças muito melhor do que o peso corporal ou índice de massa corporal. Pode haver alguém musculoso ou alguém com pouco músculo e ter o mesmo peso. Mas elas não teriam o mesmo grau de risco. Existem pessoas magras… Mas com uma grande barriga. Isso não é bom. Muitos asiáticos são assim. O índice de massa corporal não é alto. Eles estão na faixa normal de peso. Mas eles tem aquela barriga. Alguns chamam de “barriga de cerveja”… É o excesso de gordura em torno dos órgãos. Essa é uma medida simples de se fazer. Você pode verificar sua hemoglobina A1C. Os outros testes não estão sempre disponíveis. No Canadá por exemplo podemos fazer um teste NMR procurando por resistência à insulina. É muito bom, mas pouco disponível. Também podemos fazer o teste Kraft, que pede a resposta da insulina à glicose. Isso pode ser feito. Mas não é fácil de ser feito no Canadá.

Rodrigo Polesso: No Brasil também não. Mas você pode medir sua cintura em casa agora. O teste de hemoglobina A1C é acessível.

Dr. Jason Fung: A glicemia em jejum é um bom indicador. Mesmo que ela aumente um pouco. Você também pode medir o ALT, que é uma enzima do fígado. O fígado gordo é o órgão chave no desenvolvimento da resistência à insulina. O ALT indica dano no fígado. Se ele estiver elevado, isso é chamado de doença hepática gordurosa não alcoólica. É algo que correlaciona com a diabetes tipo 2. Se você rastrear isso, muitas vezes o ALT fica normal… Mas com o tempo ele é elevado. Se ele elevar, é melhor fazer algo sobre isso. O fígado gordo está se desenvolvendo.

Rodrigo Polesso: Que ótimo. Realmente espero que tudo o que você compartilhou conosco possa colocar mais liberdade nas mãos das pessoas. Eles podem pelo menos questionar seus médicos. Existe esperança. Você vê pessoas revertendo diabetes todos os dias. É uma realidade. Estamos vendo cada vez mais pessoas como você ajudando as pessoas, com conselhos baseados em evidência. Muito obrigado, Dr. Jason. Foi muito útil.

Dr. Jason Fung: Muito obrigado.

Rodrigo Polesso: Espetacular, não é verdade? Espetacular. Espalhe esse vídeo por aí. Quero te fazer um convite também. Se você quer fazer parte do movimento de saúde, boa forma e estilo de vida… Se juntar a milhares de pessoas que estão vivendo na melhor forma de suas vidas por praticarem hábitos que estão de acordo com as melhores práticas comprovadas cientificamente, eu convido você a fazer arte do movimento Tribo Forte. A ser tornar um membro da Tribo Forte. Eu prefiro que você veja com seus olhos os benefícios que você terá ao entrar lá dentro. É só você acessar TriboForte.com.br. Você vai entrar nesse universo de informação privilegiada. Terá acesso a receitas verdadeiramente saudáveis. Documentários, minicursos, cardápios, lista de alimentos e etc. Veja com seus próprios olhos em TriboForte.com.br. Siga esse canal novamente. A gente vai se falar na próxima semana. Espero que esse vídeo tenha impactado sua vida de forma positiva. Eu fico por aqui. Um grande abraço e até lá.

  • Edison

    Apenas para sugerir uma correção: no trecho “A sucralose (açúcar de mesa) é metade frutose metade glucose” o correto é “A sacarose (açúcar de mesa) é metade frutose metade glucose”.

  • Nelson Moreti

    Parabéns mais uma vez Rodrigo. Ótimo podcast!!! Aproveito para deixar um pedido: será possível que você ou Dr Fung nos deixe este protocolo para a medida da cintura ( em qual região da barriga). Obrigado.

    • André Librelon

      Nelson, faço minhas as suas palavras:
      “Parabéns mais uma vez Rodrigo. Ótimo podcast!!!”
      E, obviamente pedindo desculpas pela intromissão…
      – Tire a camisa
      – Afrouxe calça/bermuda/cinto
      – Posicione a fita métrica um pouco acima do umbigo (ponto médio entre o fim das costelas e o início do osso do quadril)
      – Relaxe o abdômen
      – Expire
      – Mantenha a fita métrica em contato com a pele, mas sem apertar
      – Registre a medida

      • Nelson Moreti

        Muito obrigado André!

  • Paula Sol

    Rodrigo, faz um podcast sobre gastrite e refluxo, por favor!!

  • Isabela

    Rodrigo,
    A fécula de mandioca entra como restrição para o quadro de alimentos MR?

  • MARI

    Rodrigo… minha mãe é diabética, toma insulina … tem síndrome metabólica. E os médicos disseram que o caso dela é irreversível, que não tem cura. Lendo essa matéria descobri que pode simm ter solução. Os médicos colocaram na cabeça dela que DIABETES não tem cura e o pior é que ela acredita. Ela tem medo de fazer Low Carb e ter complicação… e o pior que não encontramos ajuda de nenhum profissional para termos um respaldo caso venha ocorrer alguma complicação. E agora?

  • Leonardo Zamboni

    oi, já foi falado algo sobre a The Bulletproof Diet?

  • fernando marques

    Meu caro Rodrigo, faço dieta lowcarb há 2 anos a partir das recomendações do Dr. Souto, sou diabético tipo 2 há 18 anos e tomo 3 remédios. comecei esta dieta para não entrar no quarto remédio, foi eficaz, contudo ainda tomo os 3. Fiz jejum de 16 horas por 6 meses e minha glicada passou de 6.6 para 6.4. Percebi que o ganho com o jejum não foi significativo, mas eu sentia azia constantemente, por isto passei a voltar a tomar café da manhã sem carboidrato, iogurte natural e castanhas de caju mais café, acho que tomar os remédios sem nada no estômago me dava azia. voltei a ter minha A1c de 6.6, mas ela nos últimos meses passou a ser 6.8, ou seja está aumentando mesmo com very lowcarb. vou continuar nesta luta, mas não me aventuro a ter jejuns maiores sem supervisão médica, não tem médico que aceite o jejum intermitente para diabéticos que tomam 3 remédios, moro no Rio de Janeiro. Não acho que jason Fung esteja certo, ele generaliza demais, pra mim alguns casos de diabetes podem ser revertidos, vale tentar, mas temos casos de pessoas que fizeram cirurgia bariátrica que não deixaram de ser diabéticas, temos casos de esportistas olímpicos que são diabéticos tipo 2 mesmo com nenhuma gordura corporal. Revendo meus exames antigos, constato que nunca tive meu ALT alto e nunca estive acima do peso, ou seja, sem fígado gorduroso, contudo tenho resistência a insulina. outra coisa, sempre fui meio natureba, comia pouca coisa processada e sempre me alimentei de produtos integrais com bastante fibra, mesmo assim minha glicada nunca foi abaixo de 6.3 nestes 18 anos. As teorias dele são bastante lógicas, mas acredito que não devem ser generalizadas, temos vários tipos de diabetes e concordo que o estilo lowcarb é o melhor, só não sei se jejuns maiores de 24 horas podem reverter todos os casos de diabetes, pelo sim, pelo não, acho que devemos esperar mais para que as pesquisas avancem, me contento com esta dieta para controlar minha doença, mantendo sempre minha clicada abaixo de 7, abraços – Fernando marques.