TRIBO FORTE #088 – IGNORÂNCIA NA MÍDIA E EXERCÍCIOS FÍSICOS PARA SAÚDE E LONGEVIDADE

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

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No Episódio De Hoje:

Neste episódio tratamos da:

  • Ignorância perigosa ainda praticada por canais de mídia sobre temas sérios, como o diabetes.
  • O poder do exercício físico para saúde e longevidade e dicas de como você pode incluí-lo no seu dia-a-dia sem se tornar um rato de academia.
  • O que comemos na última refeição.

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🙂

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Referências

Artigo da Meta-Análise Sobre Atividade Física

Estudo Prospectivo de Cohort de 2017 no Lancet

 

Post no Instagram da Revista Saúde

Insta 1

Insta 2

 

Caso de Sucesso do Carlos

Carlos

 

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá! Bem-vindo ao episódio número 88 da Tribo Forte. Eu sou o Rodrigo Polesso e esse é o podcast número 1 do Brasil em saúde. Hoje dois tópicos principais que a gente vai comentar aqui. A gente vai começar a falar sobre um dos nossos assuntos favoritos aqui. Não é nem por escolha, mas porque a gente tem responsabilidade de falar, que é a incompetência. Canais grandes… Supostamente respeitáveis, de saúde… continuam a disseminar abertamente mitos e falácias que são perigosas para quem precisa ouvir esse tipo de informação. A gente vai falar sobre isso para abrir quente o podcast. Depois, falar um pouco mais sobre exercícios físicos. E mostrar quão impressionante são seus benefícios e também dar dicas de como você pode inseri-los no seu dia a dia sem se tornar um rato de academia. Agora… Dr. Souto, tudo bem por aí? Aquecido?

Dr. Souto: Tudo bem, Rodrigo? Pronto.

Rodrigo Polesso: Prontíssimo. Bom, vamos começar em alto nível. Na verdade, essa questão da incompetência, como eu falei… É uma coisa que a gente gosta de falar porque realmente é revoltante… Mas é mais nossa responsabilidade de trazer a atenção do pessoal para esse tipo de coisa. Para a gente saber… Ter ciência do campo minado em que a gente vive. A gente saber em quem confiar e sempre praticar aquele ceticismo inteligente. Como é possível nós ainda estarmos tão errados de frente a toda evidência que se acumula? Como que pode… Alguns dos principais canais de comunicação do país propagarem mitos que já foram, há muito tempo, comprovadamente quebrados… Cientificamente. Um exemplo que a gente vai trazer aqui… Um exemplo do absurdo de hoje… Vem da principal revista de saúde do país… Infelizmente… E seus posts no Instagram sobre diabetes, especificamente. Estou falando da revista saúde. Há um tempo atrás eu vi… Na verdade, meus país viram isso. Meus pais estavam no Instagram e viram esse post de saúde e me chamou atenção… Me passaram isso aí. Vou dar uma olhada e vi que aquele post não era filho único. Tinham vários posts semelhantes onde eles dão dicas para diabéticos. Eu tenho um post na minha tela, porque eu tirei um screen shot. Está aqui. Vamos lá, ele fala o seguinte. “Troca vantajosa para quem tem diabetes. Tapioca com manteiga por tapioca recheada com queijo magro.” Perceba o seguinte… Eles estão sugerindo uma redução de gordura como benefício para diabetes, sendo que diabetes é uma doença de intolerância à glicose e eles estão mantendo a única coisa que é prejudicial aqui, que é tapioca nas duas sugestões… Sugerindo mais do que causa o problema para o próprio diabético. Depois, em outro post, a mesma tendência, a mesma falácia… Eles falam o seguinte. “Troca vantajosa para quem tem diabetes.” Eles falam. “Sorvete cremoso por picolé de frutas.” Mais uma vez eles estão removendo a gordura e mantendo todos açúcares ou até mais, talvez. Picolé de fruta pode até ter mais açúcar do que o picolé cremoso. Eles estão sugerindo diretamente e destacando para quem tem diabetes essas substituições. Dr. Souto, quão irresponsável é esse tipo de coisa?

Dr. Souto: Veja bem… É irresponsável, mas, na realidade, revela extrema ignorância. Extrema ignorância. No fundo, se essas pessoas simplesmente usassem um glicosímetro… Aquele aparelhinho que a gente pica o dedo e mede a glicose… Eles poderiam ver a ignorância contida nessas afirmações. Vamos fazer uma analogia. Imagine que a pessoa tenha uma intolerância à lactose… Daquelas severas, que dá cólica e diarreia. Aí vou dizer assim. “Troca vantajosa. Vamos trocar leite com Nescau por leite com Ovomaltine.” A pessoa não tolera o leite. O Nescau ou Ovomaltine tanto faz, porque tem leite. Pega alguém com alergia a amendoim. Aquelas com risco de vida… De fechar a glote e a pessoa não conseguir respirar. “Troca vantajosa. Vamos trocar paçoquinha de amendoim por pé-de-moleque com amendoim.” Nem sei se usa essa expressão, “pé-de-moleque”, no resto do Brasil. É tão bizarro. Chega me dar um desespero. Era tapioca com queijo…

Rodrigo Polesso: Tapioca com manteiga por tapioca com queijo magro.

Dr. Souto: Veja bem. Queijo aumenta a glicemia? Não. Manteiga aumenta a glicemia? Não. Na tapioca, o que aumenta a glicemia? É o amido, que é a tapioca. Então, realmente, assim… A pessoa não tem a absoluta noção do que está dizendo. É irresponsável da aplicação… Da revista colocar uma asneira dessa. Mas quem escreveu dá pena. Mostra que a pessoa simplesmente não tem a menor noção do que está falando. Vamos deixar claro para quem está nos ouvindo a primeira vez… Não conhece… Pessoal, existem três macronutrientes: carboidrato, proteína e gordura. O único que eleva sua glicose de forma significativa é carboidrato. Carboidrato existe em duas formas: amido e açúcar. Ambos elevam a glicose da mesma forma. Uma colher de sopa de açúcar tirado do açucareiro e uma colher de sopa de maisena têm o mesmo afeito. A rigor, a maisena tem mais efeito na glicemia. Maisena e tapioca vão elevar sua glicose da mesma forma, porque ambas são amidos. A maisena é o amido do milho e a tapioca é o amido da mandioca. Isso é uma coisa tão elementar, mas tão elementar, que se caísse no ENEM, eu acho que seria considerado como uma das perguntas fáceis. Está favorecendo o candidato. É a parte fácil da coisa. O resto das coisas na nutrição, minerais, vitaminas e etc., também não afetam a glicose. A única coisa que você pode fazer para diminuir o impacto glicêmico… Que seria uma troca vantajosa para um diabético, é tirar carboidrato, ou seja, amido e açúcar. Eles conseguem errar 180 graus isso, numa revista chamada Saúde.

Rodrigo Polesso: Que é, de fato, aos olhos da população, a mais respeitada sobre esse assunto. Mas eles estão com o conceito fundamentalmente errado sobre a própria fisiologia da diabetes. As pessoas tomam insulina para quê? Para baixar a glicose no sangue. E estão ingerindo uma coisa que faz aumentar essa glicose. Não faz sentido. Eu queria trazer uma coisa boa… Que a gente estava falando nesse nosso grupo nos últimos dias… É aquela questão de muitos profissionais sugerirem o absurdo, na minha opinião. A pessoa está diabética. Está tomando insulina e o bendito do profissional manda a pessoa comer carboidrato porque ela precisa por causa da insulina que ela está injetando. Isso para mim é desesperador.

Dr. Souto: Isso é absolutamente desesperador. Na realidade, a pessoas deveria injetar insulina se o pâncreas dela não produz insulina. Ca contrário… Bom, vamos tentar minimizar a necessidade de insulina diminuindo os carboidratos da dieta. Em geral, no diabete tipo 2, significa que a pessoa não precisará utilizar insulina. Mas se a pessoa estiver utilizando uma dose alta de insulina, de fato, ela vai precisar consumir carboidratos, senão ela vai ter uma hipoglicemia. Mas qual é o erro disso? O erro é a dose alta de insulina. Mas são coisas tão básicas, Rodrigo. Às vezes eu acho que a tela do computador devia ser de vidro temperado. Dá vontade de quebrar.

Rodrigo Polesso: Isso é. É perigoso. É muito perigoso. Infelizmente, as pessoas não estão lendo estudos científicos, elas estão lendo revistas e vendo jornal na mídia. Esse tipo de asneira acaba acontecendo para ver quão longe nós estamos ainda da boa ciência virar senso comum.

Dr. Souto: Eu acho que o que vai acabar derrotando toda essa ignorância… Infelizmente, mas é o que eu acho… Infelizmente, não é a evolução dos profissionais de saúde. Eu acho que é o público. Vocês que estão nos ouvindo, que vão começar a tornar essas pessoas que falam e escrevem essas coisas irrelevantes. Elas vão se tornar motivo de piada. Provavelmente, uma das coisas que vai ajudar isso é quando a tecnologia evoluir um pouco mais e o relógio digital conseguir medir de forma não invasiva a glicemia. Ou, como saiu numa notícia há um tempo atrás uma lente de contato que o Google estava desenvolvendo que media a glicemia no líquido da lágrima do olho… E a gente puder ter a glicemia instantânea do smartphone ou no relógio. De modo que as pessoas vão olhar esses dispositivos… Ver o que acontece com cada alimento que elas comem e as pessoas vão deduzir automaticamente o que é balela e o que não é. Eu acho que o que via derrotar essa ignorância institucionalizada é vocês que estão nos ouvindo… Ouvindo o podcast… E o público em geral…  À medida que tiver acesso a tecnologias que permitam avaliar essas coisas com facilidade. As pessoas não são burras. Eles vão ver… “Eu comi a tapioca… Mesmo tendo trocado a manteiga pelo queijo, a glicose subiu igual.” E aí a pessoa vai dizer assim. “Quem sabe vou comer só o queijo, então.” Aí a glicose simplesmente não se mexe. Ela vai botar no lixo a revista, porque é para isso que a revista serve.

Rodrigo Polesso: Uma das coisas que mais ajuda… Uma das coisas que mais ajuda o pessoal que tem diabetes… Sabe o que é o consumo de gordura justamente pelo impacto na insulina que a gente acabou de falar… Na glicose. É justamente isso que é a coisa que tem em comum entre esses posts, por exemplo. Ou do sistema padrão de se tratar diabetes. Basicamente… Eles colocam um alvo em cima da gordura e reduzem ao máximo seu consumo por achar que tem algum vínculo entre diabetes e consumo de gordura… Sobrando o carboidrato ainda mais puro e potencializando ainda mais os problemas. Eu não consigo nem pensar sobre isso sem ficar nervoso.

Dr. Souto: Isso como se não houvesse uma metanálise de 2017 mostrando que dietas de baixo carboidrato – e, portanto, com mais gordura – são as que dão melhor resultado no tratamento do diabetes. Já é uma coisa que tem nível de evidência… Nível 1. Quer dizer… Não tem mais o que discutir. Vamos trocar de assunto, Rodrigo… Daqui a pouco vou quebrar tudo.

Rodrigo Polesso: Não vamos quebrar a tela do computador não. Vamos para o próximo assunto, uma coisa boa. É o caso de sucesso de hoje. Hoje eu trouxe o caso do Carlos Henrique. O Carlos Henrique é uma pessoa muito querida no fórum da Tribo Forte participa bastante. Ele emagreceu 36 quilos. Ele fala: “ontem completei nove meses de participação nesse programa maravilhoso que tanto acrescentou na minha vida.” Ele manda a foto de antes e depois. A gente vai colocar no post desse podcast. É uma pessoa nova, realmente. É impressionante como ele ganhou vitalidade e ânimo. Obrigado, Calos, e parabéns para você. Obrigado por compartilhar e parabéns a você pelo sucesso. O pessoal que quer participar do programa… É só você entrar em CodigoEmagrecerDeVez.com.br. O programa nada mais é do que uma estrutura para você seguir passo a passo… É baseado em toda essa ciência que a gente vem falando aqui, que faz sentido. Bom, o segundo assunto de hoje… Aqui na Tribo a gente costuma deixar bem claro que exercício físico, como principal estratégia de emagrecimento, é uma péssima ideia. Simplesmente porque, exercício físico por si só, não promove a perda de peso. Isso já é bem documentado cientificamente. Nós também sempre reforçamos que a atividade física é crucial para uma vida longa e saudável. Queria aproveitar para deixar isso bem claro agora mostrando o resultado de dois grandes estudos atuais. Especialmente, quero agradecer o Dr. Adriano Mendes Júnior, que é o médio ortopedista e traumatologista de Minas Gerais… Por ter nos enviado esses dois estudos. Ele pegou realmente esse tópico. A gente não tinha falado talvez recentemente… De enfatizar o benefício do exercício físico para longevidade e proteção contra doença. O objetivo é deixar clara a importância da atividade física ao em vez do sedentarismo. O primeiro estudo que a gente vai falar… Publicado em 2016 no jornal The Lancet… É uma metanálise que incluiu mais de 1 milhão de pessoas e tinha como objetivo ver se a atividade física poderia diminuir os riscos de morte e doença cardiovascular associados com o sedentarismo. A conclusão desse estudo foi a seguinte. “Altos níveis de exercício de atividade física de moderada intensidade (60 a 75 minutos por dia) parecem eliminar o aumento do risco de morte associado com o tempo que você fica sentado durante o dia a dia. Esses resultados provêm mais evidências sobre os benefícios da atividade física particularmente em sociedades onde o número de pessoas que estão sentando por mais tempo continua a aumentar. Isso pode influenciar as futuras recomendações de saúde pública.” Ou seja, ele diz que hoje em dia, numa sociedade… A gente está sentando cada vez mais por mais tempo. Se você praticar atividade física moderada… Uma hora por dia que seja aqui… Você consegue eliminar esse aumento danoso de risco que você tem associado à doença cardíaca e de morte também com esse tipo de exercício. É uma coisa interessante, eu acho, Dr. Souto… Poder eliminar isso aí. Se bem que a gente não sabe… É um estudo associativo. Tem muitas variáveis. Essa questão de uma hora por dia… 75 minutos… Depende do tipo de exercício. Depende de um monte de coisa. Acho que a mensagem todo mundo pegou. Exercício tem um poder muito grande… De reverter o risco aumentado de você ser sedentário.

Dr. Souto: Exatamente. Eu acho que nosso colega que nos escreveu pegou muito bem. A gente às vezes enfatiza aquelas coisas que são menos óbvias. Por exemplo… Por que a gente fala que o exercício não emagrece? Porque na mídia… Por aí… Se diz muito que o exercício é importante para emagrecer. Na realidade, isso é uma peça de propaganda da indústria alimentícia. A indústria alimentícia quer convencer as pessoas de que elas podem comer porcaria, tomar refrigerante com açúcar… Porque, desde que elas façam exercício, não tem problema. Isso simplesmente não é verdade. Então, às vezes a gente deixa de enfatizar aquilo que para nós parece óbvio. O exercício tem vantagens incríveis do ponto de vista de saúde. Ele reduz a chance de morrer por todas as causas, mais do que, provavelmente, qualquer outro remédio ou qualquer outra coisa que você possa fazer. Acho que é interessante… Como você disse, é de associação. Na realidade, o peso dessa literatura é tanto… São tantos estudos associativos feitos de tantas formas diferentes em tantos países. Lá pelas tantas acaba ficando que nem aquela situação do cigarro. Não tem um ensaio clínico randomizado para provar que o cigarro causa problemas. Mas, simplesmente, o peso das associações é muito grande. Acho que o mesmo pode ser dito para o exercício.

Rodrigo Polesso: É. O segundo estudo aqui… Esse bem recente… Publicado em setembro de 2017 agora, também no The Lancelet… Ele é um estudo prospectivo de coorte associativo. Note que esses estudos são associativos. Até porque seria quase impossível fazer um ensaio clínico randomizado que seguisse tanta gente por tanto tempo mantendo o controle desse tipo de coisa. Exercício, estilo de vida… Que se muda muito. Esse estudo com mais de 130 mil pessoas queria ver a relação entre atividade física e o risco de morte e doenças cardiovasculares em pessoas de baixa, média e alta renda. A conclusão foi a seguinte. Um aumento de exercício do dia a dia… Recreação… E exercício sem ser de recreação, ou seja, atividade física mesmo… Com o propósito de atividade física… Foram associados com um menor risco de mortalidade e menor risco de eventos cardíacos em indivíduos de baixa, média ou alta renda em vários países. Eles completam dizendo que… O aumento da atividade física no dia a dia é uma fora simples que pode ser aplicada em qualquer lugar. Não custa quase nada e pode ser aplicada globalmente para reduzir os riscos de morte e doença cardiovascular. São dois estudos que mostram a mesma coisa, só que com populações diferentes. Investigar a diferença da questão de renda. Será que é só exercício de academia? Países ricos ou países mais pobres? Exercício de caminhada ou colhendo mandioca na fazenda… Todos eles parecem ter o mesmo benefício. Isso é bastante legal de manter em mente.

Dr. Souto: Esse artigo é aquele mesmo estudo PURE, que nós comentamos bastante aqui no podcast. É o mesmo estudo que mostrou que quanto mais gordura na dieta, menor a mortalidade. Inclusive, quanto mais gordura saturada na dieta, menor a mortalidade. Pois bem. O pessoal criticou esse estudo. Por que não criticam também o fato de que ele mostra que exercício protege contra mortalidade? É o mesmo estudo. Ou seja, eles criticam aquilo que vai contra a sabedoria convencional e aí dizem, “Mas ele é um estudo observacional”. Quando ele diz que exercício diminui significativamente a chance de mortalidade por todas as causas… “Então, ele é um estudo maravilhoso.” É o mesmo estudo. O interessante desse estudo, como o Rodrigo salientou, é o fato de que ele cobriu um número grande de países… Em todo espectro… Desde países ricos, médios, até países pobres… O benefício se manteve em todos eles. E ele fez essa diferenciação entre atividade física recreativa e atividade física não recreativa. Por exemplo, se você caminha meia hora para pegar o ônibus para o trabalho, essa caminhada de meia hora conta como exercício. Veja bem. Ela tem o mesmo benefício do que a atividade recreativa. O que significa que você pode obter benefícios… Diminuir suas chances de desenvolver doenças e de morrer ao usar as escadas em vez de elevador. Ao caminhar… De repente descer uma parada antes e caminhar um pouquinho mais. Essas atividades não recreativas, onde a gente introduz a atividade física como parte do dia a dia trazem benefícios. E são benefícios significativos. Em termos absolutos, os números que o estudo mostra são muito maiores do que essa discussão estéril de se tem ou não substituir a manteiga pelo queijo magro. Mesmo que fosse verdade essas pequenas mudanças nos riscos de determinadas doenças, com mais ou menos gordura na dieta tudo isso empalidece. Ficam números pequenininhos perto do nível de benefício que a atividade física tem. Mesmo atividades físicas não tão intensas. Mesmo que seja uma atividade física não recreativa e simplesmente faça parte do seu dia a dia. E com uma quantidade que, dividida por sete dias daria 21, 22 minutos por dia. O Dr. Assem Malhotra que a gente sempre cita aqui… Um dos nossos ídolos… Um cardiologista britânico… Usou esse estudo aqui para falar em uma reportagem recente que, na realidade, o benefício de simplesmente caminhar 22 minutos por dia é muito maior do que o benefício que os pacientes têm, por exemplo, quando usam estatinas. As pessoas imaginam que usando a medicação elas estão reduzindo muito seu risco. Não, estão reduzindo muito pouquinho. E muito menos do que usar as escadas e caminhar um pouco durante o dia.

Rodrigo Polesso: É. Uma coisa interessante que você falou sobre a questão do exercício recreativo ou não… É ridículo de falar, mas é bom a gente manter em mente que uma caminhada de 30 minutos na rua tem o mesmo benefício que uma caminhada de 30 minutos na academia. As pessoas às vezes podem achar que elas precisam ir para a academia fazer um esforço consciente para caminhar e se exercitar quando isso pode ser muito mais divertido. Você pode fazer isso escolhendo ir no mercado a pé em vez de ir à academia ficar vendo aquela telinha na frente da esteira, por exemplo. A indústria tenta fazer a gente acreditar que exercício só funciona se for na academia. Mas isso não é verdade. Não faz nenhum sentido. Eu queria trazer dicas de como as pessoas podem incluir atividade física no dia a dia sem se tornar um rato de academia. O dia a dia da gente é muito ocupado. A gente tende a ficar sentado o dia inteiro na TV ou no computador. A nossa sociedade parece estar modelada para fazer com que a gente viva esse estilo de vida. Só que existem formas da gente se libertar um pouco. Se movimentar um pouco sem ter que ir na academia. Uma forma divertida. Uma das primeiras dicas é essa que você mesmo falou, Dr. Souto. Caminhar ou andar de bicicleta para onde você geralmente usa transporte público ou carro. É uma oportunidade no dia a dia que você tem de andar, respirar ar puro. Pensar, olhar ara cima, pegar um vento na cara… Em vez de estar dentro de uma caixa, ônibus ou carro. Você pode tentar fazer essas coisas no seu dia a dia. Ou começar um esporte novo, que é uma coisa que demanda um pouco mais. Mas pode ser muito mais divertido. O pessoal que joga bola… Sempre gosta de encontrar os amigos para jogar bola… E de praxe faz um exercício bastante interessante para manter sua saúde. Depois faz exercício dentro de casa. O pessoal que não quer ir para a academia… Eu estou fazendo agora bastante isso. Como viajo bastante… Hotel e etc… Você pode fazer exercício com o próprio peso do corpo dentro de casa, usando somente o corpo. Não tem desculpa para você não fazer. Além disso, eu acho, na minha opinião, muito mais divertido você conseguir fazer certas coisas com seu corpo… Exercícios… Do que você ter que ficar simplesmente levantando 30 quilos do chão… 50, 100 quilos do chão… A menos que você queira ser um estivador. Aí nesse caso seria bastante impressionante também. Caso contrário, seu corpo é suficiente para você manter uma boa musculatura, uma boa mobilidade também. Outra coisa… Botar o podcast no ouvido. Dr. Souto eu sei que faz isso. Colocar um podcast no ouvido e sair para dar uma caminhada acelerada por aí. É uma boa ideia essa.

Dr. Souto: Excelente. Quem nos escutar nesse podcast e fizer isso caminhando, vai cumprir bem mais do que esses 20 e pouco minutos de caminhada que já tem um belo de um efeito. Quem é daqui de Porto Alegre e me enxerga andando de fone de ouvido na rua, é podcast que estou ouvindo. Escuto vários. Na realidade… Especialmente final de semana, quando tem mais tempo, eu caminho literalmente horas escutando. É chato ficar em casa sentado no sofá escutando podcast.

Rodrigo Polesso: Muito chato.

Dr. Souto: Mas é muito agradável sair para rua. Quando o tempo está bonito… E passear. Passear ouvindo podcast. Aí é o contrário. Eu caminho muito mais do que eu normalmente caminharia se eu simplesmente tivesse… Caminhar sem ouvir nada, para mim, às vezes é uma coisa meio chata. Mas ouvindo podcast… Daqui a pouco me dou conta que tenho que voltar para casa porque já estou com dor nas pernas de tanto caminhar. Eu concordo. Essa aí é uma bela forma. Ou podcast, ou outra coisa que faço muito também que é audiolivro. Para quem não tem esse hábito… É maravilhoso. Ao invés da pessoa… Ler é um negócio que demanda tempo. Às vezes a gente fica sentado um tempão lendo. Eu sinceramente… Eu considero escutar um audiolivro como ler. Para mim, é leitura. Eu uso a expressão “estou lendo o livro do autor fulano”. Na realidade, 90% das vezes quero dizer que estou escutando o audiolivro.

Rodrigo Polesso: Interessante isso.

Dr. Souto: Audiolivro é uma bela dica.

Rodrigo Polesso: É uma ótima dica. Outra coisa que eu concordo plenamente é que andar sem ter isso… Sem ter uma música legal… Sem ter um audiolivro, um podcast… É muito… Mas muito chato. A menos que você seja uma pessoa que gosta de apreciar passarinhos, flores. Pode fazer isso sempre. Tem muita gente que fala, “Tenho que fazer uma hora de exercício… De caminhada… Vou colocar meu Fitbit no meu braço… Meu relógio digital… E vou marcar 10 mil passos… Vou marcar uma hora aqui… E vou.” E vai. Você se força a fazer isso direto. O tempo parece que dura três vezes mais. Parece que cada minuto dura três minutos, de tão chato que é. Quando você está distraído… Com sua mente sendo nutrida por conhecimento que seja… Isso passa muito rápido. Eu aconselharia você a fazer. Além de alimentar seu corpo com atividade física, você está alimentando sua mente também. Dois em um. É só benefício.

Dr. Souto: Só para não perder a dica… A gente estava conversando antes de começar a gravar o podcast… O pessoal que lê em inglês… Comprem o novo livro do Dr. Tim Noakes, que é o The Lore of Nutrition. É absolutamente espetacular. Infelizmente, não tem em audiolivro. Esse vai ter que ler sentado mesmo.

Rodrigo Polesso: Sentado mesmo. Maravilha. Eu já vi até gente andando lendo livro de papel. Tem gente que faz todo tipo de coisa. Outra coisa que eu ia falar para o pessoal que curte natureza… Final de semana, porque não fazer uma trilha? Subir a montanha… Levar o cachorro para passear… Levar o cachorro para a trilha, por exemplo. É uma atividade que dá muito prazer de se fazer. Você está, com certeza, fazendo um ótimo exercício. Fazer trilha é um ótimo exercício para o corpo, articulações e etc. Existem várias maneiras de você incluir atividade física moderada no seu dia a dia sem ter que você decidir fazer oficialmente parte de uma academia que muita gente odeia, na verdade. Então, tem opções pessoal. É uma questão de você começar a construir esse estilo de vida saudável… Esse estilo de vida ativo. Já que você cuida da sua alimentação, porque não cuidar um pouco da sua mobilidade, do seu exercício, do seu nível de atividade no seu dia a dia? Espero que essas dicas tenham sido úteis e tenham motivado você também a começar a pensar um pouco mais sobre isso. Falando em exercício, vamos falar o que degustamos na última refeição, Dr. Souto.

Dr. Souto: Vamos ver… Deixe eu lembrar, Rodrigo. Sempre tem essa dificuldade. Foi uma lasanha de berinjela. Lasanha de berinjela com presunto, queijo, carne moída… Queijinho gratinado por cima… Azeitonas recheadas… Estava bom. Repeti, inclusive.

Rodrigo Polesso: Você que fez?

Dr. Souto: Não, mas foi feito em casa.

Rodrigo Polesso: Bacana. É uma coisa que requer uma certa habilidade.

Dr. Souto: É. Não tenho.

Rodrigo Polesso: Churrasco eu sei que você tem muita habilidade, porque já provei da carne. Agora, lasanha de berinjela nunca vi você fazer.

Dr. Souto: A gente não pode ter todos os talentos.

Rodrigo Polesso: É verdade. A minha refeição… Até postei no Instagram do Emagrecer De Vez. Eu fiz um belo salmão selvagem com avocado do lado…. Sauerkraut. Eu tive uma ideia interessante que turbinou meu sauerkraut… O chucrute. Aqui você compra hemp seeds… Como traduz isso, Dr. Souto? Hemp seeds. O pessoal vai entender errado.

Dr. Souto: Eu acho que é semente de maconha.

Rodrigo Polesso: É semente da planta cannabis. É uma semente que tem um alto teor de gordura. É saudável. Não é de fumar nada. É a semente. Isso virou uma trend aqui agora. No mundo inteiro. Talvez no Brasil chegue logo. Essa atenção maior da planta cannabis como planta, não como fumo. Como planta. Os benefícios que essa planta tem. As sementes que ela tem. É uma semente bem fininha. Eu comecei a colocar por cima do chucrute com umas lascas de amêndoa… Você come aquilo e fica crocante ao mesmo tempo… É uma experiência diferente. Tanto quanto eu gosto de sabores, gosto de texturas no prato. Vou um momento eureca aí… De agora em diante vou tentar fazer isso sempre. Acho que é basicamente isso para o episódio de hoje, pessoal. Espero que tenha sido útil. Se você quer fazer parte da Tribo Forte, você deve fazer parte da Tribo Forte. A gente só fala de estilo de vida saudável. É só você entrar em TriboForte.com.br. Você vai ter acesso a um mar de informação lá dentro, que só os membros têm. E também vai poder fazer parte do nosso fórum exclusivo para membros. Vá em TriboForte.com.br. Se junte à família. Dr. Souto, ótimo. Agradeço pelo seu tempo. A gente, como sempre, se fala na próxima semana também.

Dr. Souto: Obrigado. Obrigado aos ouvintes e até a próxima.

Rodrigo Polesso: Até lá.

  • Jobin Pereira

    Ótimo podcast! gostei do material compartilhado! os estudos são de grande valia!