TRIBO FORTE #100 – EPISÓDIO ESPECIAL NÚMERO 100 DO PODCAST OFICIAL DA TRIBO FORTE

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

Os podcasts são 100% gratuitos e episódios novos saem todas as terças-feiras.

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Episódio ESPECIAL número 100 do podcast oficial da Tribo Forte!

É tempo de celebração! Obrigado ao apoio de todos durante estes último 1 ano e 9 meses 😀

 

Neste podcast:

  • Uma retrospectiva rápida da Tribo Forte
  • Comer antes do treino para dar energia? O que faz sentido?
  • Carboidratos, melhor comer a noite ou de dia?
  • Existem graves perigosos em se comer gluten-free se você é saudável?

Espalhe a mensagem, sugira o podcast da Tribo Forte para seu amigos e conhecidos.

Vamos fazer a boa informação sobre saúde, emagrecimento e estilo de vida saudável chegar a todos quem precisam ouvir!

PARABÉNS A TODOS NÓS PELOS 100 EPISÓDIOS! 😀🙂

#triboforte #alimentacaoforte #codigoemagrecerdevez #emagrecerdevez

🙂

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Quer Emagrecer De Vez? Conheça o programa Código Emagrecer De Vez

Logo-Banner-quadrado1Abaixo eu coloco alguns dos resultados enviados pra mim por pessoas que estão seguindo as fases do Código Emagrecer De Vez, o novo programa de emagrecimento de 3 fases que é o mais poderoso da atualidade para se emagrecer de vez e montar um estilo de vida alimentar sensacional para a vida inteira.

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Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: É isso aí. Bom dia para você. Eu sou o Rodrigo Polesso e esse é o episódio especial comemorativo onde a gente está celebrando o centésimo episódio. Nós já gravamos hoje 100 episódios já postados no podcast oficial da Tribo Forte, o podcast número 1 do Brasil em saúde. O Dr. Souto já está com sua língua de sogra… Com um monte de balões do escritório, que já mandou foto para mim… Dr. Souto, tudo bem?

Dr. Souto: Sim, confete e tudo o que tem direito. Cem episódios. Inacreditável.

Rodrigo Polesso: . A gente estava falando agora antes de começar. É incrível pensar que esse é o centésimo episódio que a gente já gravou aqui. Se for pensar que a gente já gravou, como eu falei… Um, dois, três, quatro… Até contar cansa até cem. Imagina gravar podcasts… Cem podcasts. Minha impressão é que passou muito rápido. Mas não sei o pessoal que chega agora e conhece o podcast Tribo Forte… O pessoal tem bastante estrada para percorrer ainda para chegar até esse ponto.

Dr. Souto: Ô se tem… O pessoal que chega agora e resolve ouvir desde o início vai passar bastante tempo sem fazer nenhuma outra coisa.

Rodrigo Polesso: É verdade. Maravilha. Ótimo. Fico muito feliz que a gente tenha chegado nesse objetivo. Como é um episódio de celebração, digamos assim, a gente vai falar de alguns assuntos de nutrição, obviamente… A questão de carboidrato, por exemplo, será que é melhor comer à noite, comer de dia… Falar sobre talvez o que comer antes do treino… A gente precisa comer energia antes do treino? E, se der tempo, no final, uma comédia rápida sobre gluten free. Tem alguns assuntos bacanas. Mas antes de começar aqui, deixa eu só falar uma rápida trajetória do que aconteceu até agora na Tribo Forte. Olha só, 2015 eu passei o ano focado no desenvolvimento e lançado do programa Código Emagrecer de Vez, que eu falo aqui direto. E também em lapidar a ideia do que se tornaria o projeto Tribo Forte. 2015. No começo de 2016, enquanto eu passava o verão no Brasil, eu contatei o Dr. Souto, com quem eu já tinha mantendo… Eu já estava mantendo contato desde quando eu morava na Noruega. Naquela época, pelo que me lembro, ninguém quase falava no Brasil sobre low carb. Até que alguém me recomendou, “Tem esse médico no Brasil que fala sobre low carb”. Daí entrei em contato com o Dr. Souto. A gente entrou em contato desde aquela época lá. A gente manteve contato. Em poucos dias tudo estava certo para nós nos encontrarmos em Porto Alegre no começo de 2016… Onde eu fui para compartilhar com o Dr. Souto meus planos e absorver também os deles, a visão que ele tinha… E também convidar ele para gravar comigo semanalmente esse podcast da Tribo Forte, um grande comprometimento, de forma que juntos a gente pudesse dominar o mundo… Quer dizer, pudéssemos começar a divulgar em maior escala ainda a boa ciência e reais verdades sobre saúde, emagrecimento e estilo de vida saudável, que é o nosso objetivo. No dia sete de março de 2016, há um ano e nove meses atrás, o episódio número 1 do podcast foi ao ar, olha só. Nós nos comprometemos desde o começo em gravar um episódio inédito da semana e agora no centésimo eu tenho orgulho em dizer que não falhamos nenhuma vez se quer, mantendo consistentes 100%, mas isso não significa nem um pouco que foi fácil, Dr. Souto. Só nós sabemos os perrengues que a gente passou para manter essa consistência.

Dr. Souto: É, bom, quantas vezes a gente gravou mais de um podcast na mesma semana porque não teríamos possibilidade de gravar na seguinte. Esse período que o Rodrigo estava de férias nós fizemos isso várias vezes. Agora ele está lá do outro lado do mundo, o que significa que um tem que acordar cedo, o outro tem que dormir tarde.

Rodrigo Polesso: Eu lembro quando eu tive que ligar para você… Dr. Souto estava na Itália, no hotelzinho… Eu liguei pela internet, não funcionou. Eu peguei… Tive que ligar do meu telefone. Falei com o pessoal da recepção. Arranhei um italiano feio para caramba, mas consegui no final falar com o Dr. Souto e gravamos. A mesma coisa também na Rússia, a gente gravou quando você estava lá também.

Dr. Souto: É. Enfim, cem episódios têm peripécias mil. Mas, como você disse, tudo para manter a consistência. Toda semana sai um episódio novo.

Rodrigo Polesso: É verdade a gente vai continuar fazendo o possível para que isso continue sendo dessa forma. Logo depois de alguns episódios postados no começo, o podcast Tribo Forte cravou o primeiro lugar nos podcast de saúde mais ouvidos no país no iTunes. Ainda em 2016 eu organizei o primeiro evento ao vivo da Tribo Forte em São Paulo, de dois dias completos, para trezentas pessoas. Aquilo foi um marco histórico também ao mesmo tempo que eventos do tipo praticamente não existiam no Brasil. Dentre os brilhantes palestrantes que estavam lá, Dr. Souto e outros incríveis profissionais obviamente, com quem hoje eu tenho o prazer de interagir diariamente. O evento também aconteceu na sua segunda edição agora em 2017. O dobro de tamanho, 600 pessoas. E foi ainda mais impactante. Foi o maior evento do gênero da América Latina. Chamou atenção também internacionalmente, como a gente falou aqui no podcast. A gente está colocando o Brasil no mapa como um país que está encabeçando mudanças grandes alimentares positivas em massa e com crescimento desse movimento incrível que a gente está tentando puxar para frente. A gente segue forte com o podcast mantendo ele disparado na liderança de podcast de saúde mais ouvido do país, porém nós fomos além disso e no final de 2017 eu recebi um email da Apple nos parabenizando por sermos um dos podcasts mais ouvidos do país no geral, não somente saúde. Se pensar, a gente está competindo com o pessoal de entretenimento, pessoal… Enfim, de todas as outras áreas… Notícias… É realmente impressionante saber que um podcast de saúde é um dos mais ouvidos do país inteiro. Agora, em 2018, ano novo, os planos continuam quentes. O evento Tribo Forte Ao Vivo desse ano será ainda mais incrível e um novo marco. Você precisa estar lá presente. Se você não foi ano passado ou no primeiro evento, já prometa para si mesmo que esse ano você vai. E se você já foi nos outros nos vemos lá novamente em São Paulo. As datas ainda estão a ser definidas. Em breve eu manterei todo mundo a par. Eu estou planejando algo inédito, diferente. Acho que vai ser bastante bacana. Hoje o podcast… Hoje, agora, nesse momento, o podcast é rotineiramente um dos top 10 mais ouvidos do país no geral. Nós somos extremamente gratos por todo feedback que a gente recebe e também por toda boa palavra que vocês passam à frente. O pessoal recomenda o podcast, posta no Instagram e “tagueia” lá, marca a gente. Acho muito legal isso. Obrigado por passarem para frente. Vale também mandam um abraço especial de agradecimento a todos os milhares de membros assinantes do portal Tribo Forte, onde você pode assistir não só a todas as palestras gravadas nos eventos, como também ter acesso a receitas… Centenas de receitas lá dentro, fresquinhas, até todo dia. Ferramentas de acompanhamento de peso. Fórum de membros. Cardápios de exemplo. Tabela de alimentos e muitas outras coisas. Tudo isso ajuda também a gente a continuar em frente fazendo coisas cada vez maiores. Se você não é um membro ainda, como eu sempre falo, você pode ver. Tem planos novos disponíveis. Você pode se tornar um membro em TriboForte.com.br. No mais, obrigado a todos por apoiarem nosso trabalho e por suportarem… Suportarem nosso humor meio ríspido às vezes aqui. Lembrando que o podcast também está no Spotify. Pessoal que tem Spotify… Está lá… Podcast da Tribo Forte também no iTunes e também no EmagrecerDeVez.com, no TriboForte.com.br. E lá no blog do Dr. Souto também. Você não tem desculpa para não acompanhar esse podcast. Ufa! Depois dessa introdução, essa rápida revisão do que aconteceu durante esses dois anos… Um ano e nove meses de história da Tribo Forte… Espero que você tenha curtido saber um pouco mais sobre isso. Agora que a gente está aquecido, a gente pode partir direto para a primeira coisa do podcast, que é a pergunta da comunidade. Então, vamos lá. Quem pergunta é o Luciano Teodoro. Ele fala: “Olá, Rodrigo, como vai? Eu vi um vídeo seu falando sobre adoçantes e achei super interessante, porém, eu tenho uma dúvida. Você falou que é bom ficarmos longe do gosto doce, ou seja, diminuirmos a frequência com que sentimos o gosto doce no dia a dia. Porém, eu malho e como batata-doce todos os dias antes de malhar para me dar energia. E aí, como é que eu faço? Eu devo substituir a batata doce? Ou não devo comer batata-doce antes do treino? O que devo comer para conseguir ter essa energia para malhar?” Bom, tenho certeza que o Dr. Souto tem seu palpite a respeito desse assunto de comer para ter energia para malhar. E eu gostaria de ouvir sua opinião, Dr. Souto, quer mandar ver?

Dr. Souto: Eu acho que é uma pergunta que encapsula várias perguntas. A primeira é a seguinte. Eu diria assim… Se ele quando pensa em algo doce está pensando na batata doce, é porque ele já está com o paladar bem adequado. Porque aquelas pessoas que são viciadas em açúcar, são viciadas em doce, eu mesmo que bebem coisas com grandes quantidades de adoçantes todos os dias, ou consomem produtos com muito adoçante… São pessoas que estão acostumadas com um nível de doçura muito além da batata doce. Eu, na realidade, me lembro, Rodrigo… Bom, para quem não sabe… Acho que muita gente já ouviu, mas até 2010, eu tinha uma alimentação muito diferente do que a que eu adotei depois de 2011. Eu comia muito doce. Muito açúcar. Nessa época eu me lembro que eu pensava assim… Por que que chamam batata doce por esse nome se ela não é doce? Então, para quem está acostumado a comer quindim, doce de leite, esse tipo de coisa, a batata doce não parece doce. Então, eu acho que o que você quis dizer e que ele ficou imaginando é assim… Diminuir a exposição aos gostos excessivamente doces. Coisas como doces feito com açúcar, coisas como um refrigerante diet… Que vai deixando – vamos dizer – sua língua anestesiada de tanta doçura, de modo que você só consegue ter prazer adoçando demais as coisas e isso é uma receita para ter uma recaída no vício do açúcar. Agora, se a pessoa acha que uma batata-doce é doce ou que uma cenoura é doce, essa pessoa já está com o paladar adequado. Esse sabor doce da batata-doce ou de uma cenoura, ou mesmo, vamos dizer, de um morango, são coisas que têm um leve dulçor natural. É bem pouquinho açúcar. Então, eu não vejo problema. Bom, então essa é uma camada da pergunta dele. A outra é a seguinte. Dá a impressão quando ele diz que o fato de ele malhar faz com que ele precise consumir batata-doce.

Rodrigo Polesso: Ou o oposto também.

Dr. Souto: É. Exato. Ele come batata-doce e precisa queimar aquilo malhando. Na realidade, as duas coisas estão incorretas. Então, vamos ver assim. Energia para fazer qualquer coisa nós já carregamos dentro de nós. Chama-se gordura. Na realidade é justamente por este motivo que nosso corpo acumula gordura. Não é para nos deixar doentes. Não é para nos deixar obesos. Nós acumulamos essa gordura para utilizá-la como fonte de energia em momentos nos quais nós não estamos ativamente comendo. Então, embora por muitos anos tenha se colocado como se a única fonte de energia possível fosse glicose… E isso foi muito reforçado depois pelo Gatorade… Pelas bebidas esportivas e tal… Que aproveitaram essa ideia e a reforçaram… De que a única fonte possível de glicose é o açúcar, é o consumo de carboidratos. Mas a realidade é que hoje já existe uma pletora de estudos mostrando que você pode ter uma boa performance fazendo uma dieta de baixo carboidrato ou de alto carboidrato e que você não precisa estar alimentado. Você pode, inclusive, estar em jejum. De modo que… Vamos ver o seguinte. São várias situações. Se ele se sente melhor comendo antes da atividade física, ok. Então, deve comer. Se ele não tem necessidade de perder peso, não está com sobrepeso, não está obeso… Se ele não é diabético, se ele não tem síndrome metabólica, sim, batata-doce é uma das alternativas que ele pode consumir. Agora digamos que ele tenha o objetivo de fazer sua atividade física – malhar como ele diz – mas ele também não queira ganhar gordura ou queira perder gordura. Talvez aí, neste caso, para ele fosse interessante… Se ele prefere se alimentar antes de comer, que é uma opção, não é uma obrigação… Se ele prefere, então ele poderia comer alguma coisa com menos carboidrato do que uma batata-doce. Vamos lembrar, né, pessoal… O corpo tem uma prioridade metabólica. O que que é isso? Dado que nós consumimos uma alimentação mista com carboidratos e gorduras… O corpo será ira queimar, sempre irá oxidar primeiro a gordura. Desculpa, eu me confundi. Primeiro o carboidrato. E a gordura fica em segundo plano. A gordura tende a ser armazenada se nós temos carboidrato sobrando. Então, no fundo é bem simples. Se eu quero que o corpo queime principalmente gordura, eu não devo oferecer grande quantidade de carboidrato para o organismo. Agora, se para mim tanto faz… O que pode ser uma situação, né, Rodrigo? O sujeito é um sujeito magro, saudável, metabolicamente saudável e ele simplesmente está com fome. Ele não quer ir treinar com fome. Bom, ele pode comer uma batata-doce, pode comer uma banana, pode comer um ovo. Enfim, é independente ele comer uma coisa ou a outra. A coisa que eu acho mais importante, por isso estou salientando aqui… Porque veja bem… Às vezes o sujeito está gordinho, está indo na academia e vê aquele cara jovem, de 20 anos, magro… Que ao contrário é magrinho, mirradinho e quer crescer. Então está lá aquele jovem magro que está comendo batata-doce porque ele quer aumentar sua massa corporal. Ele quer ganhar peso. Inclusive, ele quer ganhar um pouco de gordura, porque ele é muito magrinho. Aí o sujeito que está gordinho imita aquele ali, só que o objetivo do sujeito que está gordinho é o oposto. Ele quer diminuir. Ele quer sentir menos fome. Ele quer que o corpo use sua gordura como fonte de energia. Então, para ele consumir batata-doce pode não ser a melhor opção. Eu não sei qual é a situação do nosso leitor, por isso a gente fala as duas alternativas.

Rodrigo Polesso: Não, perfeito. Assim acho que muito mais gente pode absorver as respostas e também aplicar a cada caso. Bom, é como você falou. Se o Luciano que escreveu a pergunta… Se seu problema com doce é a batata doce, acho que você está muito bem. Realmente, o que eu comentei no vídeo que eu falei… É essa questão de reforçar o sabor doce. Você não quer ficar reforçando o ciclo, essa vontade do doce. Como fumar… Se você fuma frequente, você vicia. Toda vez que você fuma, você reforça o hábito. Estou falando de açúcares, coisas doces de fato, não com a batata-doce. Mas acho que o ponto dele principal aqui… Que ele deu a entender… Foi que ele precisa de energia para malhar e ele só sente essa energia se comer a batata-doce. Eu acho que se a pessoa precisa comer um carboidrato desse para ter energia para fazer exercício físico, alguma coisa mais embaixo está errada metabolicamente nessa pessoa. Esse corpo não está conseguindo utilizar essa gordura estocada como a gente está falando aqui. Não está conseguindo metabolizar essa energia de forma que ela precisa de um estímulo insulínico antes de ir para a academia para ter vontade de ir para a academia.

Dr. Souto: Às vezes alguma coisa está errada metabolicamente, às vezes está errada psicologicamente.

Rodrigo Polesso: Também, com certeza.

Dr. Souto: Na realidade nós vivemos num mundo onde o senso comum implica essa ideia de que você tem que se alimentar logo antes para ter energia. E vocês que nos escutam aí vão lembrar que alguns episódios atrás nós comentamos aquele estudo do café da manhã placebo no qual pessoas que consumiram um shake que era composto de coisas que não eram absorvidas… Aquilo tinha um gosto doce, mas não tinha carboidratos nem calorias ali. E a pessoa tinha uma performance melhor do que a pessoa que tinha tomado água. Então, na realidade, quem tomou água e quem bebeu aquele shake ali ambos não consumiram caloria nenhuma nem carboidrato nenhum, mas aquele que achou que tinha consumido carboidrato teve uma performance melhor, porque ele foi mais confiante do ponto de vista psicológico. Então, você que fez a pergunta considere esse podcast como seu café da manhã placebo. Considere isso como… Vamos tirar esse bloqueio mental e saber que você tem a liberdade de comer ou não comer antes da atividade física. E se você comer antes da atividade física pode ser carboidrato ou não. E isso terá pouco ou nenhum impacto na atividade física de atletas amadores. Quanto aos profissionais, nós também já conversamos aqui. Inclusive alguns deles… Sempre a gente cita o Chris Froome, ciclista, que ganhou quatro vezes o Tour de France também fazendo uma dieta mais para o espectro low carb.

Rodrigo Polesso: Com certeza. Maravilha. Ótimo. Olha só. Se for mandar ver nos carboidratos… Se você for mandar ver nos carboidratos… É melhor comê-los durante o dia ou durante a noite? Cada pessoa fala uma coisa diferente. Se for perguntar na rua, por aí, as pessoas têm uma crença automática de que é melhor comer de dia o carboidrato, porque o racional é de que à noite, como o corpo está se preparando para dormir, essa energia extra vai ser estocada mais rapidamente uma vez que ela não é necessária naquele momento. Mas será que é isso mesmo? Seguinte. Um artigo publicado no G1 recentemente fala justamente sobre esse assunto mencionando um novo estudo bem pequeno que foi conduzido num programa de TV da BBC chamado “Trust me, I’m a doctor” (confie em mim, eu sou um médico). Junto com o host – o anfitrião do programa – o médico Adam Collins da Universidade de Surrey no Reino Unido… Eles conduziram um pequeno experimento piloto com quatro voluntários para analisar como o corpo lida com carboidratos à noite e de dia. Por dez dias os voluntários consumiram a mesma quantidade de carboidratos em dois formatos possíveis, que foram aleatoriamente designados para as pessoas. O primeiro formato foi que a maior parte dos carboidratos seria consumida no café, um pouquinho no almoço e um low carb na janta. O segundo formato é que a maior parte dos carboidratos é consumida na janta ao invés. Bom, todos os voluntários iriam testar as duas formas de comer, mas uma de cada vez. Depois do recrutamento do estudo, os voluntários passaram a comer normalmente por sete dias… Durante o estudo. Depois, por cinco dias os voluntários comeram de uma forma e foram analisados. Depois todos os voluntários passaram cinco dias comendo normalmente para tipo “resetar” o sistema. E depois, na parte final do estudo, eles seguiram mais cinco dias comendo carboidratos da outra forma – mais à noite ou mais de manhã. Os resultados são, enfim, interessantes. Quando os voluntários comeram o café da manhã alto em carboidratos e low carb na janta a resposta glicêmica média foi de 15,9 unidades. Quando os voluntários comeram um café low carb e uma janta high carb – a maior quantidade de carboidratos na janta – a resposta glicêmica foi de 10,4 unidades. Olha só… Comer na janta… A resposta glicêmica em média ficou abaixo. Consideravelmente abaixo, 50%, um pouco mais… Abaixo do que quando as pessoas comeram no café da manhã. É claro que esse estudo foi piloto e foi minúsculo, porque ele é para começar um estudo maior que eles vão seguir nessa mesma ideia. Mas enfim, ainda assim eu achei interessante. E apesar desse tipo de estudo não concluir nada, é um resultado que é o oposto que as pessoas esperam que aconteça. Então, por isso eu quero saber o que você acha desse assunto, Dr. Souto.

Dr. Souto: Como você disse, assim… Não tem muita coisa para concluir, até porque… Vamos dizer… É um desfecho substituto… Não é nem secundário. É terciário. Então, quer dizer… Bom, são pessoas normais. Talvez fosse interessante saber se fossem diabéticos, nos quais isso seria mais importante. Quem sabe aí medir a hemoglobina glicada dessas pessoas e fazer por um período mais longo. Existe um outro detalhe. Eu não tenho de cabeça para citar para vocês o estudo, mas eu tenho certeza que eu já li que um café da manhã com um conteúdo maior de proteína diminui a fome no resto do dia e produz uma estabilidade maior da glicemia durante o dia. Então, eu fico me questionando se o fato da resposta glicêmica ter sido melhor naqueles que consumiram carboidrato à noite não tenha sido porque o carboidrato tenha sido consumido de noite e sim porque o café da manhã foi low carb, proteico.

Rodrigo Polesso: É uma coisa a se pensar.

Dr. Souto: Então, eu acho que ele é um estudinho piloto interessante desses assim… Bonitinho… Para gerar hipóteses… Para poder produzir outras coisas. Mas vale para salientar esse ponto que você disse, que é muito, mas muito comum, que o senso comum esteja errado. A pessoas abominam o carboidrato… Não pode ser consumido de noite… Porque isso, porque aquilo… Bom, o que é a ciência? É a gente formular a hipótese e ver se ela se sustenta depois de um teste. Inclusive, normalmente o senso comum argumenta justamente por causa disso que você falou. A pessoa diz assim, “Olha… Vai comer o carboidrato e depois vai dormir. Aí vai ficar sem utilizar aquela energia.” Só lembrando, pessoal, a gente usa uma quantidade grande de energia mesmo quando a gente está dormindo. Na realidade, a maior parte de toda a energia que o corpo gasta é o chamado metabolismo basal, que é aquele que seu corpo consome para se manter vivo, que não é tão pouco. Então, este metabolismo basal está ocorrendo sim mesmo quando você está dormindo. Então, eu acho que tem sim muito de senso comum. Eu quando vi essa notícia fiquei pensando, poxa vida, devia ter seis voluntários em vez de quatro. E devia ter seis que fizesse low carb… Dois que fizessem low carb de manhã e de noite. Aí nós iriamos ver algumas coisas interessantes.

Rodrigo Polesso: É isso que eu ia dizer. O resultado melhor seria com um terceiro grupo que não fizesse isso. O problema é que eu acho que as pessoas estão sempre tentando achar uma saída fácil. se saísse nesse estudo que é melhor comer à noite, até a galera que não come muito carboidrato ia começar… “Mas tem um estudo que dá para comer à noite, então aquela pizza que eu estava me segurando vou começar a comer… Aquela massa vou começar a comer.” As pessoas sempre tentam achar uma desculpa fácil, eu acho, para justificar… Sei lá… Enfim… Aliviar as resistências… Abaixar os muros e enfiar o pé na jaca de algum sentido. O pessoal que escuta a gente aqui, o pessoal que faz low carb… Você não tem necessidade de ficar medindo se comer carboidrato à noite ou de dia porque você não tem essa necessidade maluca. Mas, enfim, esse outro rant à parte. Legal. Bom. Dois casos de sucesso aqui, pessoal. Dois casos de sucesso que exemplificam o quão rápido o corpo pode reagir quando a gente tira os obstáculos à frente dele. Ambos esses casos são de pessoas que voluntariamente compartilharam como sempre os resultados e que estão seguindo a primeira fase do programa Código Emagrecer de Vez. Para seguir o programa também e testar como funciona no seu corpo, lembre-se, é só você acessar o nome do programa: CodigoEmagrecerDeVez.com.br. O primeiro caso é da Maria Laura. Ela falou: “Ontem eu completei o sétimo dia do desafio (que é a primeira fase do programa)… A semana 1. Hoje, uma surpresa deliciosa: perdi 3,7 quilos.” Direto a gente recebe casos de sucesso na primeira semana. As pessoas ficam impressionadas com uma quantidade maior que é perdida na primeira semana. Mas, sabendo disso… Dentro do programa nas instruções em vídeo eu já aviso as pessoas desse fenômeno para elas não acharem que essa perda inicial vai continuar igual para o resto das semanas. Eu explico porquê. Se ajuste à expectativa. Mas mesmo assim eu entendo que as pessoas ficam felizes com essa mudança grande na primeira semana até porque elas não passam fome para obter esses resultados. O segundo depoimento é parecido. É da Flávia Correia. Ela fala assim: “Vamos aos resultados na primeira semana. Foram 3,5 quilos eliminados com redução em praticamente todas as medidas com bastante diferença na cintura – menos 7 centímetros e abdômen menos três centímetros.” Lembrando: sete dias. Uma semana só com a primeira fase, que eu chamo de desafio de trinta dias do programa Código Emagrecer de Vez. Parabéns às meninas. Obrigado à Maria e à Flávia por compartilhar. A gente posta sempre no Instagram, no Facebook, no canal do Emagrecer de Vez. Acaba motivando as pessoas a mudarem de vida e o mais legal é saber que esse peso cai e não volta mais se elas continuarem com esse estilo de vida que elas estão aprendendo lá. Obrigado por compartilhar isso aí. Dr. Souto, acho que dá para mencionar a questão do gluten free, mas antes da gente falar do gluten free, por que a gente não comenta um pouco o que você… Bom, comeu na janta ontem, já agora é de manhã para você. Agora é à noite. Eu já jantei. Dr. Souto acabou de acordar. Ele vai almoçar ainda. Por que não compartilhar o que você comeu na janta ontem? Aí eu compartilho o que eu comi na janta de hoje.

Dr. Souto: Ontem eu fiz uma misturinha daquela de carne moída com vegetais. Então, receitinha bem simples, pessoal. Coisa que leva minutos. Pica uma cenourinha, pica pimentão, pica cebola, refoga tudo isso com um pouquinho de banha. Depois que a cebola estiver mais molezinha, douradinha, mistura ali a carne moída, tempera a gosto. Tomate… Eu peguei um desses tomatezinhos sem pele, que é uma delícia para fazer molho. E foi isso aí. Fui um picadinho. Estava muito gostoso. Deu para se servir mais de uma vez. Era de noite, né Rodrigo, mas com certeza não alterou muito minha glicemia.

Rodrigo Polesso: Provavelmente não. É um dos hábitos… Sei lá… Será que eu falo… Será que eu não falo… Mas vou falar. Um dos hábitos dos homens, eu acho… Nós somos muito hiperpráticos. Mas isso não é um elogio necessariamente, pessoal. A questão é o menor esforço possível para se alimentar. Se poder jogar uma carne do micro-ondas, a gente faria. Claro que estou falando no geral aqui. Tem mulheres assim também. Tem homens caprichosos e tudo mais. Mas eu também sou muito prático. Na verdade, como estilo de vida alimentar… Como você falou… De uma forma rápida a gente consegue criar uma coisa de sustança… Uma coisa saborosa ainda assim. É bacana também essa parte da alimentação que não exige nenhuma habilidade de super herói na cozinha.

Dr. Souto: É, e até vou te dizer. A coisa mais simples que costumo fazer de noite… Isso ontem foi quando eu tentei fazer algo complexo. Quando é para ser algo simples, eu pego ou coxinha da asa ou asa de frango… Ou então sobrecoxa… Boto sal e algum temperinho por cima… Deixo a pele voltada para baixo na travessa… Coloco no forno… Deixo 45 minutos e vou fazer outra coisa. Aí quando apita o alarme do meu celular que passou os 45 minutos eu vou lá e como.

Rodrigo Polesso: Como eu ia dizendo… É pura verdade. Isso é genial, na verdade. Coxinha de frango… Asinha de frango… É espetacular, eu adoro.

Dr. Souto: Quando a pele chega a ficar laranjinha, fica crocantinha, aquilo ali é um negócio… É o tempero da natureza. Não precisa de mais nada.

Rodrigo Polesso: Não, não precisa. Inclusive, sobre asinha de frango… Ouro rant aí. Você vai nos restaurantes da vida, você pega asinha de frango… Geralmente só tem aqueles molhos doces e grudentos para vocês escolher. Em alguns restaurantes melhores você tem aquele dry rub, que seria aquele tempero seco. Às vezes tem um curry… Um temperinho… Pimenta, sal, limão. Mas não é aquele negócio vermelho, grudento, apimentado e doce ao mesmo tempo, e acaba destruindo todos os benefícios do pobre do frango. Eu sempre tento fazer com tempero seco e acho uma delícia também. Como você falou, tempero da natureza. Já está automático lá dentro. Bom, beleza. O que eu comi na janta agora foi uma salsicha de carneiro que eu comprei aqui, orgânica. Eu comi ela com ovos mexidos. Maravilha. Não precisa de mais nada. Um pouco de chucrute e um pedaço de queijo brie. Queijo brie riquíssimo em gorduras. Maravilha. Dr. Souto, olha só.

Dr. Souto: Fale.

Rodrigo Polesso: Gluten free. A gente falou de gluten free recentemente… Não muitos episódios atrás. Inclusive, o nome do episódio é “Glúten, Glúten, Glúten”. Adivinha sobre o que que ele é? Exatamente, sobre vegetarianismo. Não, estou brincando. É sobre glúten. Então, você pode dar uma olhadinha lá se você tiver dúvida sobre esse assunto. A gente falou um podcast inteiro sobre glúten. Só que eu estava durante o dia montando a pauta e o Dr. Souto me mandou um link falando… O título era o seguinte… No New York Times… O título do artigo é… Existe um ponto negativo… Um lado negativo ao começar gluten free se você é uma pessoa saudável? Então, Dr. Souto, vou confessar para você que eu não li todo o artigo. Eu abri enquanto estava gravando, mas tenho certeza que você deve ter dado uma olhadinha. Na verdade, o autor é alguém que é conhecido da gente há um bom tempo. Não é famosa por falar muitas coisas coerentes. Você pode compartilhar com o pessoal qual é a mensagem por trás? Qual é o lado negativo de começar o gluten free se você é uma pessoa saudável?

Dr. Souto: Então… Chega a ser engraçado. A argumentação é sempre a mesma, o que faz a gente realmente… Questionar o que está por trás disso. É uma coisa tão burra essa argumentação. Então, por exemplo… Um dos principais problemas que eles dizem aqui de reduzir os alimentos com glúten é que isso vai reduzir a qualidade geral da sua dieta. Bom, ponto, só um pouquinho, luz vermelha. Como é que é? Vamos pensar. Se eu vou tirar pão da minha dieta, se eu vou tirar biscoito da minha dieta. Vou tirar biscoito recheado. Vou tirar panqueca doce. Se eu vou tirar essas coisas da minha dieta… Donuts, bagels, pãozinho bisnaguinha… De que forma retirar essas coisas da dieta vai torna-la uma dieta de qualidade inferior? É tão bizarro. Quem escreveu isso daqui deveria ser um advogado criminalista. É capaz de pegar um cliente completamente culpado e tentar vende-lo como inocente para um júri.

Rodrigo Polesso: Ele pega no ponto da fibra bastante.

Dr. Souto: É. Tem esta frase que eu acabei de ler. Agora continua. “O principal problema que as pessoas têm numa dieta sem glúten é que as fibras despencam. A quantidade de fibra despenca.” Ponto. Luz vermelha de novo. Como é que é?

Rodrigo Polesso: As pessoas começam a comer gelatina ao invés, é por isso?

Dr. Souto: Sim, sei lá. Devem beber só shakes líquidos.

Rodrigo Polesso: Não faz sentido.

Dr. Souto: Vejamos assim… Vamos combinar… Vamos comparar. Um pão e mesma quantidade… Não precisa nem ser em calorias, porque aí seria uma desgraça. Em peso. Um pão e a mesma quantidade em peso de salada. De que forma eu vou estar diminuindo minhas fibras? Veja bem, se eu comer menos massa no meu almoço eu não tenho uma chance de comer mais vagem, de comer mais abobrinha, ou de comer mais legumes na manteiga? Ou simplesmente de botar uma segunda servidinha de salada. Então são argumentos como se assim… Veja bem… A pessoa entende que a única fonte possível de fibra na dieta é grãos com glúten. Isso sem deixar de mencionar o seguinte. A maioria das pessoas que comem alimentos ricos em glúten comem esses alimentos desprovidos de fibra. Vamos combinar. Os integrais ainda têm um pouco de fibra. Desculpa, deixa eu repetir: Tem um pouco de fibra os integrais. Agora, a maioria das pessoas não está se entupindo de coisas integrais. A maioria das pessoas está consumindo ela sem fibra nenhuma, ou seja, o objetivo… Eles estão falando que é perigoso fazer uma dieta sem glúten, mas na realidade estão partindo do pressuposto de que as pessoas só consomem glúten mais integral possível.

Rodrigo Polesso: É, exato.

Dr. Souto: Complicado. Depois… “Seguir uma dieta sem glúten significa deixar de consumir os grãos integrais, o que pode ser especialmente problemático, porque os grãos integrais são associados com numerosos benefícios para sua saúde – especialmente para o coração.” Só um pouquinho. Ponto, luz vermelha. Tem uma metanálise da Cochrane mostrando que não existe uma relação entre o consumo de grãos integrais e doença cardíaca. Então, isso aqui é mentira. Simplesmente não é verdade. Bom, por que existem alguns estudos observacionais com todos aqueles problemas que vocês já sabem dos estudos epidemiológicos que mostram que grãos integrais poderiam estar associados com risco diminuído de diabetes e etc. Porque são estudos em que o outro grupo não é um grupo sem glúten, sem grãos. O outro é um grupo com grãos não integrais.

Rodrigo Polesso: Fumante, bebe, caramba a quatro.

Dr. Souto: É. Então, se eu tenho dois grupos. Os dois comem pão para caramba. Mas um deles come pão branco e o outro come pão preto, e o que come pão preto tem um pouco menos de diabetes, isso não significa que pão preto previne diabetes. Isso significa que sua chance de ficar diabético por causa do pão preto é um pouco menor do que ficar diabético por causa do pão branco. Vocês entendem? Um é péssimo. O outro é ruim. Isso não significa que ser ruim é bom.

Rodrigo Polesso: É, exatamente.

Dr. Souto: Mas tem algum estudo que compare com ausência de grãos? Claro que tem. Tipo um cinquenta tantos ensaios clínicos randomizados nos quais o grupo low carb por ser low carb não está consumindo grãos nem integrais, nem não integrais. E em todos eles o grupo low carb tem desfechos melhores.

Rodrigo Polesso: É. Mas esses argumentos são extremamente ruins. Estou lendo o artigo aqui e achei um ponto engraçado. Quando as pessoas… Acabam os argumentos… Elas não sabem mais o que falar para defender. Chega um ponto aqui que… Não foi o Dr. Katz. Foi esse Dr. Lebwohl aqui. Ele falou: “Começar uma dieta sem glúten… (olha o ponto negativo) Pode também interferir com a habilidade de detectar doença celíaca.” Olha só outra coisa que é mais bizarra ainda. Você vai continuar de propósito comendo glúten porque se um dia você for testado contra doença celíaca, você vai ter um resultado mais preciso. Pessoal… Se você tem doença celíaca e você come glúten, você vai saber com certeza absoluta no banheiro que você tem doença celíaca para começar.

Dr. Souto: Digamos assim… Vou dar um pinguinho para o doutor. Está bem… Na dúvida… Se o sujeito tem desconforto… Nem todo celíaco passa super mal… Vai fazer seu exame primeiro. Realmente, depois que a pessoa tira o glúten fica mais difícil. Mas outro argumento aqui, Rodrigo… Você passou por ele, mas ele é maravilhoso. É o seguinte. Na hora que você para de comer alimentos com glúten, você passa a consumir alimentos gluten free que vão ter mais gordura, mais açúcar, mais sal e que vão ser piores para sua saúde. Veja bem… Eles não conseguem conceber que você possa substituir um pão… Ao invés de substituir por um pão sem glúten feito com farinha de arroz… Você não pode simplesmente não comer pão? Que você substitua por frutas? Que você substitua por salada? Que você substitua por carne? Que você substitua por peixe? De que forma sua saúde vai piorar? É porque no fundo eles não conseguem compreender que a pessoa vai deixar de comer uma bisnaguinha… Não daí para passar a comer uma bisnaguinha gluten free. Mas é incrível. Não entra nas cabeças. É impressionante.

Rodrigo Polesso: É, é. Sabe outra coisa que esse médico falou? Assumindo que… Claro… Avalia… De uma pessoa que está em dúvida se tem doença celíaca ou não… Não é uma manifestação séria da doença… Se ela começar a modificar a dieta, talvez seria um pouco mais difícil de conseguir a precisão no teste. Mas olha só que interessante. Achei, sei lá, engraçado por algum motivo outro essa frase seguinte. Vou ler literalmente o que está escrito aqui. “Um dos cenários mais frustrantes para tanto o médico, quanto o paciente é quando o paciente tem um número de sintomas, ele começa uma dieta gluten free e ele se sente muito melhor. Talvez até 90% melhor. Mas a gente não sabe se ele tem doença celíaca ou não.” É frustrante para os dois se ele se sente 90% melhor. Achei meio engraçada essa parte.

Dr. Souto: Bom, um outro detalhe interessante é o seguinte, ele chega e diz assim, ó: embora alguns pacientes com doença síndrome do intestino irritável possam ter melhoras dos sintomas depois de cortar o glúten, a pesquisa sugere que talvez isso resulte de outras coisas que não o glúten. E aí eu pergunto: e daí? Que diferença faz? Pessoal, o que ele está querendo dizer é o seguinte: se você tem intestino irritável e você para de comer pães, massas, esse tipo de coisa, o intestino irritável melhora. Tá, mas tem pesquisas que sugerem que tem outras coisas no glúten, como a glutenina do trigo… tem outras substâncias ali que podem causar o intestino irritável. Bom, de que forma isso é um argumento para você não deixar de comer glúten? Veja, você deixa de comer glúten e o seu intestino irritável melhora por outras substâncias que estão presentes no mesmo trigo que tem glúten. Bom, então tanto faz. O importante é que melhorou. Se melhorou quando você deixou de comer aquilo ali, se depois você descobre que não foi pelo glúten, foi pelo glimpso (inventei uma palavra)… tá, e daí? O que importa não é que melhorou? Então eles estão criticando algo, mas dizendo a cada parágrafo: olha, pode ser que você melhore… de repente se é celíaco vai melhorar, mas se é não celíaco também vai melhorar. Mas, bom, isso você não deveria deixar de comer… Eu não consigo entender a lógica, vamos dizer, as conexões entre os parágrafos. Eles não se aglutinam.

Rodrigo Polesso: Com certeza. Bem no finalzinho aqui eles falam que uma dieta sem glúten é normalmente associada à conclusão do que o dr. Katz chama de alimentos ultra processados e gluten-free junk food, que é exatamente o que a gente está falando aqui. E a exclusão dos high nutrition, dos altamente nutritivos grãos integrais. Novamente, ninguém pensou aqui que existem outros alimentos no planeta Terra que não são grãos, não é? Impressionante a dificuldade que eles têm em pensar nisso.

Dr. Souto: É, eu acho que é a dificuldade de chegar em uma conclusão que vai contradizer o que eles vêm pensando e defendendo a vida inteira e tal. Aí é a famosa dissonância cognitiva. Tipo, se eu levar o argumento às últimas consequências, eu vou chegar à conclusão de que, bom, o que eu estava dizendo era um troço que não faz sentido… nos últimos 20 anos. Então, o que eu faço? Eu invento essas desculpas, essas explicações extremamente esquisitas. É, complicado. Mas enfim, é só para… a gente resolveu ler para vocês aí para que vocês vão treinando as habilidades de pensamento crítico, de leitura crítica de texto. Porque isso aí saiu no New York Times recentemente, em janeiro agora de 2018. Ou seja, volta e meia os mesmos velhos argumentos reciclados, eles aparecem de novo. E aí vocês que já tiveram paciência e nos deram a honra de nos ouvir por 100 episódios, já tem, inclusive, o contra-argumento para isso aí. Porque nós já discutimos o mesmo assunto lá no episódio glúten, glúten, glúten, para vocês verem como os argumentos se reciclam. Eles aparecem de novo. Não são argumentos novos, não são novos estudos, não são novas pesquisas. São as mesmas antigas falácias.

Rodrigo Polesso: É, eu acho que algumas coisas… algumas dessas ideias principais, nós repetimos, se brincar, 100 vezes já. Todo episódio a gente fala! Então, o pessoal acho que vai aprender uma hora ou outra também isso.

Dr. Souto: É, veja bem, eu acho que tem pessoas que não tem nenhum problema metabólico, que tem uma digestão ótima, que quando comem um alimento contendo glúten não têm problema nenhum. Bem, se a pessoa quiser comer, come, entendeu? Não estou achando que é um veneno total, que vai liquidar com a humanidade. Não é isso. O que eu quero dizer é o seguinte, por que que a gente toca nesse assunto do glúten? Até no outro episódio nós falamos assim não é retirar o glúten que emagrece. É que quando você retira carboidratos, diminui os carboidratos da sua dieta, bom, aí você tende a queimar mais gordura e, claro, como os alimentos que contém glúten são os alimentos ricos em carboidratos (é pão, é cerveja, é esse tipo de coisa), obviamente ao retirar o glúten você diminui os carboidratos, está certo? Então, para aquelas pessoas que se beneficiam, está bem. Agora, você fazer esse tipo de artigo aqui e dar a impressão de que vai ser um cataclisma para a saúde da pessoa a retirada do glúten baseado em argumentos ridículos como esse… Isso basicamente é o tipo de artigo que aquele ouvinte nosso diz assim: ah, vou começar isso aí. Começa a tirar os carboidratos, começa a se sentir bem, começa a perder peso, se é diabético a sua glicose começa a melhorar. Mas aí um amigo, parente, etc., manda: olha o que saiu no New York Times, tirar o glúten vai acabar com você, sua nutrição vai ficar um lixo, sua saúde vai deteriorar. Então esses artigos aqui fazer muito mal, não é? Então a gente tem sim que destruí-los.

Rodrigo Polesso: Como você viu, se você se sentir bem e melhorar é bastante frustrante. Tanto para o paciente quanto para o médico! Ai, meu Deus do céu! E sobre o glúten, concordo! Concordo plenamente com o que você falou. Acho que o glúten hoje em dia acaba se tornando na cabeça das pessoas o grande vilão de tudo. E tem profissionais, até profissionais que eu gosto, que tem esse posicionamento bem assim, rígidos contra essa questão… eu também tendo a não acreditar que é tudo isso, eu também acho que as pessoas que não têm problema não têm grande com a questão do glúten… Não tenho nada contra o consumo esporádico de glúten também. Agora, uma grande armadilha e, claro que a indústria tira vantagem disso… uma grande armadilha quando você começa a achar que uma coisa faz mal, por exemplo o glúten, que é uma coisa normal, você acha… começa a achar automaticamente na sua cabeça que tudo que não tem aquela coisa que faz mal, imediatamente significa que faz bem. Então, hoje em dia o que eu vejo no mercado é alimentos de todos os tipos, inclusive… ontem eu fui ao mercado e pasmem, eu vi água de coco lá na embalagem dizendo que era sem glúten. Olha só! E o que significa isso? Isso é uma aberração da sociedade. Isso significa o seguinte: a indústria sabe que as pessoas estão olhando as embalagens procurando por gluten free, e elas associam isso ao alimento fazer bem. Aquele alimento não fazer mal só porque ele é gluten free. Então você tem a desculpa de comer o quanto você quiser, independente, porque ele é gluten free. A indústria sabe disso, se aproveita, muitas pessoas caem nessa, acabam piorando a saúde por causa que começaram uma dieta gluten free sem saber e aí só alimenta esse ciclo vicioso. Acho que é uma armadilha muito grande essa questão aí.

Dr. Souto: É, e até para reforçar, vou contar um exemplo de um paciente meu de consultório. Esses dias, precisando perder peso orientei ele a reduzir os carboidratos. Aí ele estava em um local, uma dessas, enfim… locais que vendem alimentos saudáveis, naturais, e ele me mandou uma foto de um sanduíche que tinha lá. Então ele era um sanduíche natural, saudável, vegano, e aí lá pelas tantas tinha lá: gluten free. E aí tinha escrito os ingredientes, e era um pão feito com farinha de mandioca. Então, quer dizer… eu disse para ele assim: tudo bem, é sem glúten se você fosse celíaco isso aqui resolveria o seu problema. Mas como o seu objetivo é perder peso, restringir carboidratos, está trocando o amido do trigo pelo amido da mandioca, mas é tudo amido, é tudo glicose. Então você falou bem. Assim, quer dizer, tiramos o pão, não tem mais pão. Sim, mas trocou por um pão que tem tanto ou mais amido do que o outro.

Rodrigo Polesso: É. Outra coisa que a gente estava falando, lembrei aqui agora que… isso eu vi hoje quando eu fui ao mercado comprar salsicha… eu vi, tinha uma sessão de alimentos saudáveis. Como você falou, no mercado hoje em dia tem sessões assim, que os produtos são um pouco mais caros, mas são saudáveis. Quando eu falo saudáveis, pessoal, trema na cadeira… é entre aspas. É tipo o dr. Souto falando do sanduíche natural, lá… saudável, vegano. É tipo uma dissonância cognitiva na mesma frase. Mas deixa para lá. Não vamos tocar nesse assunto muito hoje. Talvez a gente toque outro dia. Mas o que eu vi lá é chips… batata frita. Chips tipo Ruffles da vida, assim. E tinha lá, bem grande a embalagem na sessão saudável: 90% menos gordura saturada, orgulhosamente frita em óleo de girassol. Eu falei: caramba! Olha que beleza. É muito saudável isso daí! Tem que comer bastante. E outra, olha só a falácia! E aquilo ali estava na sessão dos produtos saudáveis. Porque, afinal, o gerente do mercado provavelmente não sabe que óleo de girassol é justamente o oposto do que a gente considera saudável. Não é nem alimento.

Dr. Souto: Principalmente se você usar ele para fritar alguma coisa.

Rodrigo Polesso: Especialmente isso!

Dr. Souto: Porque aí sim, ele vai formar todo tipo de aldeído e produtos oxidados da pior espécie.

Rodrigo Polesso: É. Exatamente. E pouca gente sabe disso. Na verdade, a indústria dos óleos vegetais acaba condenando o azeite de oliva, falando que se você aquecer muito, cozinhar com ele é ruim, que o óleo de coco tem gordura saturada… Eles escondem muito bem essa questão que quem libera coisas cancerígenas é o próprio óleo vegetal quando você cozinha em alta temperatura. E para que que ele é usado? Para cozinhar em alta temperatura! É um absurdo!

Dr. Souto: É, e tem uma coisa muito boa que dá para fazer com esses óleos aí, chama-se biodiesel.

Rodrigo Polesso: Exatamente! É um uso que, digamos assim, não vai machucar ninguém diretamente, não é? Mas também é outra coisa… nem para isso seria bom para o planeta que fosse usado. Não é? Então assim… é complicado. Maravilha, pessoal! Esse foi o centésimo episódio aqui da Tribo Forte. Mais uma vez recheada de informação. E a gente espera que tenha sido útil para você e, por favor, passe a frente. Comenta com teu amigo, com a tua família, tente trazer essas pessoas para ter acesso a esse tipo de informação e aí com isso elas vão poder decidir o que fazer. Mas o importante é que elas tenham acesso à informação, saibam que isso existe, porque isso vai dar liberdade de decisão, liberdade alimentar para elas. Informação é poder, cada um faz o que quiser com ela. Maravilha, pessoal! Um grande abraço para vocês. A gente se fala na próxima semana, no episódio número 101 com certeza! Dr. Souto, obrigado aí e um bom dia para você!

Dr. Souto: Obrigado. Um abraço e até a próxima!

9 Comentários


  1. Parabéns pelo 100º, tenho a satisfação de dizer que ouvi todos. No final do ano fiz um “intensivão” e ouvi 89 episódios, não me arrependo.

    Cada episódio é um mimo, um “doce”, que tenho o prazer de degustar.

    Força e coragem sempre.

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  2. Parabéns e obrigada a vocês por tanto que tem nos oferecido! É coisa demais que explicaram, desvendaram, desmascararam, incentivaram, nortearam, doaram. Me sinto sortuda por tê-los encontrado e por tanta coisa que aprendo a cada terça-feira com os podcasts e também no CEDV, na Tribo Forte e no Blog LowCarb. É um mix formidável de boa ciência, boa informação. Muito mais sucesso a vocês todos os dias da vida em tudo que forem realizar!

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  3. Parabéns pelo centésimo episódio de podcast!!! Acompanho a todos e, a cada semana, aprendo e me motivo mais.
    Quanto à disponibilização do podcast no Spotify, não consegui encontrar…
    Força sempre e que venham muitos mais episódios!!!

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  4. As empresas podem estar usando a informação sobre o glúten como marketing, mas também é uma obrigação legal. A lei 10.674 de 2003 obriga os fabricantes de alimentos industrializados a informarem na embalagem se o produto contém ou não contém glúten.

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  5. Olá Rodrigo! Ola Dr. Souto! Adquiri o código de vez e estou seguindo a alimentação forte com meu marido. ele é diabético e aos poucos apresenta melhoras mas ainda toma medicamentos pois a glicose e triglicérides dele chegou a nível estratosféricos. E morar em Portugal com essa quantidade de pães e doces foi difícil no começo, mas estamos nos reeducando. Surgiu uma dúvida. Vi num site aqui uma massa feita de um composto que nunca havia visto: Konjac. Você conhece, indica? Vi os componentes e não parece ruim. Aqui: https://pt.myprotein.com/sports-nutrition/my-spaghetti/11095003.html https://uploads.disquscdn.com/images/20772c7d27fb5c137efd27f8bf421056e59997d7a26bde72f1e82c136eb1aa25.jpg https://uploads.disquscdn.com/images/b789b2131b2f8b1441e4118200cdab30e9714cb2c7e50c59801f222e7475f5e8.jpg

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  6. Rodrigo escorregou feio na parte da.doenca celíaca. Muitos.celiacos são assintomáticos, mas as lesões no duodeno estão lá. E ainda se para de comer glúten sem saber se tem uma desordem relacionada ao glúten, vai ficar doente, mesmo sem comer glúten, isto pq não vai cuidar da contaminação cruzada. Rodrigo, se informe melhor, tu dissemina conhecimento e não pode vacilar num assumto sério como este. O grupo viva sem glúten e o rio sem glúten, além do site da fenacelbra são locais ótimos para começar a se informar. Abraços

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