TRIBO FORTE #145 – MELHOR DIETA PARA O CÉREBRO E METAS DE AÇÚCAR NA ALIMENTAÇÃO

Bem vindo(a) hoje a mais um episódio do podcast oficial da Tribo Forte!

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Neste podcast:

  • Governo tentando ir na direção certa…
  • Dieta baixa em proteína é melhor para o cérebro?

Escute e passe adiante!!🙂

Saúde é importante!

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🙂

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Ouça o Episódio De Hoje:

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Caso de Sucesso do Dia

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Referências

Artigo na Folha Sobre Acordo do Governo em Diminuir o Açúcar em Biscoitos e Outros Alimentos

Artigo no Psychology Today da Dra. Georgia Eade, Sobre o Novo “Estudo” de Dietas Restritas em Proteínas e Mais Altas Em Carboidratos são Melhores Para o Cérebro

Estudo Sobre Ratos Publicado no Jornal Cell

 

 

Transcrição do Episódio

Rodrigo Polesso: Olá! Bem-vindo a mais um podcast da Tribo Forte. Você está ouvindo o podcast semanal da Tribo Forte, sua dose de saúde, emagrecimento, estilo de vida saudável, tudo baseado em evidência, baseado no melhor conhecimento que a gente pode encontrar para trazer para você aqui. Esse é o episódio número 145. Eu sou o Rodrigo Polesso e neste podcast de hoje a gente vai focar em dois assuntos principalmente. Um deles é que o governo está tentando tomar algumas medidas na direção certa, talvez… A saúde… A gente vai colocar você a par disso. Depois também tem um novo estudo que saiu e acabou ganhando as mídias do mundo, falando que dieta de baixa proteína e alto carboidrato pode ser a melhor ideia para seu cérebro. Então, para não deixar você refém desse tipo de informação, a gente quer te acolher no podcast da Tribo Forte e tentar ajudar a colocar um pouco de racionalidade nesse assunto, discutir um pouco isso aí. No mais, Dr. Souto, bem-vindo ao podcast. Como está por aí?

Dr. Souto: Tudo certo, Rodrigo. Bom dia e bom dia aos ouvintes.

Rodrigo Polesso: É isso. Vamos lá. Vamos aquecer, então, com essa questão da notícia do governo. Dia 26 de novembro agora, saiu na Folha o seguinte… A seguinte manchete. “Governo faz acordo para reduzir até 62% do açúcar em biscoitos e outros alimentos.” A ideia é reduzir a quantidade de açúcar nos alimentos que mais aportam o doce na dieta do brasileiro. Segundo uma matéria sobre o mesmo assunto que saiu no Globo.com, o Brasil é o quarto país que mais consome açúcar no mundo. Olha só, eu não sabia disso também. Como dito em destaque a meta visa reduzir estrondosas 144 mil toneladas de açúcar até 2022, porque tudo acontece muito vagarosamente nessa questão de governo e políticas, como vocês sabem. Agora, 144 mil toneladas de açúcar a menos no prato do brasileiro… Que maravilha. Agora, como se traduz essa quantidade em mudanças de fato na alimentação? Bom… O próprio artigo do Globo.com dá uma amostragem do que vai ser as metas. No refrigerante até o final de 2020 é para ter 11 gramas de açúcar a cada 100ml só. E até 2022 — pasmem — 10,6 gramas de açúcar. Ou seja, eles têm 2 anos para reduzir 0,4 gramas de açúcar a cada 100ml. Biscoitos doces… É para sair de 26,8 para 22,6 gramas por cada 100 gramas. Biscoito Maria da vida e Maizena de 25,6 para 22,8. Achocolatados em pó 90,3 para 85. Iogurtes de 14,5 a 12,8. Enfim, tem outros exemplos aqui. Mas para vocês entenderem que a redução aqui não estrondosa. A soma de tudo vai dar 144 mil toneladas, mas a pergunta é… Imagina a quantidade de açúcar que a gente está ingerindo. Imagina a quantidade comparada a isso. Então, é uma meta, digamos, conversadora. Mas é uma meta que vai na direção certa. O ponto é… Na matéria da Folha é dito que para… Não, na verdade, o representante da indústria… Eles sempre pegam… O governo está fazendo essas medidas, digamos, a favor da população… E aí tem o representante da indústria que vem defender o lado dele. Eu achei interessante o que ele disse. Wilson Melo, da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (ABIA). Ele falou que não existe… Olha só, Dr. Souto… Não existe o conceito de alimento saudável, mas sim o de dieta equilibrada.

Dr. Souto: Essa frase, Rodrigo… Essa frase é maravilhosa porque ela deixa claro para vocês que estão nos ouvindo que este conceito de equilíbrio, de equilibrado, de balanceado é um conceito que foi criado pela indústria. Ele serve aos interesses da indústria. No momento em que eu digo “pode tudo, mas com moderação”, eu estou abrindo o flanco para a indústria basicamente vender o que quiser, porque não existe alimento saudável. Tudo pode, desde com equilíbrio. Então, vocês entendem que isso é marketing? Bom, por que não dar um cigarrinho para o filho logo? Mas um só, não uma carteira. Sim, existem coisas que são ruins para sua saúde. Tem coisas que são boas para sua saúde. Existe um meio termo. Mas sim, existe isso. E negar isso é uma estratégia de marketing que serve à indústria. Desculpa ter te interrompido, mas eu precisava falar.

Rodrigo Polesso: Não, com certeza. Na verdade, eu acho que eles devem achar que a gente é meio idiota. Acho que todo mundo no Brasil, independente do nível intelectual, vai entender que essa questão, vinda de um advogado da indústria… Dizer que não existe alimento saudável… É meio estranho. É difícil de engolir isso daí. Em respeito dessa mudança inteira, eu acho que pode ser uma mudança positiva obviamente. Mas é mais uma vez, Dr. Souto, aquilo que a gente vem falando do governo tomar decisões gerais em nome da população. Pode ser benéfico a muita gente, com certeza. Mas tem aquela coisa… Na minha opinião, pelo menos, as verdadeiras mudanças acontecem naquelas pessoas que fazem elas mesmas melhores escolhas porque entendem o porquê das coisas, e não daquelas que continuem comprando as mesmas porcarias que foram ou não alteradas pela indústria de acordo com o governo.

Dr. Souto: É, na verdade, sim… Se a pergunta for… É bom que o governo esteja querendo tomar atitudes para diminuir a quantidade de açúcar na dieta? Sim, é bom. Claro que é bom. O problema é quando a gente começa a pensar qual será a eficácia disso. A efetividade no mundo real. Porque, afinal, são reduções modestas. Segundo, trata-se de uma adesão voluntária da indústria. Não há medidas punitivas associadas a isso aí, pelo menos não neste momento. E, na realidade, existe aquele problema… E isso a gente se debate muito… De que o problema não é só o açúcar. Então, se eu diminuir a quantidade de açúcar num biscoito e esse biscoito continuar sendo feito com farinha de trigo, bom, ele continua tendo uma grande quantidade de amido, de carboidrato refinado. Então, o efeito não vai ser muito diferente. O efeito glicêmico, o efeito para um diabético, não muda. A Associação Brasileira Low Carb está citada na mídia… Quem deu a entrevista foi nosso diretor científico, Dr. Rodrigo Bomeny numa notícia do jornal Correio do Povo. Eu estou com a notícia aberta aqui na minha frente e eu vou citar um pedacinho onde ele diz justamente isso. “Como a adesão é voluntária, o descumprimento não acarreta medidas punitivas às empresas. Parece ser mais uma redução de danos do que uma promoção à alimentação saudável.” Essa é uma frase importante. Sim, é uma redução de danos. Tipo, já que nós não temos como realmente mudar alguma coisa, fazer que as pessoas adotem uma alimentação saudável, vamos diminuir um pouco o açúcar. E aí ele diz aqui. É uma medida que, de fato, não contribui para as mudanças de hábitos. Ainda neste mesma reportagem, ele diz aqui… “‘Além disso, diversos dos produtos mais vendidos no país, inclusive os mais consumidos por crianças, não sofrerão alterações’, explica o endocrinologista, que também é diretor científico da Associação Brasileira Low Carb. Segundo ele…” Isso aqui não interessa. Em outras palavras, a gente acaba aqui naquela falácia do produto com menos açúcar, do produto reduzido em açúcar, do produto diet, que é puro refinamento e puro carboidrato. Aqueles exemplos que a gente sempre dá… Pega lá o pudim em pó, aquele artificial de misturar com leite, diet, zero açúcar. Qual é o primeiro ingrediente? Amido de milho. Pega o biscoito sem açúcar. Biscoito recheado… Chocolate com recheio artificial de baunilha sem açúcar. Ele é sem açúcar e o primeiro ingrediente, claro, é farinha de trigo refinada. E lá pelas tantas tem maltodextrina e essas outras coisas. A famosa maltodextrina… Que eu posso pegar um adoçante em pó tipo esse tal e qual que é 99% maltodextrina… Ou seja, ele é 99% puro carboidrato… Puro carboidrato de alto índice glicêmico, mas ele é diet, sem açúcar… E segundo essa mesma legislação desta mesma ANVISA, este produto é adequado para o consumo de diabéticos. Sim, eu entendo. A gente pode, ao mesmo tempo, dizer… Olha, é legal que o governo queira reduzir o açúcar na dieta, mas entender que isso é uma medida… É tapar o sol com a peneira. Quer dizer, é uma medida voluntária. A indústria sequer é obrigada a aderir a isso aí. E, se aderisse, ia mudar muito pouca coisa. Então, a grande ênfase, como disse o Bomeny na reportagem do jornal, seria promover o Guia Alimentar Brasileiro que já existe desde 2014 e que sugere evitar todos esses alimentos processados, altamente processados, em favor de alimentos in natura ou minimamente processados. Aquilo que a gente encontra no açougue, na peixaria, na feira e que é comida de verdade. Então, eu entendo. Eu aplaudo a intenção da redução do açúcar, mas a impressão que me dá é que é uma coisa tão tímida, tão restrita, que é mais para fazer as pessoas se sentirem bem ou para elas poderem dizer na imprensa que elas estão fazendo alguma coisa do que efetivamente algo que vá… Como disse o Bomeny nessa reportagem em nome da ABLC, realmente promover uma modificação significativa na população. É mais uma redução de danos, vamos dizer assim.

Rodrigo Polesso: É, e também tem aquela questão psicológica do ser humano. Ele vai ver aquela bolacha… “Nossa, tem 20% menos açúcar. Quer dizer que eu posso comer 20% mais bolachas.”

Dr. Souto: Isso que você está dizendo é uma coisa bem real. Me lembro de um estudo que mostrou o seguinte. Pacientes que usam estatinas tendem a engordar. E isso não é um efeito da droga. Não é um efeito colateral da droga. Não é um efeito farmacológico da estatina. É exatamente isso que você falou. As pessoas usam remédio e aí elas entendem dentro de si que agora elas estão blindadas, que elas agora podem comer o que elas quiserem, porque afinal agora o coração está protegido por esse remédio. Aí, é claro, elas passam a comer mais porcaria e engordam por causa disso. É um fenômeno real, documentado cientificamente. Quando as pessoas veem que o produto é… Vamos dizer, “apresenta menos riscos”… Elas compensatoriamente tomam mais riscos.

Rodrigo Polesso: Exato. Exatamente. Acho que não tem atalho. A melhor forma de realmente alterar como a criança vê a alimentação é vindo dos pais como exemplo e vocês que estão ouvindo aqui podem ser semente de mudança para isso, semente de influência nesse caso aí. Para começar a coisa certa da raiz. É isso aí. Vamos lá. Saiu esse estudo novo que eu falei. Eu já vou ler as manchetes aqui. Eu fiz um briefing aqui para colocar todo mundo a par disso aí, fazer um resuminho rápido do que é. Depois a gente vai discutir um pouco mais sobre esse assunto. Olha lá, pessoal. No jornal The Guardian saiu o seguinte. “Dieta baixa em proteína e alta em carboidrato pode ajudar a curar ou a diminuir demência.” Dia 25 de novembro no UOL saiu a manchete: “Pouca proteína e muito carboidrato é a chave para a mente saudável, diz estudo.” Daí no dia 29, 4 dias depois, no UOL saiu: “Por que as dietas que priorizam proteínas são as queridinhas da vez?” Bom, você sabe que se você seguiu as matérias que saem na mídia, mesmo que seja no mesmo canal, você fica maluco. Uma coisa contradiz a outra. Mas, enfim, é uma frase muito forte do dia 25 de novembro, dizer que pouca proteína e muito carboidrato é a chave para a mente saudável, que é o que diz o tal estudo. Dia 4 de dezembro, logo depois, no Psychology Today, a Doutora Georgia Ede — de quem eu gosto muito por sinal — escreveu um brilhante artigo sobre o tal estudo que mostra que dietas restritivas em proteína e mais altas em carboidratos são melhores para o cérebro. Talvez você tenha visto também por aí em outras mídias matérias propagando essa ideia. Mas qual será a fonte disso tudo? Será que a gente precisa se preocupar? Sem pânico, a Tribo Forte está aqui para te proteger e colocar vocês a par de tudo. O tal estudo que deu origem a todo esse bafafá foi publicado no jornal Cell agora no dia 20 de novembro e tem o seguinte título: “Comparando o efeito de uma dieta de baixa proteína e alto carboidrato e restrição calórica no envelhecimento do cérebro em ratos.”

Dr. Souto: Ratos?

Rodrigo Polesso: Se você é um rato, presta atenção que a coisa vai ficar boa agora.

Dr. Souto: Eu acho tão estranho usar termos como “mente” como eles usam para ratos.

Rodrigo Polesso: Mente de rato, então. A gente deve ter alguns ratos ouvindo, que prestem atenção. O estudo foi feito em ratos. Veja, existe um bom corpo de evidência mostrando que dietas e restrição calórica tendem a promover longevidade. Como restringir calorias a vida inteira não é algo tão legal quando feito de forma forçada, os pesquisadores queriam ver se uma dieta de baixa proteína e alto carboidrato ao invés poderia ter benefícios similares. Então agora a principal pergunta que qualquer pessoa interessada no estudo deveria fazer é. Beleza, então qual foi a dieta dos ratos neste estudo? Qual foi essa dieta? Apesar de os autores não terem descrito exatamente no estudo qual foi a dieta, por meio de referência a gente consegue saber. Foi uma ração com caseína, que é a proteína isolada do leite — proteína essa que nenhum rato acharia facilmente no mundo real para começar. Além disso, é uma proteína que estudos têm mostrado que muitos ratos não gostam e evitam. Então, essa foi a fonte proteica dessa ração. Mas além da caseína como única fonte de proteína, o resto da ração foi composta basicamente de amido puro de rápida digestão vindo do trigo, açúcar de mesa e também óleo de canola. Não tem absolutamente nada de natural nessa dieta. Nada que os ratos de fato achariam no mundo real dessa forma. Seria como alimentar os humanos, como a Doutora Georgia Ede falou… Alimentar os humanos com diferentes sorvetes, em um estudo para medir depois o resultado na saúde geral. Basicamente, foi um sorvete com os componentes dessa ração do rato. Eles elaboraram, então, diferentes variedades dessa ração para os ratos, variando em quantidade proteica.  5% a 20% das calorias e todas com carboidratos extremamente altos, variando de 63% a 77% das calorias. Em outras palavras, o estudo intoxicou ratos por um período de tempo variando a toxina um pouco e tentando ver se tinha alguma benefício cerebral. O estudo colocou esses ratos nessas dietas variadas e foi acompanhando diversos marcadores cerebrais e etc. para no final escrever sua brilhante conclusão. Aqui é a parte legal, a brilhante conclusão. Presta atenção no seguinte… Na conclusão desse estudo… E me diga você se você mudaria sua dieta alimentar baseada nessa conclusão desse estudo, mesmo que esse estudo tivesse sido feito em humanos. Vai lá. Essa á a conclusão oficial do estudo. “Em nosso estudo, a dieta restrita de calorias e baixa em proteínas e alta em carboidratos foram associadas com melhoras modestas nas medidas comportamentais cognitivas, no entanto, os resultados foram principalmente limitados às fêmeas e inconsistentes.” Traduzindo, a conclusão seria… “Nosso estudo foi completamente inútil e sem nenhum resultado significante”, em outras palavras. A Doutora Georgia Ede escreveu também a sua versão de como deveria ter sido a conclusão. Então, ela escreve o seguinte: “Se a sua dieta consiste inteiramente de uma ração misteriosa ultraprocessada feita de extrato de proteína do leite, amidos refinados, açúcar e óleo vegetal, e você seja um rato, seu cérebro pode se dar um pouco melhor se você mudar para uma ração mais baixa em extrato de proteína do leite e um pouco maior em amidos refinados e açúcar.” Mais uma vez, a gente vê dinheiro sendo jogado no lixo com um estudo inútil que sabe lá porque raios acabou ganhando manchete no mundo inteiro. Mas você ouvindo falar sobre esse estudo você consegue completar os pontinhos para dar uma manchete como a que eu falei que saiu no UOL? “Como pouca proteína e muito carboidrato é a chave para a mente saudável?” Pessoal, eles querem te enganar. Dr. Souto, como que a gente trata seriamente um negócio que parece um deboche desse?

Dr. Souto: Não dá, tem que rir. O único jeito é rir. Da forma como você concatenou ficou muito bom de ler o que a Vitoria Edes escreveu e a manchete do UOL. É esquizofrênico. Mas é importante que as pessoas tenham essa noção. Não é assim… Jornalismo científico no Brasil… Deixa um pouco a desejar e tal… Não, é uma coisa grotesca. É uma coisa bizarra, bizarra. Então… Na realidade… Vocês que nos ouvem a bastante tempo talvez já tenham esse cacoete, mas é interessante. Fazer aquele cacoete. A primeira coisa é… Ok, eu vi a manchete. Qual é o artigo que deu origem a isso? Vamos lá, vamos procurar. Normalmente o nosso jornalismo científico aqui no Brasil é tão ruim que nem bota a referência.

Rodrigo Polesso: Exato. Eles não citam. Eu fico louco com isso.

Dr. Souto: O que você tem que fazer normalmente é procurar no Google em inglês a mesma notícia porque aí você vai ter notícias de portais estrangeiros que tratar seus leitores como se eles fossem um pouco…

Rodrigo Polesso: Cefalados.

Dr. Souto: Isso. Tipo assim… Talvez o nosso leitor queira saber da onde saiu isso. Vamos botar a fonte. Aí pega a fonte e vê o artigo. Aí o primeiro passo é… É em humanos? Sim ou não. Bom, não é em humanos… A manchete já deveria ser… Primeiro, deveria gerar manchete? Tenho minhas dúvidas. Segundo, gerou? Ok, em camundongos, em ratos estudo sugere que a dieta assim assado possa ter. Já ficaria um pouquinho melhor. Se fosse em humanos, era um ensaio clínico randomizado? Sim ou não. Porque aí tem aquele problema. São estudos observacionais, eles não estabelecem causa e efeito. Então, isso tem que ser um cacoete, pessoal. Tem que ser automático. Leu uma manchete, é automático aquilo ali. E no caso, o mais incrível é o seguinte… O próprio estudo em roedores foi um lixo. Foi um lixo. Então, uma dieta louca sendo comparada com outra dieta louca. Observem o seguinte. Quem aí é da área biológica ou tem alguma experiência na área biomédica… Esse estudo se quer tinha grupo controle. Ele não tinha um grupo que estava comendo a ração normal de ratos.

Rodrigo Polesso: É isso que eu ia dizer. Exatamente. Não tinha nada bom para comparar.

Dr. Souto: É. Tipo, poderia ter um grupo que estava comendo a ração normal dos ratinhos… Aquela ração que tem fibra, que tem plantinhas tal. Raçãozinha de rato. E, obviamente, esse grupo seria o melhor deles todos provavelmente, eu suponho. Porque eles seriam os que estaria sendo menos envenenados, menos intoxicados. Mas mesmo assim eles não conseguiram encontrar diferença estatisticamente significativa. Então, eles começaram a fazer o quê? Análise de subgrupo. Quem é a da área biomédica, quem conhece estatísticas sabe que é um big red flag.

Rodrigo Polesso: É desespero.

Dr. Souto: É um desespero. Porque aí eu começo a fazer o seguinte… O estudo não deu resultado. Mas vamos analisar, então, só os machos. Bom, não deu. Vamos analisar só as fêmeas. Nas fêmeas deu um resultado que beira a significância estatística.

Rodrigo Polesso: Limitado e inconsistente.

Dr. Souto: Deu completamente inconsistente. Então, qual é o resultado? O resultado não assim… Esses montes de dietas ruins não modificou a cognição dos ratos. Não, o resultado é: houve uma modesta e inconsistente mudança nas fêmeas que comeram aquilo ali. Bom, se não tivesse achado isso, talvez eles encontrassem assim: Nas fêmeas com patas curtas e rabo enrolado deu diferença. Se eu fizer isso, eu vou encontrar esses diferenças aí em absolutamente qualquer estudo. A gente usa um termo técnico para isso chamado graus de liberdade do pesquisador. O pesquisador não pode ter infinitos graus de liberdade. Ele tem que definir a priori, antes do início do estudo, o que que ele quer pesquisar e o que que ele vai considerar um resultado significativo. Bom, se chegar no fim do estudo e esse resultado não der significativo, não dá para ficar massageando, torturando os dados até que eles confessem. Então, ele é um estudo ruim na origem já. Tipo, como a própria Georgia Edes comenta, é espantoso que esse estudo tenha passado pela revisão pelos pares, pelo peer review, e conseguido ser publicado. Bom, mas mais espantoso ainda é que esse pessoal acéfalo tenha pego isso e transformado isso… Como que é a manchete mesmo, Rodrigo?

Rodrigo Polesso: A manchete é a seguinte. “Pouca proteína e muito carboidrato é chave para mente saudável, diz estudo.”

Dr. Souto: Então, assim… Pessoal, não se deixem enganar. É basicamente aquele jogo dos 7 erros. Sabe quando a gente tem no livrinho de quebra-cabeça? Aparece ali… Vamos encontrar onde é que estão os erros. É assim que a gente olha um estudo científico. A diferença é que nessas manchetes de portais brasileiros é o jogo dos 50 erros.

Rodrigo Polesso: É, dos 50 erros. Outra, esse estudo vem também num contexto onde a gente já tem um corpo de literatura publicada mostrando os benefícios do contrário disso, que é uma dieta mais alta em gordura… E eles nem mencionaram gordura. Eles mencionaram bem alto carboidrato e baixa proteína. Coisas que a gente já sabe que são associadas a uma melhora cognitiva. Mas você acha que eles falaram disso? Não.

Dr. Souto: Não custa também mencionar isso. Aquilo que já até escrevi no meu blog. Uma postagem sobre estudo em animais. Quem bota no Google lá “Souto blog referência bibliográfica animais”. Botas essas palavras e você vai encontrar. Alí eu comento assim… Além de perguntar, “É ser humano ou é em bicho?” A gente também tem que perguntar, “Em estudos em humanos, já mostraram o contrário?” Porque, veja bem… Eu brinco naquela postagem. Eu posso engordar um bode, uma cabra até com palha, até com folhas. Eu posso encher de folhas… O bicho vai comendo folhas e vai engordando. Eu não consigo engordar um ser humano com palha ou com folhas ou com feno. Então, não adianta eu pegar, engordar um bode com feno e dizer assim: “Pessoas, por favor, não comam feno, porque feno engorda.” Existem coisas que são específicas para determinadas espécies. Então quando algo já foi demonstrado que é o contrário no ser humano, é inútil ficar publicando o quinquagésimo estudo mostrando que aquilo é diferente no roedor. Aquilo é de interesse veterinário. Quer dizer, se você tiver um chinchilla, isso pode ser interessante. Daqui a pouco eu posso evitar que o chinchilla engorde dando menos cenoura para o chinchilla, mas vamos dizer… Isso não tem impacto para o ser humano que é um onívoro, que tem outro tipo de dieta. Como você muito bem colocou, tem um corpo crescente de estudos mostrando benefícios cognitivos, benefícios terapêuticos para patologias do sistema nervoso central de dieta cetogênica, que é uma dieta de muito baixo carboidrato. Então, esse tipo de manchete… A gente viu, porque o Rodrigo acabou de mostrar para vocês, que não se aplica sequer para os ratos, porque o estudo foi mal feito. Mas se isso se aplicasse para os ratos, teria interesse exclusivamente veterinário, porque nós já temos um corpo de estudos científicos em humanos que mostra o contrário em humanos. Então, esse é aquele momento que a gente tem que parar e pensar assim… Lembrem-se, o nível de incompetência deve ser o mesmo para outras áreas para além da nutrição. Então, cuidado com tirar conclusões de notícia de portal.

Rodrigo Polesso: É. Muito cuidado. Eu já mencionei antes, mas tem pessoas que eu falo de vez em quando que… Eu falo… Cara… A pessoa vem ainda com aqueles mitos da gordura e etc… E daí você fala que… “Meu, isso aí é mito. Já ficou comprovado.” Fala para a pessoa o seguinte… Eu sei que vai ser difícil acreditar, mas você acha que… A pessoa fala, “Mas você acha então que toda Harvard está errada e os médicos todos estão errados? Se fosse tão errado assim, já saberiam.” Então, é tão ruim que é difícil você argumentar com isso. Como que pode… Médicos, universidades inteiras, governos inteiros ainda propagarem uma coisa que há muito tempo já foi desmentida? E como é que você, uma pessoa só vai tentar persuadir uma pessoa a fazer uma procura nesse sentido? Por exemplo, pessoas que precisam dessa informação… A mãe da minha namorada falou para ela… “Isso está fazendo mal para você. Seu joelho está inflamado.” “Quer dizer que você sabe mais do que todos os médicos daqui? Sabe mais que Harvard?” É tão ruim que é difícil de mostrar para as pessoas que é sim ruim de verdade.

Dr. Souto: Por isso que é importante expor a falácia da autoridade. Quer dizer, o que torna alguém correto não é estar afiliado à Harvard ou não. O que torna alguém correto é o nível da evidência científica que essa pessoa está citando para corroborar aquilo que ela está dizendo. Segundo, vamos lembrar, pessoal, que instituições como uma universidade não são monolíticas. Você pode encontrar alguém dentro da USP que votou que no Bolsonaro, alguém dentro da USP que votou no Haddad. Estar na USP não determina se a pessoa é a favor de um ou a favor de outro. Da mesma forma, você pode em Harvard encontrar o Walter Willett, que é o cara da Escola de Saúde Pública, que tem horror de carne vermelha, é a favor do vegetarianismo e publica aquele monte de estudos que a gente sempre critica aqui… E dentro da mesma universidade de Harvard você tem o David Ludwig que é o autor desse ensaio clínico randomizado sensacional que nós cobrimos recentemente no podcast.

Rodrigo Polesso: Podcast passado.

Dr. Souto: Mostrando a vantagem metabólica de low carb. Se você tem resistência à insulina, pode comer até 400 ou mais calorias por dia sem engordar em low carb. É a mesma universidade. Universidades são centros plurais. As pessoas têm diferentes opiniões. Então, o que as pessoas fazem é usar aquele título da universidade como se fosse uma medalha no peito para lhe conferir autoridade. E isso é o que a gente chama de falácia da autoridade. Então, não vamos cair na falácia da autoridade. O que importa não é a afiliação institucional do indivíduo. Com base em que nível de evidência científica está sendo afirmado o que está sendo afirmado? E isso pode ser julgado por quem é afiliado à Harvard, à USP ou por quem não é afiliado a coisa nenhuma. Felizmente, nós vivemos no século 21, numa situação em que qualquer um, a partir do seu smartphone, tem acesso a informação. O PuBmed que tem os estudos científicos está aí aberto, disponível para todo mundo, ao alcance de um dedo no seu celular. Então, se a pessoa tem alguma formação que lhe permite entender aquilo que ela está lendo ali, a informação está lá disponível para todo mundo.

Rodrigo Polesso: É. É isso que digo. Se você que está ouvindo encontrar alguém que é resistente às ideias mais básicas ainda, não é uma conversa que você consegue ter em 5 minutos. Então, acho que é sempre melhor indicar para a pessoa que pelo menos ela escute, que seja o podcast ou entre em contato com a informação que a gente publica. Porque aos poucos ela vai pegando uma coisa aqui e ali e vai se convertendo, digamos assim. Ela vai entendendo que a situação é mais preta do que parece. É mais feia do que parece.

Dr. Souto: Se a pessoa gosta de ler… Agora o natal está chegando perto… Dê de presente o livro Gordura Sem Medo da Nina Teicholz. Um livro bem escrito. Ela é uma jornalista. Ela tem um texto muito bom de ler. E é um livro fartamente referenciado com referências bibliográficas. Trata tanto da parte científica como da parte histórica. E eu sempre digo, para conseguir entender como que a coisa chegou num ponto tão bizarro na nutrição, a análise histórica talvez seja tão ou mais importante que a análise científica, porque a análise científica é relativamente simples. É mostrar que houve uns estudos epidemiológicos mal feitos lá no início. Que eles acabaram formando um dogma. Que depois mesmo o conjunto da obra dos estudos observacionais não confirmou aquilo e os ensaios clínicos randomizados que vieram depois refutaram aquela ideia. Então, assim, do ponto de vista científico eu consegui falar isso em 30 segundos. Agora vem aquela pergunta: “Aé? Então por que que todo mundo acredita nisso? Por que que é assim? Por que que o governo é assim? Por que que não é só o governo do Brasil e por que que são todos os governos?” Bom, aí você tem que entender a história da coisa. Os interesses econômicos. Os interesses que existem por trás. Como a coisa… Quais os lobbies que conseguiram montar essa super estrutura. O livro, então, tem a biografia desse desastre.

Rodrigo Polesso: Realmente. Maravilha. Bom, vamos trazer aqui o caso de sucesso de hoje antes de a gente falar o que a gente degustou hoje… Na última refeição. O caso de sucesso de hoje foi trazido pelo Aroldo Giesta. Ele falou, “Resolvi entrar no Código Emagrecer de Vez e as tabelas verde, amarela e vermelha me ajudaram a me livrar de coisas que que achava que eram boas, mas são horríveis. Resumo, menos 19,6 quilos em 4 meses, ou seja, uma média de 5 quilos por mês.” Essas tabelas que ele está falando tem lá… Tabela verde são basicamente os alimentos que podem tentar regularizar seus hormônios, regularizar sua queima de gordura. A amarela é mais tipo pisando um pouco no freio, você tem que tomar um cuidado. E a vermelha, é claro, aquela que você pisa no freio da queima de gordura. É uma forma fácil de classificar esses alimentos dentro do programa lá. Ele aprendeu, como ele disse aqui, as coisas que ele precisa se livrar, mas que ele achava que eram boas. É justamente isso que a gente está falando agora. E as pessoas acham, “Nossa, isso faz mal mesmo? Como que pode? Todo mundo está comendo.” Pois é. Quando você aprende, você começa a ver os resultados, aí você acredita na mensagem. As tabelas todas e todo o programa está em CodigoEmagrecerDeVez.com.br. Se você tem interesse, entra lá, se sua prioridade for emagrecimento, está tudo mastigado lá dentro. E, claro, como a gente sempre fala, Dr. Souto, se a gente para de intoxicar o corpo, ajuda. O corpo sabe o que fazer e começa a retomar a boa forma. Mas agora falando em alimentação, em comida… A gente está gravando esse podcast de manhã no seu horário. Para mim é 2 da tarde, mas eu só vou jantar hoje, então eu posso fazer uma previsão do que eu vou comer hoje à noite. Mas se você comeu coisa no café, ou quer compartilhar o que jantou ontem à noite, compartilha com o pessoal aí.

Dr. Souto: Eu fiz uma torradinha no café da manhã de pão e queijo. “Mas pão?” Sim, pão low carb, né, pessoal? Quem quiser dá uma olhadinha lá no Tribo Forte. Tem várias receitinhas de pão low carb. Então, um pãozinho de farinha de amêndoas. A gente faz duas fatiazinhas, pega um queijo, bota no meio, faz na torradeirinha de fogão, derrete o queijo. Fica uma delícia. Isso e um café. E não precisa mais nada. Na realidade, à rigor, só precisaria do café. Mas às vezes a gente tem aquela saudade meio afetiva do cheirinho do pãozinho queimado… E o pão… Vou dar uma boa notícia para vocês… Não precisa ser de farinha de trigo para dar o cheirinho. Na hora que torra na torradeirinha de fogão, o cheirinho é o mesmo. Aquele cheiro que espalha pela cozinha. Então, se você está seguindo uma alimentação low carb, uma alimentação forte, mas tem saudade do cheirinho da torrada, fica a dica. Pãozinho de amêndoas, torradinha de queijo.

Rodrigo Polesso: Maravilha. Fácil e rápido. Hoje eu comprei um baita de um filezão de salmão para eu fazer aqui. Eu falo que o salmão bem feito é como se fosse almoço e sobremesa junto. Até aquela pelezinha quando está tostadinha embaixo fica muito gostosa. É isso que vou degustar hoje na janta. Mas antes vou me exercitar em jejum, claro, porque na minha opinião o corpo funciona muito melhor quando está sem a interferência do processo digestivo no estômago. Você não precisa de sangue no estômago quando está se exercitando, você precisa de sangue nos músculos, em todo o sistema cardiorrespiratório. Mas essa é uma outra conversa para outra hora. Então, é isso aí. Maravilha. Esse podcast trouxe mais uma vez à tona… Mais manchetes que vieram falando coisas que não são realmente o que são de verdade e você está alertado. Semana que vem a gente volta para alertar sobre outras coisas que sempre saem. A gente nunca fica sem assunto aqui. Doutor Souto, obrigado por sua atenção. A gente se vê semana que vem.

Dr. Souto: Isso aí, Rodrigo. Um abraço. Pessoal, lembrem @rodrigopolesso, @jcsouto, @ablc.org.br. Sigam a gente nas redes sociais. Abraço e até semana que vem.

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